17/12/2009

Biologia - Resumo Biologia I


Resumo Biologia I

População: É o conjunto de indivíduos de uma mesma espécie que vivem numa mesma área.
Comunidade: Conjunto de populações que vivem numa mesma área.
Ecossistema: Caracteriza-se pela complexidade de relações existentes entre os seres vivos e desses para com o meio – ambiente, havendo passagem de matéria e energia.




                      







Nenhum ecossistema sobrevive sem matéria orgânica

 Matéria orgânica      energia

Biosfera  =   Conjunto de ecossistema do planeta.

Ecossistema
Existem duas formas da passagem de energia:

A)    Cadeia Alimentar à Matéria e energia passam numa única direção. Não apresenta a passagem correta de ambos num ecossistema.
Obs.: Sempre há a perda de 10% da energia na  passagem de um nível trófico para outro.
Obs2.: Os fungos e as bactérias transformam o matéria orgânica em matéria inorgânica, já os vegetais fazem o oposto, transformando a matéria inorgânica em orgânica. Esses seres são denominados Autótrofos
A matéria vai passando para os seguintes animais através da alimentação. A matéria passa de forma CÍCLICA.
A energia produzida não é totalmente transmitida pois a energia é gasta no metabolismo e a energia sai em forma de calor que se perde por isso calcula-se que cerca de 10% da energia é passada entre os níveis tróficos.
A energia passa de forma ALICÍCLICA havendo uma perda de 90% dela.

B)    Teia Alimentar à Matéria e energia passam por vários caminhos opcionais, representa a forma correta da passagem de ambos por um ecossistema.

Obs.: Os Ecossistemas independentes são os que apresentam a produção de matéria orgânica e os ecossistemas dependentes são aqueles que importam a matéria orgânica.
Uma metrópole é um exemplo de ecossistema dependente pois não produz matéria orgânica, ela é importada da zona rural.
Outro exemplo pode ser as cavernas pois não há como a luz do sol penetrar, logo não poderá Ter fotossíntese nem produção de matéria orgânica.

Pirâmides Ecológicas
A)    dos números à indica a quantidade de seres vivos existentes em cada nível. Pode aparecer invertida.
B)    Biomassa à indica a quantidade de matéria orgânica existente em cada nível. Pode aparecer invertida.
C)    Energia à Nunca aparece invertida
Magnificação trófica à Processo no qual ocorre acúmulo de substâncias não biodegradáveis no ecossistema.


população




O potencial biótico é o crescimento de uma população em condições favoráveis . Como a população aumenta muito e o alimento e o espaço diminuem , o meio se torna desfavorável.
Resistência do meio e potencial biótico, são antagônicos.
Atenção: Num gráfico de uma população estável nunca pode ser representado por uma reta, é sempre por ondulações já que há mortes, nascimentos, imigrações e emigrações.
Uma população tende a ficar em equilíbrio devido ao potencial biótico e a resistência do meio, já que um age favorecendo a natalidade e o outro desfavorecendo.

Comunidade
Sucessão ecológica:
A)    Sucessão Primária à Ocorre em locais nunca habitados anteriormente
B)    Sucessão Secundária à Ocorre no local onde já tenha existido um ecossistema. A sucessão secundária ocorre da mesma maneira da sucessão primária porém, é mais rápida pois já existe matéria orgânica.
Diferenças entre habitat e nicho ecológico.
Habitat à espaço físico ocupado pela espécie
Nicho à espaço funcional ocupado pela espécie
Obs:

                
Duas espécies jamais ocuparão o mesmo nicho ecológico. Elas poderão ser iguais em alguns aspectos, assim, há uma sobreposição de nichos.



Ciclos Biogeoquímicos
A)    Ciclo do Nitrogênioà As proteínas são formadas por CHON. A amônia e outros restos Nitrogenados são resultantes do metabolismo de proteínas. Os seres vivos Autótrofos precisam absorver nitrogênio mas a amônia é muito tóxica por isso eles não a absorvem, quando por ação de nitrosomonas e nitrosococos, a amônia é transformada em nitritos (menos tóxico) os Autótrofos absorvem pequenas quantidades, porém quando esses nitritos sofrem ação de nitrobacteres, eles se transformam em nitratos que já são bem absorvidos pelos Autótrofos. Nas raízes de algumas plantas leguminosas existem bactérias que liberam NO3- para o solo então depois de uma colheita de leguminosas, o solo está fértil e pode-se plantar não – leguminosas. Porém, quando a colheita acaba, o solo está pobre e se planta leguminosas novamente. Devido a este fato, é que acontece o rodízio de planta leguminosas e não – leguminosa.
B)    Ciclo do C e do O2 à O vapor d’água +  CO2 fazem uma barreira e impede os raios infravermelho de se dissiparem, assim aumenta a temperatura da Terra. CFC (Cloro Flúor Carbono) destroi a camada de Ozônio que é responsável pela filtragem dos raios solares.

Relações ecológicas
A)    Desarmônicas Interespecíficas (espécies diferentes)
A.1) Esclagismo (+ -) é o tipo de relação desarmônica onde uma espécie escraviza a outra  em benefício próprio.
Ex. Formigas X  Pulgão
A.2) Predatismo (+ -) quando a população de presas sobe, a de predadores sobe e quando a de presa cai, a de predadores também.
A.3) Competição (- -) sempre é prejudicial para os dois pois ambos saem cansados.
A.4) Amensalimo ( - 0) uma população destroi a outra sem tirar proveito disso, por isso a relação é ( - 0).
A.5) Parasitismo (+ -) espécie parasita a outro em benefício próprio, letal para quem está sendo parasitado.
Ex. Holoparasitas (cipó chumbo)
A.6) Hemiparasita (+ -) espécie parasita a outra sem ser letal para o hospedeiro.
B)    Harmônicas Interespecíficas.
B.1) Mutualismo (+ +) (Relação obrigatória)
Ex. Bactérias X Ruminantes
B.2) Protocooperação (+ +) (troca de favores)
B.3) Comensalismo (+ 0)
Ex. Peixe piloto X Tubarão           -            Aproveita os restos
      Peixe piolho X Tubarão           -           deixados pelos Tubarões
B.4) Inquilinismo (+ 0)
Ex. Peixe Furasfer X Holotúria (o peixe se esconde no tubo digestivo da holotúria)
B.5) Epfitismo (+ 0) ( tipo de inquinilismo)
Ex. Epífeta X árvore (não parasita a árvore)

C)    Desarmônica Intraespecíficas (mesma espécie)
C.1) Competição (- -)
C.2) Canibalismo (+ - )

D)    Harmônica Intraespecíficas
D.1) Sociedades
Ex. Abelhas
D.2) Colônia
Ex. Corais








Biologia - REPRODUÇÃO NAS PLANTAS


REPRODUÇÃO NAS PLANTAS





1) Reprodução assexuada em algas




            São três os filos formados por algas consideradas plantas:  clorofíceas (verdes), rodofíceas (vermelhas) e feofíceas (pardas).
            Dentre esses três grupos, somente em clorofíceas unicelulares é possível observar reprodução assexuada por bipartição. É o que ocorre, por exemplo, em Clhamydomonas.

            A reprodução assexuada por esporulação ocorre nos três grupos.


2)    REPRODUÇÃO ASSEXUADA EM BRIÓFITAS


            Nas hepáticas pode ocorrer reprodução assexuada por meio de propágulos. Na superfície dorsal dessas plantas, existem estruturas especiais denominadas conceptáculos. Estes têm a forma de taça e em seu interior estão os propágulos, estruturas multicelulares com a forma de um oito, que possuem células com capacidade miristemática, capazes de produzir uma nova planta.


3)    REPRODUÇÃO ASSEXUADA NAS PTERIDÓFITAS


            As pteridófitas que possuem rizoma podem apresentar propagação vegetativa, pois o rizoma pode, em determinados pontos, desenvolver folhas e raízes, dando origem a novos indivíduos. Com o possível apodrecimento do rizoma em certos pontos, essas plantas podem tornar-se indivíduos independentes.


4)    REPRODUÇÃO ASSEXUADA NAS FANERÓGAMAS


            Nas fanerógamas, a reprodução assexuada pode ocorrer na propagação vegetativa, pois os caules e as folhas, que são órgãos vegetativos, têm capacidade de propagação, dando origem a novos indivíduos.
            Uma importante característica dos caules é a presença de botões vegetativos, ou gemas. Quando as gemas entram em contato com o solo, pode, enraizar e formar uma nova planta completa. É o que ocorre, por exemplo, com os caules prostrados, denominados estolhos: desenvolvendo-se sobre o solo, em contato com a superfície, suas gemas enraízam e formam novas plantas que podem serem separadas da planta-mãe. É o caso do morangueiro e da grama comum de jardim.
            Folhas também podem dar origem a novos indivíduos, como se pode observar em fortuna e begônia.


5)    CULTIVO ECONÔMICO


            Os mecanismos descritos ocorrem espontaneamente na natureza, mas podem também ser provocados pelo homem, principalmente para cultivo econômico de certas plantas.
            A cana-de-açúcar, por exemplo, é plantada simplesmente enterrando-se os seus gomos, que possuindo gemas, enraízam e geram novas plantas.
            Através da propagação vegetativa, caracteres vantajosos podem ser mantidos inalterados nos indivíduos que se formam.
            O homem desenvolveu outros mecanismos de propagação vegetativa, como a estáquia, a
merguilha, a alporquia e a enxertia.
            A enxertia é o processo mais utilizado no cultivo de plantas de interesse econômico e consiste no transplante de uma muda, chamada cavaleiro ou enxerto, em outra planta, denominada cavalo ou porta-enxerto, provida de raízes. O cavalo deve ser de planta da mesma espécie do cavalo ou de espécies próximas.
            Na enxertia, é importante que o cavaleiro tenha mais de uma gema e que o câmbio ( tecido do meristemático ) do cavalo entre em contato com o câmbio do cavaleiro. Além disso,devem-se retirar as gemas do cavalo a fim de evitar que a seiva seja conduzida para elas e não para as gemas do cavaleiro. Alguns dos diferentes tipos de enxertia estão esquematizados a seguir.


            As duas principais vantagens de enxertia são:
·       a muda ( cavaleiro ) já encontra um cavalo munido de raízes e, com isso, o desenvolvimento é mais rápido;
·       podem-se selecionar plantas com raízes resistentes a certas doenças, e utilizá-las como cavalo. Com isso, a reprodução vegetativa de espécies sensíveis a essas doenças torna-se mais eficiente.

           

6)    REPRODUÇÃO SEXUADA



            Na reprodução sexuada, são formadas células especiais denominadas gametas, sendo que um gameta feminino une-se a um gameta masculino através da fecundação, dando origem a um zigoto.
            Os gametas são formados em estruturas especializadas denominadas gametângios. Quando ao tipo de gametas formados, pode-se falar em isogamia, heterogamia e oogamia.

            Na isogamia, os gametas são idênticos entre si, tanto quanto à forma e tamanho como quanto ao comportamento, sendo ambos móveis. Na heterogamia, os gametas masculinos e femininos são móveis, porém, um deles, geralmente o feminino, é muito maior que o outro. Na oogamia, um dos gametas é grande e imóvel e o outro é pequeno e móvel.


            A isogamia e a heterogamia são freqüentes em algas. A oogamia é freqüente em briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas, e também nos animais.




7)    TIPOS DE CICLOS DE VIDA



            Em relação aos tipos de ciclos reprodutores, as plantas podem ser:


a)    Haplonte ou Haplobionte: os indivíduos são haplóides, ou seja, possuem apenas um lote de cromossomos. São representados pela letra n. Algumas células desses indivíduos diferenciam-se em gametas ( haplóides ) que, quando liberados da planta, podem unir-se dois a dois através da fecundação, originando uma célula ovo ou zigoto, com 2n cromossomos ( diplóide ). Esse zigoto sofre meiose, originando 4 células haplóides (n). Estas sofrem várias divisões minóticas, formando um novo indivíduo haplóide, que reinicia o ciclo. Nas plantas com esse tipo de ciclo de vida a meiose é zigótica ou inicial. Esse ciclo ocorre em algumas algas.
b)    Diplonte ou Diplobionte: os indivíduos do ciclo são diplóide. Produzem gametas haplóides por meiose, ocorre a fecundação que dá origem a zigoto diplóide, que, por mitoses sucessivas, dará origem a outro indivíduo diplóide, que reiniciará o ciclo. A meiose, nesse caso, é gamética ou final. Esse ciclo também ocorre em algas.
c)    Haplonte-Diplonte ou haplodiplobionte: em um mesmo ciclo de vida há alternáncia de uma fase de indivíduos diplóides com uma fase de indivíduos haplóides. Fala-se em alternância de geração ou metagênese. Nos indivíduos diplóides, em estruturas especializadas, algumas células sofrem meiose dando origem a células haplóides que se diferenciam em esporos. Estes são liberados da planta e, ao se fixarem em local adequado, darão origem a indivíduos haplóides, através de várias divisões mitóticas. Algumas células desses indivíduos haplóides diferenciam-se em gametas, células haplóides. Estes podem sofrer fecundação, originando um zigoto diplóide que, mitoses sucessivas, dará origem a indivíduo diplóide, reiniciando o ciclo. Nesse caso, a meiose é espórica ou intermediária.
            Nesse ciclo de vida, há alternância de uma fase com indivíduos diplóides, que formam esporos haplóides através de meiose, com uma fase de indivíduos haplóides que produzem gametas por diferenciação celular. Os indivíduos diplóides, por produzirem esporos, são denominados esporófitos haplóides, por produzirem gametas, são denominados gametófitos.
            Esse ciclo de vida ocorre em algas em todas as briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiosperma. Nas algas que possuem alternância de geração, fases gametofítaca e esporofítica podem ser igualmente bem desenvolvidas e independentes uma da outra, sendo que alguns casos não há diferenças morfológicas e haplóides, a não ser em suas estruturas reprodutoras. Nas briófitas, a fase gametofítica é a mais desenvolvida e a esporofítica desenvolve-se sobre a planta haplóide, dependendo dela para sua nutrição. Nas pteridófitas a fase mais desenvolvida é a esporofítica, que é independente da fase gametofítica, bastante reduzida.
            Nas gimnospermas e especialmente nas angiospermas, a fase gametofítica atinge o máximo de redução, não se verificando mais alternância típica de geração, pois não se formam mais indivíduos haplóides bem caracterizados.


8)    EXEMPLO DE CICLO DE VIDA EM ALGAS MULTICELULARES



            Quanto aos ciclos de vida, as algas verdes e as vermelhas podem apresentar os três tipos; haplôntico, diplôntico e haplodiplobiôntico. As algas pardas podem ter ciclo diplônticos e haplodiplobiônticos.
            Com por exemplo, citamos o ciclo de vida de uma alga verde membranosa e alface-do-mar, pertencente ao gênero Ulva, muito comum no litoral brasileiro; tem ciclo de vida haplodiplobiôntico, conforme esquematizado na figura seguinte:


9)    EXEMPLO DE CICLO DE VIDA EM BRÓFITA



            Como exemplo, mostramos o ciclo de vida de um musgo pertencente ao gênero Polytrichum, comumente encontrado sobre barrancos.



10) EXEMPLO DE CICLO DE VIDA EM PTERIDÓFITA



            Como exemplo do ciclo de vida de pteridófita mostramos o ciclo de uma samambaia. Os gametófitos nesse grupo são denominados prótalos e são hermafroditas: em um mesmo prótalo desenvolvem-se gametângios femininos, ou arquegônios, e gametângios masculinos, ou anterídeos.
            Na época de maturação, os gametas masculinos ( anterozóides ), que são flagelados, são eliminados e nadam sobre a lâmina úmida do prótalo buscando atingir a oosfera no interior do arquegônio.



11) EXEMPLO DE CICLO DE VIDA EM GIMNOSPERMA



            As estruturas envolvidas na reprodução das gimnospermas são os estróbilos, ramos terminais modificados, que possuem folhas férteis denominadas esporófilos, produtoras de esporos. Existem dois tipos de esporófilos: o microsprófilo, que produz micrósporos e o megasporófilos que produz megásporos. Os microsporófilos estão reunidos em microstróbilos que são os masculinos, e os megasporófilos que são os estróbilos femininos.
            Em cada microsporófilos desenvolvem-se dois microsporângios. No interior de cada microsporângio formam-se vários microspóros.
            Os microspóros, ainda no interior dos microsporângios, iniciam a formação do gametófito masculino. Este permanece dentro da parede do esporo ( desenvolvimento endospórico ) sendo formado por duas células: a célula do tubo ou vegetativa e a célula geradora. A parede do microspóro desenvolve duas projeções laterais em forma de asas. O microspóro assim modificado passa a ser chamado de grão de pólen.

            O megastróbilo, ou estróbilo feminino, possui, em cada megasporófilo, dois megasporângios, cada um deles revistido por tegumentos. Cada megasporângio revistido por tegumentos recebe o nome de óvulo. Em gimnospermas, portanto, o óvulo não é o gameta feminino, e sim, o megasporângio revistido por tegumentos.
            Em cada óvulo existe um orifício no tegumento, denominado micropíla.
            Em cada megasporângio ocorre meiose em uma célula-mãe de esporo, que originará quatro células haplóides. Destas, três degeneram e apenas uma passa a ser megásporo funcional (n).
            Em determinadas épocas do ano ocorre a polinização: grãos de pólen são liberados e, em função de suas projeções laterais, são facilmente transportados pelo vento, alguns desses grãos de pólen podem passar através da micrópila do óvulo, atingindo uma pequena cavidade do ápice do megasporângio, denominada câmara polínica, geralmente contendo líquido secreto pelo óvulo.
            As gimnospermas são as primeiras plantas terrestres a adquirir independência da água para a reprodução.
            Após a polinização, o megaspório funcional sofre várias divisões mitóticas, dando origem a um gametófito feminino que acumula substâncias nutritivas. No gametófito feminino diferenciam-se dois ou três arquegônios na região próxima à micrópila. Em cada arquegônico diferencia-se apenas um gameta feminino: a oosfera.
            Enquanto isso, o grão de pólen, localizado na câmara polínica, inicia a sua germinação. A célula do tubo desenvolve-se, dando origem a uma estrutura longa, denominada tubo polínico. Essa estrutura perfura os tecidos do megasporângio, até atingir o arquegônio. A célula geradora divide-se, originando dois núcleos espermáticos, que se dirigem para o tubo polínico. Esses núcleos espermáticos são os gametas masculinos das gimnospermas.
            Um desses núcleos espermárticos fecunda a oosfera, dando origem a um zigoto diplóide. O outro gameta masculino sofre degeneração.
            O zigoto diplóde, originado da fecundação, desenvolve-se dando origem a um embrião diplóide, que permanece no interior do gametângio feminino, haplóide. O gametângio acumula substâncias nutritivas, dando origem a um tecido nutritivo haplóide, denominado endosperma. Enquanto isso, os tegumentos endurecem, passando a formar uma estrutura denominada casca ou tegumento da semente. Ao conjunto da casca, megasporângio,  endesporma e embrião, dá-se o nome de semente. Esta permanece presa ao estróbilo até amadurecer, quando então se desprende e cai ao solo. Encontrando condições adequadas inicia a germinação, originando um novo indivíduo diplóide, o esporófito, que reiniciará o ciclo.
            A semente de gimnosperma é formada de:
·       embrião: esporófito embrionário diplóide:
·       endespoerma: tecido nutritivo, que corresponde ao gametófito, haplóide, no qual está imerso o embrião;
·       parede do megásporo e megasporângio: estrituras diplóides que protegem o embrião e o endosperma;
·       casca: estrutura diplóide formada pelo endurecimento do tegumento do óvulo.


A seguir, representamos esquematicamente o ciclo de vida de uma gimnosperma.







12. EXEMPLO DE CICLO DE VIDA EM ANGIOSPERMA
            Nas fanerógamas, as estruturas que participam da reprodução sexuada são as flores, que, nas angiospermas, são formadas por um pedúnculo e um receptáculo onde se inserem os verticilos florais. Este são:
·      cálice: formado pelo conjunto de sépalas;
·      corola: formada pelo conjunto de pétalas;
·      androceu: formado pelo estames, que constituem o sistema reprodutor masculino;
·      gineceu: formado pelo pistilo, que constitui o sistema reprodutor feminino.



Há flores que apresentam apenas o androceu ou apenas o gineceu, sendo,                                        nestes casos, denominadas flores masculinas e femininas, respectivamente. A maioria das flores, entretanto, é hermafrodita, apresentando androceu e gineceu. Essas flores geralmente desenvolvem mecanismos que impedem a autofecundação.
As sépalas e as pétalas são folhas modificadas, estéreis, não formando elementos de reprodução.
O estame e o pistilo são folhas modificadas que produzem elementos de reprodução.
O estame é uma folha modificada em cuja extremidade diferencia-se a antera, no interior da qual desenvolvem-se esporângios, que produzirão esporos. Estes, à semelhança do que ocorre nas gimnospermas, iniciam a produção de gametófito masculino no interior da parede do esporo (desenvolvimento endospórico), dando origem ao grão de pólen, que permance no interior dos esporângios até a época da reprodução.

O grão de pólen das angiospermas contém em seu interior duas células haplóides: a célula do tubo ou vegetativa e a célula geradora. A parede do grão de pólen é espessa, apresentando ornamentações que são típicas para diferentes grupos de plantas. Os grãos de pólen das angiospermas são semelhantes aos das gimnospermas, diferindo destes por não apresentarem expansões aladas.



O pistilo é formado por uma ou mais folhas modificadas, que se fundem dando origem a uma porção basal dilatada, denominada ovário, e uma porção alongada, denominada estilete, cujo ápice é o estigma.
Nas angiospermas os óvulos possuem dois tegumentos, a primina e a secundina, havendo um orifício de passagem denominado micrópila.
No interior do megasporângio, forma-se o megásporo funcional (haplóide), que dá origem ao gametófito feminino no interior do óvulo: o saco embrionário. Este possui, próximo à micrópila, duas células laterais, as sinérgides e um central, a oosfera, que é gameta feminino; no polo oposto, há três células denominadas antípodas; no centro, há dois núcleos denominados núcleos polares, que se podem fundir, dando origem a um núcleo diplóide, o núcleo secundário do saco embrionário.




            O saco embrionário, portanto, corresponde ao gametófito feminino. Nele não há formação de arquegônios, como ocorre nas gimnospermas, havendo diferenciação direta de uma oosfera (n), que é o gameta feminino.
            Comparando-se então, o óvulo maduro de angiosperma com o de gimnosperma, verifica-se que nas angiospermas o óvulo é mais simples, possuindo um gametófito feminino ainda mais reduzido, formado por apenas oito células e que não apresenta diferenciação de arquegônios.
            Após a polinização inicia-se a germinação do grão de pólen. Forma-se o tubo polínico que crescem penetrando no estilete em direção ao ovário. À medida que isto ocorre, a célula geradora e o núcleo da célula vegetativa (núcleo vegetativo) migram para o tubo polínico. A célula geradora sofre divisão mitótica e dá origem a dois núcleos espermáticos, que são os gametas masculinos.








            O tubo polínico geralmente penetra no óvulo através da micrópila, sendo que o núcleo da célula vegetativa, ao entrar em contato com o saco embrionário, degenera-se. Um aspecto exclusivo das angiospermas é a dupla fecundação, pois em cada óvulo uma das células espermáticas funde-se com a oosfera, dando origem ao zigoto, que é, portanto, diplóide, e a outra funde-se com os núcleos polares, dando origem a um núcleo triplóide.



            Após a fecundação, as sinérgides e as antípodas sofrem degeneração. O zigoto sofre várias divisões mitóticas, dando origem ao embrião, e o núcleo triplóide, também por divisões mitóticas, dá origem ao endosperma, tecido triplóide que muitas vezes acumula reservas nutritivas, utilizadas pelo embrião durante seu desenvolvimento.
            Com o desenvolvimento do embrião, os tecidos do óvulo tornam-se desidratados e os envoltórios do óvulo, impermeáveis. Neste ponto, a estrutura toda assa a ser chamada de semente. Assim , a semente nada mais é do que o óvulo fecundado e desenvolvido.
            Em algumas angiospermas, o endosperma é digerido pelo embrião antes de entrar em dormência. O endosperma digerido é transferido e armazenado geralmente nos colitédones, que se tornam, assim ricos em reservas nutritivas. Isto ocorre. Por exemplo, em feijões, ervilhas e amendoins.
            As sementes que transferem as reservas do endosperma para os colitédones são denominadas sementes sem endosperma ou sementes sem albúmen. Nas sementes em que isto não ocorre, os cotilédones não contêm reservas nutritivas e as sementes são chamadas de sementes com albúmen ( ou endosperma)



            A semente, ao germinar, dá origem à planta jovem (plântula), que por sua vez dá origem à planta adulta.
            Comparando-se as sementes de gimnospermas com as de angiospermas verifica-se que ambas apresentam:
·      casca ou tegumento da semente, originada da diferenciação dos tegumentos do óvulo e que, portanto, é 2n;
·      megasporângio reduzido (2n);
·      tecido nutritivo denominado endosperma;
·      embrião, que corresponde ao esporófito jovem e que, portanto, é 2n.
           
            A diferença que se verifica é que o tecido nutritivo ou endosperma, nas gimnospermas, é um tecido haplóide que corresponde as gametófito feminino. Nas agiospermas, o endosperma é um tecido triplóide, que se forma após a fecundação e não corresponde ao gametófito feminino. É um tecido nutritivo especial. O endosperma das gimnospermas é também chamado de endosperma primário (n)  e o das angiospermas, de endosperma secundário (3n), pois este se forma após a fecundação.
            À medida que a semente está-se formando, verifica-se, nas angiospermas, desenvolvimento da parede do ovário da flor e, em alguns casos, de estruturas associadas, dando origem ao fruto.
            O fruto é ovário desenvolvido. 



 

Biologia - Filos do Reino Animalia


 Biologia






Filos do Reino Animalia



Realização:

(       )


Colégio:








Poríferos

         O filo Porífera é constituído por animais pluricelulares que apresentam poros na parede do corpo. São conhecidas cerca de 5 mil espécies de poríferos, todos aquáticos. Eles são predominantemente marinhos (minoria em água doce), sendo encontrados desde o nível das praias até uma profundidade de 6 mil metros.
            Os poríferos são animais sésseis, fixando-se sobre rochas, conchas, etc. Apresentam formas variadas, sendo assimétricos ou de simetria radial. As maiores esponjas medem 2 metros, mas há espécies minúsculas de l mm.
            Embora pluricelulares, os poríferos têm uma estrutura corporal diferente dos demais metazoários. As suas células possuem um certo grau de independência e não se organizam em tecidos.
            A parede do corpo é constituída por 2 camadas celulares. A camada externa é formada por células achatadas (pinócitos). Entre os pinócitos, há células maiores e alongadas que se estendem desde a parede externa até a parede interna. São os porócitos, células que possuem um canal em seu interior, que permite a entrada de água do exterior para a espongiocela, através da abertura chamada óstio.
            A camada interna é formada por células flageladas providas de um colarinho, formação membranosa que envolve o flagelo. Essas células, chamadas coanócitos, revestem  a esponjiocela ; o batimento de seus flagelos faz com que a água existente em seu interior da cavidade saia pelo ósculo.
            Entre as camadas internas e externas há uma mesênquima gelatinosa, nas quais se encontram células e espículas. As células são dotadas de movimentos ameboides e por isso são denominadas amebócitos. As espículas são elementos esqueléticos que sustentam a parede do corpo e mantêm a esponja ereta.
            Reconhecem-se três tipos estruturas de esponjas : ascon, sicon e lêucon, que diferem entre si pela complexidade da parede do corpo.
            O tipo  ascon é o mias simples. A parede é fina e possui poros inalantes que se abrem diretamente na espongiocela. Esta é revestida por coanócitos. As esponjas do gênero Leucosoleina pertecem aos ascons.
            Nas esponjas do tipo sicon, a parede do corpo é formada por projeções em forma de dedos. Identificam-se dois tipos de canais: os inalantes e os radiais. A água penetra pelas camadas radiais, indo para a espongiocela. Os canais radiais são revestidos internamente por coanócitos.
            No tipo leucon, a parede do corpo é mais espessa e percorrida por um complicado sistema de canais. Há canais inalantes e exalantes e, entre eles, câmaras revestidas por coanócitos. A água penetra pelos canais inalantes, passa por câmaras vibráteis e vai à espongiocela pelos canais exalantes. As esponjas adultas não se locomovem. Os poros podem se abrir ou fechar.
            A respiração é aeróbia. O Oxigênio penetra na esponja dissolvido na água. Cada célula efetua com o meio trocas gasosas. O gás carbônico produzido sai para o exterior também dissolvido na água.
            As esponjas não possuem sistema nervoso e células sensoriais. Apesar disso, a maioria é capaz de contrair-se quando submetida a estímulos fortes. Nesse caso, os estímulos são transmitidos de célula para célula.
            A reprodução das esponjas pode ser assexuada e sexuada. No caso da assexuada, reconhecem-se três proceso:
·      Regeneração: os poríferos possuem grande poder de regenerar partes perdidas do corpo. Qualquer parte cortada de uma esponja tem a capacidade de se tornar uma nova esponja completa.
·      Brotamento: consiste na formação de um broto a partir da esponja-mãe. Os brotos podem se separar, constituindo novos animais.
·      Gemulação: é um processo realizado pelas espécies de água doce e alguns marinhos. Consiste na produção de gêmulos, um grupo de ameboides que são envolvidos por uma membrana grossa e resistente.
Quando a reprodução é sexuada, observa-se que a maioria das esponjas é hermafrodita, embora existam espécies com sexo separado, não há gônadas para a formação de gametas, sendo estes originados pelos asqueócitos. A fecundação (interna) e as primeiras fases do desenvolvimento embrionário ocorrem no interior do organismo materno. Nas esponjas do tipo sicon, do ovo origina-se uma larva denominada anifiblástula, que sai pelo ósculo e fixa-se ao substrato, originando uma nova esponja.
As três principais classes de esponjas são: Calcárias, hexactinélidas e desmospôngias.
·                      Calcárias: possuem espículas de carbonato de cálcio. Nessa classe encontram-se esponjas dos tipos oscon, sicon e leucon. São esponjas pequenas e vivem em águas rasas.
·                      Hexactinálidas: possuem espículas silicosas. Na maioria das vezes essas espículas formam uma rede que se assemelha a vidro quando seca, por isso são conhecidas como esponjas-de-vidro.
·                     Desmospôngias: possuem espículas silicosas, fibras de espongina ou ambas. A esta classe pertence a maioria das esponjas. São todas do tipo leucon e apresentam formatos irregulares. Vivem em águas rasas e profundas, e entre elas estão as esponjas de banho.

Celenterados

         Animais com a hidra, as águas-vivas e os corais pertencem ao filo celenterata. São animais de estrutura bastante simples. Sua organização é de nível tecidual, ou seja, suas células agrupam-se em tecidos especializados para realizar as diferentes funções, sem, contudo, haverem órgão complexos.
            Apesar de sua simplicidade, os celenterados são um grupo bem-sucedido. Existe em grande número em ambientes marinhos, preferencialmente em águas tropicais de pouca profundidade. Poucas espécies são de águas doces e não há entre os celenterados representante terrestre.
            Os celenterados são animais diploblasticos. A parede de seu corpo é formada por duas camadas celulares: a epiderme, externa, e a gastroderme, interna. Entre as duas camadas celulare, há uma massa gelatinosa denominada mesogléia.
            Os celenterados possuem simetria: as partes do corpo distribuiem-se em rados ao redor de um eixo simples.
            Algumas formas de celenterados vivem livremente, enquanto outras formam colônias. É comum entre esses animais o poliformismo, ou seja, a presença de duas ou mais formas diferentes na mesma espécie. O poliformismo pode ser evidênciado em colônias onde coexistem diferentes formas de uma mesma espécie ou, em indivíduos que durante o seu ciclo de vida passam por uma sucessão de formas corporais diferentes.
            Basicamente, distinguem-se duas formas corpóreas entre s celenterados: o pólipo ou hidrante e a medusa.
            Os pólipos têm o aspecto de um cilindro de base fechada, por onde se fixam a um substrato. Na parte superior, localiza-se a boca, que é ladeada por tentáculos.
            As medusas têm o aspecto de um guarda-chuva aberto, onde  a boca se representa voltada para baixo e também rodeada por tentáculos. Seu corpo é gelatinoso e nadam livremente.
            A hidra é um pequeno pólipo encontrado em águas doces de lagos e rios, onde se fixam na superfície de rochas ou de vegetais aquáticos.
            A parede do corpo de uma hidra, obedecendo a características presentes em todos os celenterados, apresenta-se constituída por duas camadas celulares. A camada externa é a epiderme e a interna é a gastroderme, sendo que entre ambas há uma mesogleia delgada.
            Em águas pouco profundas, logo abaixo do nível das marés, encontram-se animais com aparência de musgos, pertencentes ao gênero obelia.
            A obelia é uma colônia de pólipos, ou seja, um conjunto de indivíduos agrupados com prepartição de trabalho. Além disso, possuem uma fase intermediária de vida na forma de medusa.
            Há três classes de celenterados: hidrozoários, cifozoários e antozoários.
·        Hidrozoários: são pólipos bem desenvolvidos com fase de medusa pequena ou ausente. Em algumas espécies há reprodução por metag^nesse. A esta classe pertencem a hidra, a obelia e a physadia.
·        Cifozoários: predominam as grandes medusas, chamadas cifomedusas. Os pólipos, chamados cifístomas, são de pequeno tamanho e de vida curta. Os cifozoários são  exclusivamente marinhos. Como representante desta classe, temos a Aurelia SP ou água-viva.
·        Antozoários: São exclusivamnete pólipos e não fazem metagênese. São todos marinhos, como os corais e anêmonas-do-mar ou actínias.

PLATELMINTOS

            Animais como as planárias, esquistossomos e os solitários pertecem ao filo platylminthes ou platelmintos. Possuem o corpo achatado dorsoventralmente, daí serem conhecidos como vermes achatados.
            Sob a designação vermes incluem-se, além dos platerlmintos, dois outros filos de animais que não possuem esqueleto: asquelmintos e anelídeos. Os asquelmintos (lombriga) são os vermes cilíndricos. Os anelídeos (minhoca) têm o corpo constituido por anéis, daí serem conhecidos como vermes segmentares.
            Os vermes apresentam considerável progresso em relação aos políferos e celenterados. Podemos constatar isso caracterizando os platelmintos  : trata-se de animais de simetria bilateral, triblásticos, acelomados, com sistema nervoso centralizado, sistema digestivo incompleto e dispondo de sistema excretor e gônadas permanentes .
            A planária é um verme de vida livre encontrado nas águas doces de rios, lagos e fontes. Nesses locais vive junto a parte inferior de plantas, troncos submersos e rochas.
            O corpo é revestido pela epiderme. Esta é constituída por uma camada única de células cúbicas que repousam sobre uma menbrana basal. As células epidermicas são ciliadas, absorvendo-se maior desenvolvimento da célula na parte ventral do corpo.
            Sob a menbrana basal, há 3 camadas de fibras musculosas. A mais externa e circular, a mediana diagonal, e a interna longitudinal. Há também fibras musculares dorsoventrais.
            A planária possue sistema digestivo incompleto. É constituida por boca, faringe e intestino com 3 ramos. Não há ânus. É um animal carnívoro que se alimenta de pequenos animais vivos ou mortos. Sobrepõe-se ao alimento por sucção.
            O alimento fundamental do sistema excretar é a célula flama ou solenócio. Trata-se de uma célula com a forma de um tubo, em cujo interior há uma cavidade. No interior da cavidade há um grupo de flagelos, cujo o movimento lembra a chama de uma vela (daí o nome célula-flama).
            A planária possui sistema nervoso do tipo centralizado. Na região cefálica existem dois gânglios celibróides    interligados, dos quais partem dois cardões  nervosos longitudinais. Estes possuem conexão transversais e ramos periféricos.
            Não existe sistema respiratório e circulatório. O oxigênio e o gas carbônico atravessam a parte do corpo por simples difusão.
            A planária apresenta ao mesmo tempo genitais masculinos e femininos, sendo, portanto, monóica ou hermafrodita. As estruturas reprodutivas são as mais complexas encontradas em seu organismo ventral do corpo, há um átrio genital masculino e feminino. O átrio comunica-se com o meio externo através de poucos genitais. O genital feminino é constituido por dois ovários.
            O filo platelminto é dividido em três classes: tuberlários, trematóides e astóides.
·        Turbelários : são todos vermes de vida livre, como representantes temos a planária, cujas as caracteristicas já foram estudadas.
·        Trematódeos: seu corpo é revestido por uma cutícula, estando ausentes a epiderme e cílios. A boca é anterior e o intestino bifurca-se em dois ramos.
·        Astóides: são vermes parasitas que vivem principalmente no intestino de vertebrados. O corpo é revestido por uma cutícula grossa e dividido em segmentos denominados proglotes. Não possuem boca nem aparelho digestivo.
            A esquistossomose ou barriga-d’àgua é a doença causada pelo verme shistesoma manioni. Trata-se de um verme se sexo separado, cujos machos medem cerca de 12mm de comprimento por 0,44 mm de largura. No meio do corpo ele possui um canal denominado ginecóforo, onde se aloja a fêmea no momento da reprodução. A fêmea é pouco mais comprida que o macho, mas tem o corpo mais fino.
            Para compreender como os esqustossomose é adquirida fa-se necessário o estudo de ciclo vital do esquistossomose. Tudo começa quando as larvas do verme, as cercárias, penetram no organismo humano através da pele. Essas larvas são encontradas principalmente em águas paradas,  de modo que o principal meio de contaminação são as banhas em lagoas infestadas.
            Os sinais e sintomas da esquistossomose têm relação com a locomoção dos vermes no organismo humano.
            A profilacia da doença se faz pelo combate ao caramujo, que é o hospedeiro intermediários. São também medidas impotentes às relativas à educação sanitária, desinsentivando o uso de águas paradas como lugar para banho.
            Há dois tipos de solitária, teônia solium e a teônia saginata, ambas são parasitas entestinais e causam a doença denominada teniose.
            A toenia  solium é um verme hermafrodita com 3 a 9 m de comprimento em sua fase adulta. Seu corpo tem 3 partes: cabeça ou escálex, colo ou pescoço e estrábilo ou corpo propriamente dito.
                                               ASQUELMINTOS

Os asquelmintos são vermes de corpo cilíndrico, trata-se de animais triblásticos, protostânios, de simetria bilateral, pseudocelomados e não segmentados. Tem o corpo revestido por uma culícula espessa e contínua e apresentam sistema digestivo  completo; sua digestão é exclusivamente extracelular .
A existência de uma cavidade do corpo, o pseudoceloma, representa uma vantagem das asquelmintos em relação aos platelmintos. Essa cavidade aumenta o espaço interno, permitindo que os órgãos se enrolem.
Os animais pseudocelomados são classificados em 3 filos diferentes o primeiro filo é o entoprocta, formado  por pequenas espécies aguáticas, em sua  maioria marinhos. O segundo, denominado aconthocephala, compõem-se de vermes dotados de uma tromba cefálica retrátil, provida de espinhos. O terceiro e último é o filo Aschelminthes. Neste, é de particular interesse o estudo de uma classe, a Nematada.
            Apesar de grande diversidade de espécies, pode-se dizer que todos são estruturadamebte semelhantes. Por isso, as características observadas no estudo do Ascaris lumbricoides darão uma boa idéia de todo o grupo.
            O Ascaris lumbricoides, popularmente conhecido como lombriga, é um verme parasita. Habita o intestino de porcos e homens, onde se nutre de alimentos já digeridos.
            Dá-se o nome de ascaridíase a doença causada pela Ascaris lumbricoides.
            As fêmeas da Ascaris eliminam grande quantidade de ovos, que chegam ao meio exterior com as fezes do hospedeiro, contaminando a água e os alimentos. A ascaridiáse é adquirida pela ingestão desses ovos. Esses ovos chegam até os pulmões, as larvas rompem os aovéolos, sobem pela árvore respiratória e chegam à faringe, onde são deglutidas. Ao chegar ao intestino delgado, transforma-se em vermes adultos.
            Raramente as larvas migratórias causam problemas no fígado e nos pulmões. No intestino delgado, os vermes adultos expoliam o organismo, nutrindo-se de alimentos já digeridos. O doente apresenta sintomas variados, como fome, dores vagas no abdômen, digestão difícil, diarréia ou prisão de ventre, náuseas e, as vezes, vômitos. Um número excessivo de vermes apresenta o perigo de abustrução intestinal. Além de lombrigas, existem outros nematódios causadores de doenças, como o Necator americanus (amarelão), a Wucheria bamcrofti (filariose), etc.

Anelídeos

         Animais como a minhoca e a senguessuga pertencem ao filo anelida ou anelídeos. São vermes anelados, animais cujo corpo se divide em anéis ou segmentos.
            Os anelídeos são animais triblásticos, celomados e de simetria bilateral. O celoma não é aqui uma cavidade única, mas se apresenta dividido em partes por septos de origem mesodérmica.
            Os anelídeos são classificados segundo o número de cerdos que possuem. De acordo com esse critério, distinguem-se três classes pertencentes ao filo Annelida:
· Oligoquetos: classe oligachoeta: anelídeos com formas certas. Exemplo: minhocas.
· Poliquetos: classe polychoeta: São anelídeos que possuem muitas cerdas. Exemplo: Wereis
· Miruolíneos: classe Mirudínea: quase todas as espécies sem cerdas. Exemplo: sanguessuga.
 O principal exemplo de anelídeos é a minhoca, normalmente por seu papel como agente espontânea e voluntária do beneficiamento do solo, em diversos países do mundo.
O corpo é revestido por uma cutícula fina e transparente. Abaixo dela, situa-se um epitélio simples, constituído por células cilíndricas. Nele encontram-se células glandulares secretoras de muco, fotorreceptoras e sensoriais.
O sistema digestivo é completo. Trata-se de um tubo retilíneo, localizado na parte cntral do corpo sustentado por pregas de mosoderme.
          O sistema circulatório é fechado, ou seja, o sangue só circula no interior de vasos sanguíneos. Na região dorsal do corpo, pode ser visto externamente, por transparência, um vaso longitudinal dorsal, localizado sobre o intestino.
As minhocas não possuem sistema respiratório. A respiração é cutânea, e a troca de gases dá-se pela pela superfície do corpo, para isso é importante que a célula esteja umedecida, o que facilita a difusão de gases. O sangue, que chega à  parede do corpo pelas capilares, libera o gás carbônico e se oxigena.
O sistema nervoso é centralizado. Na extremidade anterior do corpo, há dois gânglios celebrais ou sufra-esofágicos que, por meio de um anel periofágico, se comunicam com dois gânglios subesofágicos.
 A reprodução ocorre por fecundação cruzada entre dois indivíduos que se unem pela região de clitelo. Nessa ocasião, uma minhoca deposita espermatozoides no receptáculo seminal da outra. Após a troca de espermatozóides, os animais se separam e forma-se um casulo na região do clitelo.
Existem cerca de 5.300 espécies de poliquetos, a maioria vivente no mar. Os poliquetos diferem dos oligoquetos em vários aspectos. Em primeiro lugar, possuem uma cabeça diferenciada na qual existem apêndices sensitivos. Possuem, ainda, em cada anel do corpo, numerosas cerdas concentradas em expansões laterais, que funcionam como rudimentos, de patas, servindo à locomoção. São os parapódios.
Os hirudíneos, são vermes aquáticos e terrestres que não possuem cerdasd e cuja segmentação externa não corresponde à interna: há cerca de três aneis eneis externos para cada metámetro interno. As sanguessugas possuem nas extremidades do corpo que usam para locomoção e fixação.

                                            MOLUSCOS

Os moluscos são animais predominantemente marinhos, embora existam espécies de água doce e terrestre. A maioria é de vida livre podendo viver fixos, enterrados, ou ainda nadando e andando. Há representantes de grande importância econômica, como as ostras, que produzem pérolas, e os mariscos comestíveis.
Embora possuam grande diversidade de espécies e não exista um tipo específico de molusco, todos eles presentam um mesmo plano estrutural e funcional.
Os moluscos são animais de simetria bilateral, triblásticos e não segmentados. O corpo é revestido por um epitélio simples, ciliado e com glândulas mucosas. O sistema digestivo é completo.
O sistema circulatório é lacunar ou aberto, havendo um coração dorsal. A respiração pode ser cutânea, branquial ou pulmonar. A excreção se faz por rins. O sistema nervoso é muito centralizado e do tipo ganglionar. Há estruturas sensoriais, tácteis, visuais, quimiorreceptoras e de equilíbrio.
A reprodução é exclusivamente sexuada. Na maioria, os sexos são separados, embora existam espécies hermafroditas. A fecundação pode ser interna ou externa. O desenvolvimento pode ser direto ou indireto.
O filo dos moluscos possui seis classes, entre as quais se destacam a classe dos gastrópodes, a dos pelecípodes e os cefalópodes.
São conhecidas cerca de 25 mil espécies de moluscos da classe dos gastropódes, vivendo em águas salgadas e doces, e outras em ambiente terrestre. A maioria é herbívora. Essa classe possui, entre outros, o caracol, a lesma e o caramujo.
Constituem-se de boca, faringe, esôfago, estômago, intestino e ânus. Apresenta glândulas anexas salivares e um fígado lobulado que desemboca no estômago. O caracol possui uma rádula situada na faringe, com função de raspar o alimento.
São constituídos por um único rim, que retira os catabólitos da cavidade pericérdica. Estes são levados por um conduto excretor que se abre junto ao ânus.
O caracol de jardim é hermafrodita. Possui um sistema reprodutor bastante complicado. Há uma glândula hermafrodita denominada ovotestis que produz óvulos e espermatozoides em épocas diferentes.
Os moluscos pelecípodes apresentam corpo mole, localizado dentro de uma concha rígida que possui duas partes ou valvas. São, por isso, conhecidos como moluscos bivalvos.
Os moluscos cefalópodes caracterizam-se por terem poderosos tentáculos, diretamente ligado à cabeça. São os moluscos mais desenvolvidos. Exclusivamente marinhos, em geral são bons nadadores e perseguem suas vítimas (peixes, crustáceos e outros moluscos) agarrando-os com poderosas ventosas existentes nos tentáculos. 

ARTRÓPODES

Dentro do estudo dos invertebrados, o filo artrópodes merece atenção especial. Ele agrupa mais de 800 mil espécies, quantia que supera todos os demais filos reunidos. Além disso, merecem citação a grande diversidade dessas espécies; Sua boa adaptação a diferentes ambientes; as vantagens em copetição com outras espécies; a excepcional capacidade reprodutória; a eficiência na execução de suas funções; a resistência a substâncias tóxicas e a sua perfeita reorganização social, caso das abelhas, formigas e cupins.
Os artrópodes são invertebrados que possuem patas articuladas, nome formado de Athros, que significa articulações, o podes, que significa pés patas. Os artrópodes tem uma carapaça protetora externa, que é o seu esqueleto, formada por uma substância resitente e impermeável, chamada quitina, endurecida por conter muito carbonato de cálcio.
Ao crescer, o artrópode abandonam o esqueleto velho, pequeno, e fabrica outro, maior. Esse fenômeno é chamado muda. Ela ocorre várias vezes para que o animal possa atingir o tamanho adulto.
Os artrópodes, no entanto, não possuem apenas patas articuladas, mas sim todas as suas e extremidades, como as antenas e as peças bucais. Os seus membros inferiores são formados por partes que se articulam, ou seja, que se movimentam umas em relação às outras: os seus pés se articulam com suas pernas, que se articulam também comm suas coxas, que também se articulam com os ossos do quadril.
CLASSIFICAÇÃO DOS ARTRÓPODES:
Os artrópodes podem ser classificados em cinco classes principais, usando como critério o número de patas.
No  de patas
Classe
Exemplos
6
Insetos
Barata, mosquito
8
Aracnídeos
Aranha, escorpião
10
Crustáceos
Camarão, siri
1 par por segmento
Quilópodes
Lacraia
2 par por segmento
Diplópodes
Piolho de cobra
INSETOS
 São artrópodes com seis patas distribuída em três partes. Os insetos apresenta o corpo subdividido cabeça, tórax e abdome. Possuem um par de antenas e três pares de patas no tórax. Nas maioria das espécies, há dois pares de asas, mas há espécies com apenas um par e outros sem asas.
 O corpo dos insetos e formado por três regiões: cabeça, tórax e abdome. Na cabeça das insetos, podemos notar antenas, olhos e peças bucais.
As antenas são utilizadas para a orientação. Todos insetos tem um par de antenas. Os olhos os insetos possuem dois tipos de olhos:
- 2 olhos compostos, isto é, formados por várias unidades, que permite enxergar em várias direções ao mesmo tempo;
- 3 olhos simples, também conhecidos por ocelos.
Esse conjunto de olhos proporciona aos insetos uma excelente visão. Eles podem enxergar coisas que não são visíveis ao homem.
As peças bucais, todas dotadas de articulação, estão diretamente relacionadas com a alimentação. Assim, as peças bucais podem ser de vários tipos, conforme os hábitos alimentares dos insetos.
O tórax dos insetos é dividido em três partes; em cada uma delas prende-se um par de patas. É ainda no tórax que se prendem as asas, existentes na maioria dos insetos. Quando ao número de asas , existem 3 tipos de insetos: sem asas, com um par de asas e com dois pares de asas.
A Respiração dos insetos se dá através de traquéias, pequenos canais que ligam as células do interior do corpo com o meio ambiente. Ao longo de todo o corpo de um inseto podem ser ver os estimas , pequenas manhas onde se abrem as traquéias.
Os insetos são animais de sexos separados e ovíparos. Depois que os ovos são botados pelas fêmeas, eles se desenvolvem e forma um novo inseto. Alguns insetos tem desenvolvimento direto: do ovo nasce uma forma jovem, que já tem o aspecto do adulto, embora menor. É, por exemplo, o caso da traça. O desenvolvimento da mosca é indireto: ela nasce diferente do adulto, e passa por mudanças na forma do corpo, enquanto se transforma de recém- nascida em adulta. Dizemos que a mosca sofre metamorfose. Todas as formas que tem aspecto diferente do adulto chama-se larvas. Nem todos os insetos apresentam metamorfose, mas ela ocorre na maioria deles. Você já deve ter visto as lagartas das borboletas: elas são larvas que se transformarão em borboletas adultas.
A borboleta bota o ovo em uma folha, e desse ovo nasce uma lagarta, que é a primeira forma de larva desses insetos. Em seguida, a lagarta se transforma, passando por outras formas de larva, até originar a borboleta adulta.
Existem aproximadamente 800 mil espécies de insetos, distribuídas por mais de 30 ordens. Um dos critérios usados para a classificação dos insetos é o número e a forma das asas.
Ordem
Características
Exemplos
Himenópteros
asas parecidas com membranas- aqui se incluem insetos sem asas
Formiga e Abelha
Dípteros
duas asas
Mosca e Mosquito
Coleópteros
asas formando estojo
Besouro
Ortópteros
asas retas, formando angulo reto com o corpo
Barata e Gafanhoto
Lepidópteros
asas com escamas
Borboleta e Mariposa




O equilíbrio ecológico, em todo ecossistema, é mantido graças a uma série de relações, algumas positivas e outras negativas. Uma relação altamente positiva é a que ocorre entre os insetos voadores e as flores. Para que as plantas se reproduzam há necessidade de que o grão de pólen de uma flor seja transportada até outra flor. Esse transporte chama-se polinização, e é realizado pelos insetos voadores e por vários outros agentes. O transporte do pólen, é realizado em grande parte pelos insetos, é de extrema importância na preservação de matas, florestas, jardins, pomares. É, enfim, essencial à preservação de numerosos ecossistemas. Um exemplo de relação negativa é o que ocorre entre o gafanhoto e as plantações. O gafanhoto é um predador voraz e vive em enormes bandos, capazes de destruir rapidamente plantações inteiras. Um outro inseto menos voraz é o bicho-da-seda, uma mariposa cujas larvas alimentam-se de folhas, principalmente de amoreiras.
Embora alimentam-se dessas folhas, as larvas do bicho-da-seda são muito úteis, pois produzem a seda, tão importante na industrialização de tecidos.
Os insetos trazem poucos benefícios diretos à saúde humana. A abelha, no entanto, é um exemplo de benefício direto, pois produz o mel, que usamos como alimento e possui ótimo valor nutritivo. A maior parte das relações diretas entre os insetos e o homem é nociva. Assim, por exemplo, muitas abelhas, que são tão úteis, são também venenosas, e seus venenos podem provocar forte dor e grande reação local. As picadas de abelha, no entanto, geralmente não causão grandes males.
O maior mal que os insetos causam a saúde humana é a transmissão de outros seres vivos, que causam doenças. É o caso, por exemplo, da mosca- doméstica, que pousa no lixo e em outros lugares contaminados e depois pousa nos nossos alimentos, trazendo sujeira e micróbios. Assim, ela pode causar diversas doenças, como a disenteria.
Outros exemplos de doenças transmitidas por insetos são a elefantíase, a malária, a febre amarela, a doença de chagas e o dengue.
ARACNÍDEOS
 Os aracnídeos são representados pelas aranhas, pelos escorpiões e pelos carrapatos. Todos eles possuem um par de quelíceras e quatro pares de patas locomotoras.
As quelíceras são apêndices em forma de pinças, situados na parte anterior da cabeça. É um exemplo uma aranha jovem e uma adulta. Seus corpos têm a mesma forma.Todos os aracnídeos não sofrem metamorfose.
Outra característica importante dos aracnídeos é que eles têm a cabeça e o tórax numa peça só, chamada cefalotórax.
É fácil distinguir um aracnídeo de um inseto, pelo exame externo do corpo.
Os Aracnídeos podem ser distribuídas por 3 ordens, com base no aspecto externo do corpo:
Ordem
Corpo
Exemplos

Araneídeos
cefalotórax e abdômen
aranhas

Escorpinídeos
cefalotórax, abdome e pós-abdômen
escorpiões

Acarinos
cefalotórax fundido com abdômen
carrapato





*Araneídeos englobam todas as espécies de aranhas, venenosas ou não.
*Escorpionideos, que reúne os escorpiões. O escorpião é um aracnídeo que provoca um certo receio nas pessoas, pelo seu aspecto e comportamento agressivo.
*Ácaros, que são os carrapatos e alguns parasitas micróbicos.
Crustáceos
Crustáceos são os artrópodes que possuem uma crosta protegendo o corpo. Os principais representantes dessa classe são os camarões, as lagostas, os caranguejos e os siris, todos com 5 pares de patas. São, portanto, decápodes( deca= dez; podes= patas, pés).
Na maioria dos decápodes, as 2 patas dianteiras são modificadas e bem desenvolvidas como adaptação à preenção de alimentos.
O número de patas é um bom critério, que permite dividir a classe dos crustáceos em duas ordens: Decápodes e Isópodes. Os decápodes você já conhece: São crustáceos de dez patas.
Os isópodes são crustáceos que possuem numerosas patas, todas semelhantes. O exemplo mais conhecido é um isópodes encontrado em toda a costa litorânia do Brasil, conhecido por tatuí, tatuíra ou tatuzinho de praia.
O esqueleto é um sistema encarregado da sustentação do corpo, tanto em vertebrados como em invertebrados; nos vertebrados, o esqueleto fica dentro do corpo, e nos invertebrados fica fora, revestindo o corpo. Dizemos, então, que os vertebrados tem endoesqueleto (esqueleto interno) e que os invertebrados tem exoesqueleto (esqueleto externo).
Dentre os artrópodes, os crustáceos são os que possuem exoesqueleto mais volumoso e mais desenvolvido; Ele forma a crosta, que deu nome aos crustáceos, e que reveste e protege o corpo desses animais. Essa crosta é constituída por quitina e carbonato de cálcio.
Externamente, podemos reconhecer duas partes no corpo dos crustáceos: o cefalotórax e abdomen.
No cefalotórax localizam-se dois pares de antenas e um par de olhos compostos, que geralmente situan-se na extremidade de dois pedúnculos; são por isso, chamados olhos pedunculados. Esses olhos são movimentados pelos pedúnculos, permitindo assim, uma ampla exploração do ambiente.
Os crustáceos são, na sua maioria animais aquáticos, e de respiração branquial.
Caranguejo ou siri?
Muita gente confunde caranguejo com siri. Eles podem, no entanto, ser diferenciado facilmente por várias características. Duas delas muito evidentes:
- O corpo do siri é mais achatado do que o corpo do caranguejo, que é mais "arredondado"'.
-As patas traseiras do siri são largas, como remos, ao passo que as patas do caranguejo são pontudas.
Essas duas características devem-se ao fato de que os siris estaõ mais bem adaptados ao nado, do que os caranguejos.
Os crustáceos são inofensivos ao homem. Além disso, são largamente utilizados na alimentação humana. Na verdade, praticamente todos os artrópodes utilizados como alimento são crustáceos: camarão, lagosta, siri, caranguejo, tatuíra etc...
Quilópodes e Diplópodes
Tem como principal característica a divisão de corpo em vários segmentos, onde se prendem as patas.
Os quilópodes e os diplópodes possuem um par de antenas e olhos simples, não possuindo olhos compostos.
·        Quilópodes: Principal exemplo: centopéia (lacraia, escolopendra).
Principais características:
- 1 par de patas em cada segmento
- corpo dividido em 2 regiões, cabeça e tronco.
·        Diplópodes: Principal exemplo: piolho-de-cobra (embuá).
Principais características:
- 2 pares de patas em cada segmento;
- corpo dividido em três regiões: cabeça, tórax e abdômen.
Os Quilópodes e os Diplópodes não têm interesse especial para saúde humana. A única agressão ao homem é praticada pelas centopéias, que possuem um par de pinças de veneno na cabeça, que podem provocar picadas dolorosas.

                                               EQUINODERMOS

São animais exclusivamente  marinhos, como a estrela-do-mar, o ouriço-do-mar e o pepino-do-mar. São cerca de 5500 espécies, de tamanhos médios, nunca sendo muito grandes ou pequenos.
São características exclusivas dos equinodermos:
·        Sistema hidrovascular, constituído por vasos em cujo interior, circula água;
·        Formações existentes na superfície do corpo dotadas de mandíbulas e acionados por músculos;
·        Endoesqueleto calcário: o esqueleto interno, recoberto pela epiderme de origem mesodérmica e constituído por placas calcárias que, em algumas espécies, emitem espinhos;
Resumindo as características do grupo, podemos dizer que os equinodermos são animais triblásticos, celomados, deuterostômios e de simetria radial de base pentarradiada quando adustos. As larvas apresentam simetria bilateral.
O corpo da estrela-do-mar apresenta-se formado por um disco central do qual partem, radialmente, cinco braços triangulares. Em algumas estrelas, o número de braços pode chegar a vinte ou mais.
Os secos são separados. Em cada braço há um par de gônados. Cada uma destas possui um pequeno canal que se abre num poro situado na parte superior do disco central. A estrela-do-mar possui um grande poder de regeneração.
O ouriço-do-mar, chamado de pindá pelos indígenas, vive em buracos de rochas onde chega a água domar. Seu corpo tem a forma de um globo achatado e é coberto por espinhos e, entre eles, pedicelárias.
Os pepinos-do-mar são animais de corpo alongado e mole. Suas placas calcárias são pequenas e não se soldam como ocorre no ouriço-do-mar. 
Os equinodermos ofiuróides assemelham-se às estrelas-do-mar, mas seus braços são muito finos. Esses braços são articulados e capazes de movimentar água.
O lírio-do-mar possui um pedúnculo pelo qual se fixa ao solo marinho ou a recifes de corais. Na extremidade do pedúnculo existe um disco em forma de cálice do qual partem cinco braços ramificados. Alguns desses braços são capazes de se soltar e flutuar.




Bibliografia:
Marcondes, Ayrton César; Biologia-Ciência da vida, Seres vivos.      
               São Paulo, Editora Atual, 1994









 


Biologia - Projeto Genoma Humano


Projeto Genoma Humano




 

As primeiras discussões sobre o Projeto Genoma Humano (PGH) remontam à década de 1980 quando o Departamento de Energia dos EUA promoveu um workshop para avaliar os métodos disponíveis para detecção de mutações durante o qual divulgou a idéia de mapear o genoma humano. Neste mesmo período foi criado na França o Centre d’Etude du Polymorsphisme Humaine (CEPH - Centro de Estudos do Polimorfismo Humano). Este centro coleta amostras de sangue e tecidos de famílias extensas e tornou-se o principal fornecedor de material para a elaboração dos mapas de ligação realizados pelo Généthon.
A idéia de mapear o genoma levantou desde o princípio uma série de controvérsias. Para muitos pesquisadores tratava-se na época de um projeto irrealizável. Para outros não havia sentido em mapear o genoma pois as infomações obtidas seriam desencontradas e não valeriam o esforço. Por outro lado, alguns pesquisadores viram naquela oportunidade a chance de transformar a biologia (e mais especificamente a genética) em big science, com direito a financiamentos gigantescos e divulgação ampla. O projeto foi lançado nos EUA quatro anos depois, patrocinado pelo NIH (National Institutue of Health) e pelo DOE (Department of Energy). A proposta era mapear todo o patrimônio genético do homem. Em seguida laboratórios da Europa, do Japão e da Austrália uniram-se ao projeto. Surgiu então um organismo de coordenação internacional chamado HUGO (Human Genome Organization), para sintonizar o trabalho e organizar o conhecimento adquirido em um banco de dados centralizado, o Genome Database. Seu presidente do HUGO, H. Van Ommen, afirmou em 1998 que a missão do HUGO era facilitar e coordenar a iniciativa global de mapear, sequenciar e analisar funcionalmente o genoma humano e promover a aplicação destes conhecimentos ao melhoramento da saúde humana. Na fase final de sua primeira missão o HUGO assume seu próximo papel para a disseminação das análises funcionais do genoma e o fornecimento de diretrizes responsáveis para as aplicações e implicações do genoma.
Desde os seus primeiros anos o projeto se caracterizou por um misto de otimismo exagerado, brigas entre os diferentes grupos participantes e notáveis avanços técnicos e científicos. Segundo Jordan (1993) o verdadeiro objetivo inicial do PGH não era o seqüenciamento, muito complexo, caro e trabalhoso, mas um mapeamento detalhado do genoma humano. No decorrer do processo os progressos tecnológicos foram tão grandes que propiciaram o seqüenciamento mesmo antes do prazo previsto. De qualquer forma mapeamento e não seqüenciamento foi a estratégia francesa. Os alemães foram sempre os mais reticentes quanto ao projeto. A verba destinada ao projeto foi de US$ 53 bilhões e o objetivo era mapear todos os genes e 3,6x109 pares de bases do genoma humano até 2005. Um percentual de 5% da verba foi destinado às questões éticas, sociais e legais, abordadas através do programa ELSI (aspectos éticos, legais e sociais). Atualmente o projeto ocorre em escala mundial, inclusive com participação brasileira, envolvendo mais de 5000 cientistas em 250 laboratórios. Talvez a maior evidência da cooperação internacional seja o mapa de ligação elaborado pelo Généthon, laboratório francês mantido em parte por familiares de pacientes com miopatias.
Nem sempre esta cooperação é fácil. Problemas de financiamento do projeto e outras discussões como conflito de interesse entre os pesquisadores ameaçam constantemente a integração e levantam sempre a possibilidade de centralização da pesquisa. Para Shattuck (1998) uma análise isenta recomendaria revisões de procedimento, prioridades, financiamento e supervisão. Como um exemplo do que ocorre, pode-se citar a competição entre mais de 30 laboratórios durante a descoberta do X-Frágil em 1991. Finalmente, o artigo francês enviado a Science em 25/10/90 foi publicado em 15/02/91 e o artigo inglês enviado a Cell em 15/01/91 foi publicado em 22/02/91. Para Jordan (1995) o projeto devem evitar esse tipo de desperdício que resulta de um distanciamento excessivo dos pesquisadores em relação às conseqüências de seus trabalhos. Nesse sentido as associações de pacientes desempenham um papel essencial, confrontando os cientistas com a realidade quotidiana da doença bem como com as necessidades do doente e de sua família. É preciso compreender que o desenvolvimento científico também vive de dubiedades, mas como diz Garcia (1994) devemos lutar por meios que impeçam a má utilização do conhecimento e que diminuam a distância entre a bioética e o progresso científico.

Anexados ao PGH existem vários outros projetos genomas de organismos experimentais, como da mosca das frutas (Drosophila melanogaster) - já terminado, do camundongo (Mus musculus) e de um nematóide de vida livre (Caenorhabditis elegans), entre vários outros. Estes projetos servem de auxílio para o mapeamento de genes humanos. Além disso uma série de instrumentos e técnicas, como PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), YAC (Cromossomos Artificiais de Levedura), ABI (Seqüenciadores automáticos) CA repeats (repetições de dinucleotídeos utilizadas como marcadores de localização gênica), etc foram desenvolvidos a partir de necessidades do PGH e hoje são disponíveis para laboratórios de pesquisa e diagnóstico não envolvidos diretamente no mapeamento de genes.
O Brasil também tem dado sua cota de contribuição ao projeto. Além de iniciativas isoladas, como os diferentes genes clonados pelo laboratório da pesquisadora Mayana Zatz na USP, uma iniciativa conjunta da FAPESP, Instituto Ludwig, UNICAMP, EPM e Faculdade de Medicina da USP criou o Projeto Genoma Humano do Câncer. Este projeto utiliza o mesmo método de seqüenciamento (ORESTES) desenvolvido em São Paulo para o seqüenciamento de uma praga de lavouras, Xillela fastidiosa. Esta iniciativa demonstra a importância do projeto, capaz de congregar diferentes instituições, a necessidade de financiamento pesado e a possibilidade de utilização de metodologias desenvolvidas e testadas em organimos menores. Em março de 2000, o Instituto Ludwig solicitou o patenteamento de um oncogene.
Liderados por Luca Cavalli-Sforza um grupo de geneticistas lançou um projeto paralelo ao PGH, o Projeto da Diversidade do Genoma Humano, que pretende estudar e preservar a herança genética de populações humanas. Seus objetivos relacionam-se a estudos sobre as origens humanas e movimento de populações pré-históricas, adaptação a doenças e antropologia forense. Esses geneticistas preocupam-se que o “Genoma Humano” que está sendo decifrado pelo PGH não corresponde ao genoma humano de todos os indivíduos mas de uma parcela que está representada nas amostras. De fato, esse “Genoma Humano” não pertence a uma pessoa identificável mas é proveniente de várias amostras utilizadas principalmente em laboratórios ocidentais. Os defensores do PDGH advogam a favor das diferenças entre grupos humanos e contra o reducionismo do genoma a um tipo único. A importância de estudar grupos humanos específicos é reconhecida também por empresas de biotecnologia como a americana Coriell Cell que em 1996 anunciou na Internet amostras de DNA de índios brasileiros a venda. O fato gerou um debate entre cientistas brasileiros acerca do armazenamento de DNA dos indígenas e suas possíveis repercussões comerciais.
Os objetivos do PGH em saúde envolvem a melhoria e simplificação dos métodos de diagnóstico de doenças genéticas, otimização das terapêuticas para essas doenças e prevenção de doenças multifatoriais. Para Pena (1992) a problemática ELSI vai convergir na interação de três elementos: os pesquisadores que geram o novo conhecimento, a comunidade empresarial que transforma este conhecimento em produtos e a população que vai absorver e incorporar os novos conhecimentos em sua visão de mundo e suas práticas sociais, além de consumir os novos produtos. Nesse sentido Clotet (1995) alerta para a responsabilidade científica, uma vez que os: cientistas devem imaginar as conseqüências morais da aplicação comercial de testes genéticos.
Os críticos do PGH argumentam que seus objetivos eram tratar, curar ou prevenir doenças. Para eles este é um longo caminho e por enquanto seu principal resultado são as companhias de biotecnologia comercializando kits diagnósticos. Para Zancan (1994) o mapeamento genético para detecção de doenças levanta ainda dúvidas sobre as suas conseqüências sociais, dada a distância que separa o diagnóstico das técnicas terapêuticas. Para ela é hora da comunidade acadêmica sair da discussão intra-muros e levar à sociedade suas preocupações quanto ao controle social das novas tecnologias biológicas, independentemente das regulamentações. É preciso lembrar que a análise genética não é infalível e seus dados são com freqüência mal interpretados em virtude de uma tendência ideológica da qual os pesquisadores, participam mais ou menos inconscientemente: uma deriva que passa muito facilmente e depressa de uma observação centrada no estado de saúde atual de uma pessoa a um diagnóstico fundamentado exclusivamente na análise de seus genes (Jordan, 1995). Para Wilkie (1994) tamanha ênfase na constituição genética da humanidade pode nos levar a esquecer que a vida humana é mais do que a mera expressão de um programa genético escrito na química do DNA.
Todo ser humano tem uma identidade genética própria e, segundo a Declaração da Unesco, o genoma humano é propriedade inalienável de toda a pessoa e por sua vez um componente fundamental de toda a humanidade. Dessa maneira ele deve ser respeitado e protegido como característica individual e específica pois todas as pessoas são iguais no que se refere a seus genes, afinal unicidade e diversidade são propriedades de grande valor da natureza humana (Clotet, 1995). As informações advindas do projeto devem servir para proteger a vida e melhorar a saúde. Isto pode ser verdadeiro nos casos em que há uma antecipação do processo terapêutico pela antecipação da doença, entretanto é preciso tomar cuidado quanto aos aspectos prejudiciais deste processo (Clotet, 1995). Para Annas (19??) desde que os testes sejam voluntários e os resultados divulgados apenas com autorização do indivíduo, os testes baseados no PGH apresentam uma alteração de grau, não de gênero. Isso não é verdadeiro se considerarmos os testes preditivos. Jordan (1995) acredita que "tomamos um caminho perigoso: ao invés de julgar um indivíduo pelo que ele é hoje, vamos indagar sobre seu status de doente em potencial (e quem não é?) para tratá-lo como deficiente antes do tempo e sem ter a certeza de que se tornará". Para ele isso significa definir a afecção pelo genótipo, pelo que está inscrito no DNA e não mais pelo fenótipo, pelo estado presente da pessoa.
Para Khoury (1999) uma rápida transição da descoberta do gene a integração na pratica clinica pode resultar no desenvolvimento e oferecimento prematuro de testes genéticos. Estudos epidemiológicos são necessários para validação de testes genéticos, monitorização de seu uso pela população e determinação da segurança e efetividade dos testes em diferentes populações. Ele propõe a criação de uma nova disciplina, a Epidemiologia do Genoma Humano (HuGE), combinando dados de epidemiologia genética e epidemiologia molecular. De maneira semelhante Pena (1994) sugere a substituição de um paradigma tipológico por um paradigma populacional. No primeiro existem os alelos normais, ideais, perfeitos e os que não o são. Já no segundo a variabilidade é composta por mutantes subótimos e lida com ambientes diversos. O fenótipo, portanto, é dinâmico e emerge da interação do genótipo como um todo (milhares de genes) com o infinitamente complexo ambiente. É a mudança do paradigma monogênico de determinismo genético (atraente e perigoso em sua simplicidade) pelo paradigma interativo epigenético não determinista.
Por outro lado os críticos argumentam que o PGH dissemina a idéia de panacéia com vocabulários expansivos, promessas e termos hiperbólicos, mesmo em documentos oficias - "o Graal da genética humana ...a resposta final do mandamento 'conhece-te a ti mesmo' " (W. Gilbert in Shattuck, 1998).
O PGH traz comparações com o Projeto Manhattan e o Projeto Appollo, e transformou a Biologia em big science, como a física, isto é, a noção de um conhecimento (ou ciência) imparável no sentido de controlar a natureza. A imprensa leiga aproveitou a idéia e diariamente veicula as promessas do projeto, como: "Pensávamos que nosso destino permanecia nos astros. Agora sabemos que, em larga medida, o nosso destino está nos genes." Vários autores alertam para o de uma eugenia mais sutil, promovida pelo PGH ao fornecer instrumentos para testes (Shattuck, 1998; Annas). Alguns participantes do projeto, como James Watson acreditam que há um "potencial extraordinário para o melhoramento humano". A questão do melhoramento e da eugenia refere-se basicamente ao quanto se confere à genética na responsabilidade por condições multifatoriais. Assim mistura-se a identificação e tratamento de doenças genéticas com as outras causas de doença (álcool, drogas, pobreza,...), considerando-as todas de origem genética e divulgando a esperança de que um dia encontremos uma "solução genética" para estas condições de saúde. Supondo que realmente existam genes da inteligência, genes responsáveis por comportamento anti-social, genes alcoólatras e drogados, genes neuróticos, genes de infidelidade. A questão é, como coloca Ztaz (1994), o que se pode fazer com esse conhecimento? Clotet (1995) alerta para o fato de que não se deve utilizar estratégias genéticas para solução de problemas sociais, reconhecendo um risco potencial para o surgimento de um movimento eugênico baseado no conhecimento do genoma.
Ao mesmo tempo não devemos atribuir ao PGH mais importância do que ele realmente pode ter. Tome-se por exemplo a anemia falciforme, uma das doenças genéticas mais se conhecidas e a primeira a ter seu gene identificado. Chama a atenção o atraso das pesquisas e a pouca participação da genética na melhoria da condição de saúde dos pacientes e o PGH não vai mudar essa situação a curto prazo pois o conhecimento de um gene não é uma garantia de avanço terapêutico. Da mesma forma, a discriminação de seus portadores e os abusos que se fizeram no teste desta doença não foram decorrentes dos avaços do PGH (Wilkie, 1994).
De qualquer forma as questões éticas envolvidas continuam sendo motivo de debate, tanto no que diz respeito às informações obtidas quanto ao patenteamento de genes. Em 1991 o Congresso americano iniciou o exame de um projeto de lei dedicado à preservação das informações concernentes ao genoma humano (Human Genome Privacy Act). No ano seguinte a 44ª Assembléia da Associação Médica Mundial reunida na Espanha lançou a Declaração de Marbella, em que se declarou contra o patenteamento do genoma humano, solicitando garantias contra discriminação e diretrizes básicas para prevenir a estigmatização de populações em risco para doenças genéticas. Neste mesmo ano, James Watson pediu demissão do seu cargo de diretor do PGH por ser contra o patenteamento de genes.
A questão do patenteamento só foi resolvida em 1995 quando o HUGO publicou uma declaração condenando o patenteamento de seqüências sem função conhecida mas favorável ao patenteamento da descoberta das funções biológicas de novos genes ou suas aplicações. O argumento utilizado foi de que o custo do projeto é muito elevado e sua realização seria impossível sem o concurso de empresas privadas, as quais estão interessadas em obter exclusividade sobre suas descobertas. Essa atitude faz com que pesquisadores tenham que assinar contratos com empresas comprometendo-se a não divulgar seus resultados. Nesse caso a pesquisa científica deixa de ser objeto de discussão entre cientistas para tornar-se uma propriedade industrial, como ocorreu recentemente com o gene da asma. Um grupo de pesquisadores anunciou na revista Science a localização de uma região candidata para o gene da asma porém não deu absolutamente nenhum detalhe a respeito da sua descoberta por motivos contratuais. Esses foram inclusive o motivo que os levou a divulgar a descoberta do locus candidato pois há uma exigência legal de comunicar aos acionistas da empresa que uma descoberta recente pode ter um possível impacto sobre a valorização das suas ações.
A preocupação com o patenteamento é tanta que motivou uma declaração da UNESCO em que é reafirmado que o genoma humano é propriedade inalienável da pessoa e patrimônio comum da humanidade. Segundo este mesmo documento o nosso DNA nos pertence, temos a propriedade e a posse mas desconhecemos o seu significado. Esse é justamente o objetivo do PGH, cujo final parece ter sido antecipado para 2003. Mas provavelmente o conhecimento completo dos 3,6x109 pares de bases do genoma humano não seja o fim, mas sim o início desse processo de compreensão. Que novas perspectivas sobre os seres humanos trará o seqüenciamento dos 3 bilhões de pares de bases do genoma humano? A função mais importante do projeto talvez seja a de transcender a si mesmo e nos ensinar, ou lembrar, que os genes e a genética não são a base fundamental da vida humana. O PGH pode redefinir o nosso sentido de nosso próprio valor moral e descobrir um meio de afirmar, em face de todos os detalhes técnicos da genética, que a vida humana é maior do que o DNA de que brotou e que os seres humanos conservam um valor moral que transcende a seqüência de 3,5 bilhões de bases contidas no genoma humano (Wilkie, 1994)
Em 14 de março de 2000, o presidente norte-americano, Bill Clinton, e o primeiro ministro do Reino Unido, Tony Blair, apelaram para que tudo que diga respeito a decodificação do genoma humano seja mantido no âmbito público. Isto significa que todos os cientistas tenham acesso ao sequenciamento bruto do genoma humano. Os mandatários propuseram que os inventos possam ser patenteados e explorados economicamente.
O cientista e empresário Craig Venter, sócio da Celera Genomics Corporation, informou, em 06 de abil de 2000 que a sua empresa já concluiu o sequenciamento bruto do genoma de uma única pessoa. Durante o próximo mes esta companhia irá ordenar os dados obtidos. O Dr. Venter é contrário a divulgação pública e universal dos dados, defendendo a posição de que as sequencias, mesmo as que ainda não se conheçam as funções associadas, podem ser patenteadas.





Biologia - MUSCULOS DO MEMBRO INFERIOR (Origem, Inserção e Função)



MUSCULOS DO MEMBRO INFERIOR
(Origem, Inserção e Função)

O enfoque no estudo dos músculos será essencialmente funcional, isto e a intenção é agrupar os músculos em relação aos movimentos que produzem nos diversos segmentos do membro inferior.
Talvez não exista assunto mais controvertido em anatomia do que a problemática da ação muscular. Mesmo com a utilização de técnicas altamente sofisticadas, como a eletromiografia, não se conseguiu determinar, com absoluta segurança as ações de todos os músculos. Isto é particularmente verdade para músculos situados em planos mais profundos. Outra dificuldade reside no fato de que há músculos que atuam em diversos movimentos; por exemplo, o músculo adutor magno possui uma porção adutora e outra extentora. Além do mais músculos exercem uma ação principal, como protagonista, mas também auxiliam outros músculos em ações diversas.






























QUANTO À FUNÇÃO:

A função do músculo condiciona sua forma e arranjo de suas fibras. Como as funções dos músculos são múltiplas e variadas, também o são sua morfologia e arranjo de suas fibras.
De um modo geral e amplo, os músculos tem as fibras dispostas paralelas ou obliquas à direção de fração exercida pelo músculo.

QUANTO A ORIGEM

Quando os músculos se originam por mais de um tendão, diz-se que apresentam mais de uma cabeça de origem. São então classificados como músculos bíceps, tríceps ou quadríceps, conforme apresentam 2, 3 ou 4 cabeças de origem. Exemplos clássicos encontramos na nomenclatura dos membros e nomenclatura acompanha a classificação: M. bíceps branquial, m. tríceps da perna, m. quadríceps a coxa.

QUANTO A INSERÇÃO

Do mesmo modo, os músculos podem inserir-se por mais de um tendão. Quando há dois tendões, são bicaudados; três ou mais, policaudados (ex.: m. flexor longo dos dedos do pé). Outros exemplos: músculos flexores extentores dos dedos da mão.

Origem: extremidade do músculo presa à peça óssea que não se desloca.
Inserção: extremidade do músculo presa à peça óssea que se desloca.

Origem e inserção são também denominados respectivamente de ponto fixo e ponto móvel. Nos membros, geralmente a origem de um músculo é proximal e inserção distal. Porém, convém ressalvar que um músculo pode alterar seus pontos de origem e inserção em determinados movimentos.

Biologia - MOLUSCOS, ANELÍDEOS E NEMATELMINTOS



Moluscos,

Anelídeos

&

Nematelmintos



Índice

Introdução .......................................................... 03
Moluscos .............................................................04
Anatomia e Fisiologia ....................................... 04
Estrutura e Organização ................................... 06
Classe Pelicypoda (Bivalvos) .............................. 06
A produção de pérolas nos bivalvos ....................08
Classe Gastropoda ...............................................10
Reprodução dos filos Pelicypoda e Gastropoda .13
Amphineura ......................................................... 14
Scaphopoda ......................................................... 14
Cephalopoda ....................................................... 15
Nematelmintos ...................................................  17
Anatomia e Fisiologia ........................................ 17
Enoplida ..............................................................  18
Rhabditida ...........................................................  18
Spirurida .............................................................   20
Reprodução dos Nematelmintos ........................  20
Anelídeos ............................................................  22
Anatomia e Fisiologia ........................................ 22
Diversidade e Ecologia ....................................... 24
Reprodução dos Anelídeos .................................  25
Conclusão ...........................................................   26
Bibliografia ........................................................    27
Nome dos Componentes ...................................    27






Introdução

         O objetivo deste trabalho é explicar sobre os filos Nemathelminthes, Mollusca e Annelida em todos os aspectos (anatomia, fisiologia, ramificações e reprodução) pegando como exemplos - em alguns casos - os seres mais conhecidos de cada filo.





















Moluscos

Anatomia e Fisiologia

Os moluscos são animais que podem viver em ambientes aquáticos e terrestres. Alguns são fixos, outros enterram-se e outros, como as  lulas, podem nadar por jato-propulsão. Os cefalópodes apresentam uma “bolsa de tinta” que é uma estrutura defensiva.
Os moluscos constituem um grupo muito bem sucedido na natureza. Ocupam vários ambientes e exibem hábitos de vida bastante diversificados. Os bivaldos, que vivem na água do mar ou dos rios e lagos, podem viver fixos ou enterrados. Muitos podem perfurar rochas e substratos duros. Alguns, como Pécten, podem deslocar-se fechando rapidamente a concha, expulsando a água do seu interior do jato; dessa forma, o animal move-se no sentido oposto ao do jato líquido.
O celoma nos moluscos é definido como uma cavidade completamente revestida por mesoderma. O estudo da embriogênese de muitos animais mostra-nos que a mesoderme forma-se a partir da evaginações do futuro intestino ( do mesentoderme ). Essas evagina­ções crescem e, posteriormente, destacam-se do futuro tubo intestinal. A parede interna dos sacos ( evaginações ) celomáticos fica em contato com a endoderme ( que dará origem ao intestino ) e a externa em contato com a ectoderme.
            A cavidade delimitada pela mesoderme dos sacos celomáticos é o celoma, que é uma cavidade geral secundária dos moluscos. Esse tipo de formação do celoma, a partir do futuro intestino (enteron), é chamada enterocélica e os animais que o possuem são ditos enterocelomados  (equinodermos   e cordados).
A pele dos moluscos, uma região não coberta pela concha, é muitas vezes promovida de um revestimento ciliar e muito ricas em células glandulares, cuja as secreções torna o tegumento úmido e mole. A concha consiste de uma camada orgânica externa  ( perióstraco ) e de camada predominante calcárias subjacentes, das quais a mais interna pode ter a natureza de uma camada madrepérola. o crescimento em espessura da concha dá-se em toda região do manto, enquanto que o crescimento em extensão só ocorre ao longo do bordo do manto; a concha pode deslocar-se secundariamente para o interior do corpo e sofrer uma redução quase total.
O exoesqueleto duríssimo (concha), que apareceu nos moluscos durante a evolução desempenha várias funções: confere resistência ao organismo; permite que o corpo se sustente contra a ação da gravidade; serve como ponto de inserção dos músculos; protege contra a dessecação e representa como uma armadura que protege o animal dos predadores. Portanto, o aparecimento do exoesqueleto resolveu muitos problemas da sobrevivência no meio terrestre.
            Em conseqüência do desenvolvimento de um maciço e musculoso parênquima, o celoma dos moluscos restringe-se, em geral, a um espaço que encerra as gônadas e o coração; na maioria dos casos sobra como resto do celoma só a parte que circunda o coração, isto é, o poricárdio.
            Os moluscos, tais como ostras, mexilhões, caramujos, lulas e polvos, são animais muito conhecidos pois, além de serem economicamente importantes, são muito abundantes, habitando ambientes terrestres e aquáticos, tanto marinhos como de água doce. São animais esquizocelomados, protostômios e dotados de simetria bilateral. Tem corpo mole ( daí o nome do grupo, mollis = mole ) que pode ou não estar recoberto por concha calcárea. Em­bora entre os moluscos haja uma grande diversidade de formas, tos eles são constituídos por 4 partes: cabeça, pé, massa visceral e manto. Cabeça aloja os gânglios cerebróides, é portadora dos órgãos dos sentidos ( tentáculos e olhos ) e inclui a abertura bucal. Pé representa a região ventral da massa visceral, particularmente forte e muitas vezes prolongada. Massa  visceral é uma volumosa proturberância da região dorsal, que aloja a maioria dos órgãos. Manto ou Pálio é uma região da pele que segrega a concha e cobre a massa visceral; o manto desenvolve uma dobra saliente ( prega do manto ), que forma o teto de um sulco ou de uma cavidade denominada paleal, onde estão localizados os órgãos respiratórios.
            Essas partes básicas, variam quanto à forma e fun­ção dentro do filo, por exemplo, em animais terrestres, como o caramujo, que exploram o ambiente à procura de alimento, a cabeça, sede dos órgãos sensoriais, é bastante desenvol­vida, bem como a musculatura do pé, que permite a movimentação do animal. A massa visceral, em um caramujo de jardim, é reduzida em relação ao resto do corpo. Em animais como os mexilhões, que vivem no mar e filtram seu alimento da água circundante, a cabeça é muito reduzida, bem como o pé, sendo a maior parte do corpo constituída pela massa vis­ceral. Essas modificações refletem adaptação aos diversos ambientes e aos hábitos de vida adotados pelos moluscos.
A configuração do sistema nervoso central é muito característica, dos gânglios cerebróides, situados por cima da faringe, parte para trás dois paras de cordões: os cordões pedálicos (ventralmente ) e os cordões pleuroviscerais ( lateralmente ). Quanto aos órgãos do sentido encontram-se com regularidades os olhos, estatocitos e um tipo especial de órgãos olfativos instalados na câmara paleal. Os olhos são habitualmente de estruturas simples, com a forma de focetas ou vesículas, porém atingem um alto grau de diferenciação nos representantes da classe cefalópodes.
            O coração dos moluscos tem posição dorsal, é saquiforme e recebe o sangue proveniente dos órgãos respiratórios por intermédio de veias; compõe-se de um ventrículo e um número de aurículo que varia com o número das brânquias. O sistema circulatório, apesar do desenvolvimento das artérias, veia e capilares, é sempre aberto, comunicando-se com lacunas sangüíneas situadas entre vários órgãos.
            Os moluscos possuem respiração branquial; as brânquias são de forma característica e denominadas ctenídios; consiste de um septo mediano e de lamelas triangulares, que se inserem em um ou em ambos os lados do septo. Nos moluscos que passaram a vida terrestre, os ctenídeos são substituídos pelo pulmão; constituídos por um sistema de vasos sangüíneos muito ramificados e que se espalham no teto da câmara paleal.
            A parte anterior do tubo digestivo dos moluscos diferencia-se em uma faringe musculosa, cuja parede basal segrega uma lâmina quitinosa, denominada rádula, portadora de dentículos dirigidos para trás e própria para raspar os alimentos á maneira de uma lima; é um órgão exclusivo dos moluscos. O intestino médio é dotado de uma glândula digestiva (fígado ), composta de numerosíssimos tubos glandulares; o ânus abre-se na cavidade paleal. Os órgãos excretores são metanefrídios transformados e na maioria um par; iniciam com uma abertura no pericárdio e os canais de saída dilatam-se em sacos e deságuam na cavidade paleal.
            As classes do Filo Mollusca são: Amphineura, Scaphopoda, Pelecypoda ( ou Bival­via ), Gastropoda e Cephalopoda.

Estrutura e Organização dos Moluscos

As classes mais representativas do filo Mollusca são: Pelecypoda, Gastropoda e Cephalo­poda. Os pelecípodos ( ostras, mexilhões, etc. ) são dotados de concha externa bivalve. Os gastrópodos tem uma concha externa única ( espiralada ) e os cefalópodes tem concha interna ( “pena” ) ou não tem concha. O sistema circulatório dos moluscos é do tipo aberto ou lacunoso. A excreção é feita por nefrídios que formam rins. A respiração é bran­quial em animais aquáticos e pulmonar em animais terrestres.


Classe Pelecypoda ( Bivalvia ) – ( ostras, mariscos e mexilhões )

A Classe Pelecypoda ( do grego pelekys = machado ) é formado de organismos com simetria bilateral e o corpo lateralmente achatado. São desprovidos de cabeça e rádula. Os bivalvos, pelecípodos ou lamelibrânquios são moluscos aquáticos muito conhecidos. Na classe Bivalvia estão compreendidos muitos animais comestíveis e importantes economicamente, como os mexilhões, berbigões, ostras e mariscos.
O manto em forma de duas lâminas simétricas, partindo da linha média dorsal, envolve todo corpo; a concha apresenta duas valvas laterais ( bivalve ), geralmente simétrica, com articulação, ligamentos dorsais e fechada por um ou dois músculos adutores; a margem posterior do manto, comumente, forma sifões para controlar o fluxo da água, que entra e sai da cavidade do corpo do animal; o pé é cônico ou em forma de machado. Externamente, o animal é revestido por uma concha, composta por duas valvas. As duas valvas estão ligadas e articulam-se por meio de dentes que se encaixam e por um ligamento elástico, que funcionam como uma dobradiça. Podemos notar ainda, uma região mais proeminente na concha, o umbo, que é a região mais velha da concha, de onde derivam as linhas de crescimento.
A concha é fabricada pelo próprio animal, de dentro para fora, isto é, uma parte mole do animal, chamada manto fabrica a concha, pela secreção de camadas sucessivas de carbonato de cálcio. A concha é composta por 3 camadas. A mais interna, em contato com as partes moles do animal ( manto ) é chamada camada nacarada, sendo muito lisa e brilhante. A camada média é chamada camada prismática e a camada mais externa da concha é uma camada fina, constituída principalmente por material orgânico, a camada orgânica ou perióstraco. A camada externa da concha tem, geralmente, coloração clara, muitas vezes iridescente, conhecida como madrepérola, outrora muito empregada na fabricação de botões.





Imediatamente abaixo da concha, encontra-se o manto ou pálio que envolve a massa visceral e secreta a concha. O manto forma o revestimento interno da concha, aderindo-se a ela. A cavidade delimitada pelo manto denomina-se cavidade palial ou cavidade do manto. Afastando as valvas de um mexilhão vemos, na cavidade palia, um ou dois pares de brânquias delgadas em forma de lamelas situadas de cada lado do animal ( daí um antigo nome da classe, Lamellibranchiata ). Entre as brânquias encontra-se a boca, circundada pelos palpos labiais; a presença da boca e dos palpos labiais marca a região da cabeça, praticamente inexistente nos bivalvos. Perto da boca situa-se o pé muscular, afilado e em forma de machado, que pode ser estendido para fora da cavidade palial. O pé, em alguns bivalvos, é usado para cavar a areia, permitindo assim, que o animal se enterre no solo. Em animais que vivem fixos a rochas, o pé fabrica uma substância que endurece em contato contato com a água e forma fios que aderem o molusco ao substrato. Essa estrutura de fixação, formada por uma região modificada do pé é chamada bisso. Finalmente, pendendo logo abaixo do pé, situa-se a massa visceral, que contém os órgãos de digestão, reprodução e excreção.
Os pelecípodos são animais filtradores. Graças ao batimento de cílios que recobrem a superfície interna do manto e as brânquias, a água circundante penetra no interior da cavidade do manto por uma abertura, delimitada pelas bordas paliais, o sifão inalante, situado na região posterior da concha. A água que entra carrega partículas alimentares, que ficam aderidas a uma camada de muco, que recobre as brânquias; os cílios aí presentes, varrem as partículas alimentares em direção aos palpos labiais, que podem remover partículas indesejáveis, e as partículas úteis são ingeridas pela boca. A água está sempre circulando pela cavidade palial; ganha o seu interior através do sifão inalante e é eliminada pelo sifão exalante, situado também na região posterior, acima do sifão inalante.
O alimento constituído por pequenas partículas, penetra na boca, passa por um esôfago curto e chega ao estômago, que é uma porção alargada do tubo digestivo. O estômago é envolvido pela glândula digestiva, à qual se liga por dutos finos. A digestão nos moluscos é extra e intracelular. Secreções da glândula digestiva contribuem para a digestão parcial do alimento extracelularmente, o qual é absorvido ao nível do intestino, terminando intracelularmente. O intestino é constituído por uma parte enrolada, que se comunica com o reto e termina no ânus, que se abre na região do sifão exalante. Através do ânus os restos não aproveitados da digestão são carregados pela corrente líquida que deixa o corpo do animal. No estômago, existe uma bolsa de fundo cego que contém um bastonete flexível e transparente, o estilete cristalino. Acredita-se que o estilete cristalino esteja relacionado com processos digestivos, girando dobre si mesmo, exercendo uma função mecânica na trituração do alimente e parecendo estar relacionado com a digestão do amido.
As brânquias, que servem também para os processos de alimentação dos bivalvos, tem como função primordial, retirar oxigênio do meio circundante.
Nos moluscos adultos, a cavidade celomática foi ocupada por muitos órgãos, de maneira que a complexidade estrutural exige o aparecimento de órgãos especializados na retirada de oxigênio do meio e no seu transporte eficiente por todo o corpo do animal. Assim surgiram as brânquias, especializadas na absorção dos gases, e o sistema circulatório, especializado no transporte e distribuição dos gases necessários à respiração.
As brânquias são estruturas cuja superfície é muito grande em relação ao volume, oferecendo uma ampla área para que as trocas gasosas ocorram. Nas brânquias existem muitos vasos sangüíneos e o sangue que circula por eles distribui oxigênio pelos órgãos e remove o gás carbônico.
O sistema circulatório é formado por um coração dorsal que se encontra no interior da cavidade pericárdica. A função do coração é impulsionar o sangue por todo o corpo, e o faz graças ao ventrículo musculoso, que se contrai, enviando o sangue por dois vaso chamados aortas, que o distribuem por todo o corpo. Ao chegar aos tecidos, o sangue abandona os vasos, caindo em lacunas entre os tecidos , oxigenando-os e levando-lhes alimento, pois o sistema circulatório também transporta os nutrientes resultantes da digestão. Das lacunas, o sangue penetra em outros vasos, chegando a um órgão chamado rim. O rim é composto por nefrídios que retiram os excretas orgânicos do sangue e eliminam-nos na cavidade do manto. O sangue, livre das impurezas, vai às brânquias onde é oxigenado e volta ao coração penetrando nas aurículas, de onde passará para o ventrículo para ser redistribuído por todo o corpo. O sistema circulatório dos moluscos é chamado ABERTO OU LACUNOSO, pois o sangue não circula sempre dentro dos vasos, mas abandona-os indo ter às lacunas do corpo.





Os bivalvos conseguem fechar sua concha e retrai o pé graças a músculos muito fortes que possuem. Se observarmos a superfície interna da concha de um bivalvo, notaremos marcas mais ou menos circulares, que são os lugares onde se  prendiam os músculos que fecham a concha, os músculos adutores, que podem estar presentes em número de 1 ou 2. Os adutores ligam as duas valvas de concha; quando contraídos, aproximam as duas valvas, fechando-as rapidamente. O movimento oposto, de abertura das valvas, é muito lento. Isto deve-se ao fato de que, nos moluscos, não existem músculos antagônicos, que neste caso, abririam a concha. Esta abre-se devido à pressão do ligamento elástico, que força a concha a se abrir. O movimento de fechamento é ativo, devido à contração do músculos adutores, mas o movimento de abertura é passivo, isto é, os adutores relaxam-se e o ligamento elástico força as valvas a separarem-se. O mesmo acontece com a musculatura pedal. O pé, se estendido, pode ser rapidamente contraído e recolhido para dentro da concha por movimento ativo da musculatura. O movimento de extensão do pé, entretanto, é muito lento e se faz devido à pressão sangüínea nas lacunas do mesmo, sendo também um processo passivo.
O sistema nervoso dos bivalvos é composto por 3 pares de gânglios: um par de gânglios cerebrais, um par de gânglios pedais e um par de gânglios viscerais. Cada par é ligado entre si e com os outros por nervos; dos gânglios partem nervos para os vários órgãos.
Os bivalvos, apesar de geralmente não apresentarem olhos, têm muitas vezes, fotorreceptores na região dos sifões; órgãos táteis estão presentes nas bordas do manto, e órgãos de equilíbrio, os estatocistos, estão presentes no pé. Existe também, na região do sifão inalante, um par de osfrádios, que parece Ter a função de testar as características da água que entra na concha. Podem se encontrar em três ordens:
·      Protobranchia: é constituída de organismos cujos ctenídios possuem um eixo central contendo duas séries divergentes de fios curtos e chatos. Possuem dois músculos adutores; nesta ordem destacam-se dois gêneros: Nucula e Yoldia.
·      Filobranchia: constituída de organismos com ctenídio em forma de W, com conexões ciliares entre lamelas de cada metade e com fios branquiais longos. Possuem dois músculos adutores, sendo o anterior reduzido ou ausente em alguns casos; nesta ordem destacam-se três gêneros: Mytilus, mexilhão marinho; Ostrea, mexilhão comestível: Pecten, moluscos bivalves, que nadam por batimento das valvas.
·      Eulamellibranchia: constituída de organismos com ctenídio em forma de W, mas as lamelas de cada metade possuem os fios branquiais soldados, formando duas lâminas perfuradas. Apresentam dois músculos adutores de tamanho igual: nesta ordem destacam-se quatro gêneros: Anodonta, bivalves de água doce cujas conchas são usadas para fabricar botões; Mya, que vive no lodo; Pholas, cavadora de argilas ou rochas; Teredo, moluscos vermiformes, que cavam madeira em água salgada.

A produção de pérolas dos bivalos

            Os moluscos são conhecidos pela produção de pérolas, muito usadas na fabricação de jóias. As pérolas são encontradas nos bivalvos e formam-se da seguinte maneira: partículas estranhas, como grão de areia, podem intrometer-se entre o manto e a concha do molusco. O epitélio que reveste o manto, começa então a secretar, sobre a partícula estranha, sucessivas camadas nacaradas. finalmente, o epitélio do manto envolve completamente o corpo estranho e secreta nácar em finas camadas concêntricas, formando a pérola.
            Como são necessárias condições naturais muito especiais para a formação das pérolas, foram desenvolvidas técnicas artificiais para a reprodução das mesmas. Um dos principais locais de cultivo de pérolas encontram-se na baía de Ago, no Japão. Aí, as ostras são colhidas por mergulhadores, que os levas para os especialistas, que escolhem aquelas cujo o desenvolvimento seja completo. Nas ostras escolhidas introduz-se uma bolinha de madrepérola recoberta por um pedaço de manto. A seguir as ostras assim tratadas são devolvidas em jaulas especiais de bambu para o fundo do mar. Após mais ou menos cinco anos, as ostras são recolhidas e as pérolas são retiradas. Para que não se inutilizem as ostras que não contenham pérolas, elas são submetidas a Raio-X.
            As pérolas assim obtidas são classificadas quanto ao seu tamanho e brilho. As pérolas cultivadas são dificilmente distinguíveis das pérolas naturais e são tão preciosas quanto elas.



 



Classe Gastropoda – ( caracóis, lesmas e caramujos )

            Os gastrópodes, assim chamados porque seu pé liga-se diretamente à massa visceral ( gastro = estômago e podos = pé ), habitam os ambientes marinhos, de água doce e terrestres. Observados externamente, apresentam uma cabeça e uma pé bem desenvolvidos. A massa visceral está contida no interior da concha, que fica em posição dorsal e que geralmente apresenta-se enrolada em espiral.





           
Na cabeça dos caramujos, existem dois pares de tentáculos. Nas extremidades dos tentáculos maiores ( ou na base destes ) estão os olhos. Na região inferior da cabeça, encontra-se a boca. A cabeça continua pelo pé musculoso, sobre o qual se assenta a concha, que contém a massa visceral. Podemos observar três orifícios que se abrem externamente nos caramujos: o ânus e o poro respiratório, localizados na parte anterior, na base da concha, e o poro genital, situado na cabeça, em posição lateral.
            O sistema digestivo é composto pela boca, à qual se segue uma faringe curta e musculosa. No assoalho da faringe, encontra-se uma estrutura em forma de fita dotada de muitos dentículos transversais. Essa fita chamada rádula, executa um movimento de vaivém raspando o alimento, que fica reduzido a pequenas partículas, que são então ingeridas. À faringe, segue-se o esôfago, que se liga ao papo. A este, seguem-se o estômago e o intestino. Este último desembocando no ânus. A glândula digestiva, localizada no ápice da concha, comunica-se com o estômago. Existe também, perto do papo, um par de glândulas salivares que se abrem na faringe, e que contribuem no processo de alimentação, umedecendo o alimento com sua secreção.
            A oxigenação do sangue, nos caramujos terrestres, é feita na cavidade do manto, que é muito vascularizada e se abre para o exterior através do poro respiratório. O ar, contendo oxigênio penetra pelo poro respiratório e entra em contato com a cavidade vascularizada do manto, que funciona como um pulmão. O sistema circulatório é semelhante ao que descrevemos nos bivalvos: é composto pelo coração, que se liga a vasos que passam pelo pulmão e pelos órgãos. O sangue é oxigenado no pulmão e bombeado pelo coração, para todo o corpo.
            O sistema excretor é constituído por um rim, próximo do coração, que elimina os excretas na cavidade do manto, de onde passam para o exterior.
            Os sistema nervoso é composto por 4 partes de gânglios: um par cerebral, acima da faringe, um par bucal, um par pedal e um visceral, todos próximos e logo abaixo da faringe. Dos gânglios partem nervos para todos os órgãos. Estruturas sensoriais presentes são os olhos, os estatocistos e outros órgãos sensoriais espalhados pelo pé e cabeça.
Os gastrópodes habitam tanto na água doce como na salgada como ambiente terrestre. Locomovem-se deslizando sobre um rastro de muco secretado por uma glândula presente na no pé.  Helix aspersa é o caracol comum de jardim. Procura sempre locais úmidos, para evitar a dessecação de seu corpo. Quando em grande número, os caracóis podem causar prejuízos em jardins ou hortas pois são herbívoros, alimentam-se de vegetação, que trituram com o auxílio da rádula. As lesmas são gastrópodes sem concha e tem hábitos de vida semelhantes aos dos caracóis.





Este filo está subdividido em várias ordens:
·      Archaeogastropoda: é constituída de organismos primitivamente com dois ctenídios plumosos bisseriados; um deles ou ambos podem desaparecer, sendo substituídos por brânquias acessórias; os cordões pedálicos, em geral, apresentam-se com numerosos comissuras; nesta ordem destacam-se três gêneros: Fissurella, Haliotis e Pastella.
·      Mesogastropoda: constituída de organismos com concha enrolada. Possuem um ctenídio, uma aurícula e um nefrídio; o ctenídio é unisseral, aderente ao teto da cavidade paleal; o sistema nervoso não é concentrado; a abertura do manto não tem sifão; nesta ordem destacam-se três gêneros: Crepidula, Viviparus ( Paludina ) e Strombus.
·      Neogastropoda: constituída de organismos com concha enrolada, que possuem um ctenídio unisseral, uma aurícula e um nefrídio; o sistema nervoso é concentrado; a abertura do manto tem uma chanfradura ou sifão; nesta ordem destacam-se de dois gêneros: Murex e Buccinum.
·      Tectibranchia: é constituída de organismos que apresentam cabeça grande; geralmente com manto, concha ,brânquia, cavidade paleal e ctenídeo; nesta ordem destaca-se o gênero Aplysia.
·      Nudibranchia: é constituída de organismos com concha completamente reduzida e sem brânquias verdadeiras no estado adulto. Respiram pela pele ou por brânquias secundárias ao redor do ânus; nesta ordem destaca-se o gênero Doris.
·      Stulommatophora: constituída de organismos com olhos nas pontas de um par de tentáculos posterior e em geral apresentam mais um par de tentáculos anterior; são quase todos terrestres; nesta ordem destacam-se quatro gêneros: helix, caracol europeu de jardim; Ariolimax, lesmax, lesmas com concha vestigial no manto; Arion, lesmas sem concha; Gonaxis, caracol predador.
·      Basommatophora: constituída de organismos com um par de tentáculos e olhos próximos à base dos mesmos. Vivem na água doce ou à beira do mar; nesta ordem destaca-se dois gêneros: Lymnaea e Helisoma ( Planorbis).
            Também estão presentes algumas subclasses:
·      Prosobrachia: constituída de organismos com a concha bem desenvolvida e enrolada ( torção de 180o ). Possuem dois tentáculos; ctenídios anteriores ao coração; o pé em geral provido de opérculo; cordões nervosos pleuroviscerais cruzados; os sexos são separados e a maioria vive na água salgada.
·      Opisthobranchia: constituída de organismos com concha achatada ou mais freqüentemente reduzida, interna ou ausente, o ctenídeo é muitas vezes substituído por brânquias acessórias, dispostas em duas filas dorsais ou numa roseta em volta de ânus; os cordões nervosos pleuroviscerais não são cruzados; são todos hermafroditas e marinhos.
·      Pulmonata: é constituída de organismos com concha enrolada em uma espiral simples ou ausente; a cabeça possui um ou dois pares de tentáculos e um par de olhos; a cavidade paleal não possui brânquias e seu teto é transformado em pulmão; os cordões nervosos pluviscerais não cruzados, são todos hermafroditas, em geral ovíparos e com desenvolvimento direto; vivem na água doce e principalmente na terra.




reprodução dos  filos: Pelecypoda e Gastrópoda

            O aparelho reprodutor dos pelecípodos é bastante simples: é constituído por um par de gônadas, localizadas na massa visceral. As gônadas possuem um duto, que termina no poro genital, o qual se abre na cavidade do manto. Embora os sexos sejam separados ( animais dióticos) não há dimorfismo sexual externe. Espermatozóides e óvulos são eliminados na cavidade do manto, de onde passam para água circulante. A fecundação é externa. O zigoto resultante da fecundação desenvolve-se, originando uma forma larval ciliada, denominada véliger. As larvas véliger apresentam nas primeiras fase do desenvolvimento, natação livre. Depois de algum tempo, porém, produzem uma pequena concha, as larvas afundam, terminando seu desenvolvimento sobre o substrato. Transformam-se em jovens bivaldos, que crescerão e mais tarde, reproduzir-se-ão.
            Alguns bivaldos de água doce podem apresentar um tipo de reprodução diferente deste. A fêmea incuba os ovos na sua cavidade palial. Estes, aí se desenvolvem, formando formas larvais denominadas gloquídios, que se libertam da mão e invadem brânquias de peixes, onde terminam o seu desenvolvimento. Abandonam então as brânquias do hospedeiro e caem ao fundo, onde viverão.
            Os gastrópodes já apresentam um aparelho reprodutor bem mais complexos que os pelecípodos. Nos gastrópodes terrestres o desenvolvimento é direto, enquanto que nos aquáticos, existem duas formas larvais, sendo o desenvolvimento indireto.
            No interior da massa visceral, normalmente no ápice da concha, encontra-se a gônada única e hermafrodita, que produz óvulos e espermatozóides, sendo por isso chamada ovoteste. Do ovoteste, parte do duto hermafrodita, que se abre na câmara de fecundação; desta partem dois dutos: o duto deferente, que leva o espermatozóide até o poro genital comum, onde se encontra o pênis, e o oviduto, que desemboca na vagina, que, que por sua vez, abre-se no poro genital comum. Na porção da vagina próximo ao ouviduto, parte um duto, que forma, na extremidade, a espermateca ou receptáculo seminal. Anexa ao aparelho reprodutor na altura da câmara de fecundação, abre-se a glândula albuminosa.
            A reprodução sexuada começa com aproximadamente dos dois indivíduos, que justapõem os pores genital do parceiro e ocorre a transferência recíproca de um espermetóforo, que é um pacote de espermatozóides. Os parceiros então se separam. Em cada um deles, os espermatozóides vão à espermateca, onde ficam armazenadas. Enquanto isso, o ovoteste produz óvulos, que caminha pele duto hermafrodita  até a câmara de fecundação. Os espermatozóides do parceiro, que estavam armazenados na espermateca, caminham ao ouviduto e chegam a câmara de fecundação, onde fecundam os óvulos, que recebem reservas de glândulas albuminosa. Os ovos são então eliminados pelo poro genital. Nos moluscos gastrópodes terrestres, o desenvolvimento dos ovos é direto: a eclosão do ovo libera um pequeno molusco semelhante aos pais.
            Muitos gastrópodes aquáticos, entretanto, possuem desenvolvimento indireto, existindo dois tipos de larvas entre ovo e dulto. a primeira fase larval é chamada trocófora e posteriormente se transforma-se na véliger, que afunda e transforma-se num gastrópodo jovem.



Amphineura

            A classe Amphineura ( do grego Amphi = em volta; neuron = nervo) é formado de organismos com o corpo oval ou longo e delgado, com simetria bilateral; a concha quando presente possui oito partes. O sistema nervoso não apresenta separação em células e fibras nervosas; é composto por dois pares de cordões longitudinais ( pleuroviscerais e pedálicos ), ligados entre si por numerosas comissuras, terminando na região anterior em gânglios cerebróides. Vivem na água do mar. São subdivididas nas ordens:
·      Aplacophora: é constituída de organismos com corpo vermiforme, sem exoesqueleto; a cavidade paleal apresenta-se em forma de uma goteira em cada lado do pé, que é reduzido a uma estrita saliência longitudinal; as brânquias são reduzidas ou inexistentes; as gônadas pares deságuam no pericárdio e as células sexuais saem pelos nefrídios; nesta ordem destaca-se o gênero Neomenia.
·      Polyplacophora: é constituída de organismos com corpo elíptico, com concha constituída por uma série mediano-dorsal de oito placas esqueléticas imbricadas e circundas por uma cintura carnosa. Possuem pé volumoso, achatado e molusco; apresentam rádula, cordão cerebral e numerosos ctenídeos alojados na goteira entre o pé e o manto, um par de nefrídios e gônada ímpar com canais para saída das células sexuais; vivem em rochas, principalmente em águas costeiras rasas; nesta ordem destaca-se o gênero Chiton.





Scaphopoda

            A classe Scaphopoda ( do grego skaphe = barco ) é formada de organismos com o corpo alongado em sentido dorsiventral, com simetria bilateral; a concha univalve e o manto apresenta-se em forma de tubo encurvado e com a abertura dorsal e ventral. A cabeça possui tentáculos filiformes inseridos na sua base e com apêndices foliácos em volta de boca; o pé coloca-se imediatamente atrás da cabeça, com forma de cilindro vertical alongado. possuem rádula, coração sem aurículas, sistema nervoso composto por gânglios cerebróides e pleurais contíguos, gânglios pedálicos e viscerais, um par de nefrídios e sexo separados com gônadas ímpar servindo-se do nefrídio direito como canal de saída das células sexuais; são marinhos, vivendo em areia ou lodo da água rasa; nesta classe destaca-se o gênero Dentalium.





Cephalopoda





            A classe Cephalopoda (do grego Kephale=cabeça) é formada de organismos simétricos, com cabeça volumosa, massa visceral alongada em sentido dorsiventral, manto musculoso, cavidade paleal localizada na região caudal, porção anterior do pé fusionada com a cabeça e transformada numa coroa de braços ou tentáculos em volta da boca e a porção   posterior transformada numa goteira ou funil, que faz comunicar a cavidade peleal com o exterior. A concha univalve é freqüentemente interna e muitas vezes reduzida. Apresentam rádula, maxilas robustas, tubo digestivo com glândula anexa e celoma espaçoso. O sistema nervoso está concentrado em volta da faringe e encerrado em uma cápsula cartilaginosa: os órgãos dos sentidos são altamente diferenciados, principalmente os olhos e os estatocistos. Possuem de dois a quatro ctenídios típicos, coração com duas ou quatro aurículas e, além disso, corações branquiais independentes, um ou dois pares de nefrídios, gônada ímpar e sexos separados; são todos marinhos.
            Os cefalópodes são moluscos marinhos bastantes interessantes. Loligo (lula) e Octopus (polvo) são representantes mais conhecidos. Enquanto que o polvos caminham pelo substrato com o auxílio de seus  oito tentáculos, as lulas nadam ativamente. Nestas, o manto forma a cavidade que se enche de água. Pela contração do manto muscular, a água é expulsa em um ato pelo sifão. Assim a lula pode nadar por um jato-propulsão. por repetidas contrações do manto. A direção do movimento pode ser modificada pelo dobramento do sifão.
            As lulas apresentam estruturas de ataque e defesa bastante interessantes. Na pele destes animais, existem estruturas chamadas cromatóforos. Graças aos cromatóforos, esses moluscos podem mudar de cor, confundindo-se com o ambiente, tornando-se pouco visível aos predadores e suas presas. Ainda como mecanismo de defesa, polvos, lulas e sépias são dotados de uma “bolsa de tinta”. Quando em perigo, esses moluscos eliminam, água, um pigmento negro, que forma uma cortina que encobre a visão do atacante, permitindo assim a fuga. Essa tinta foi muito usada antigamente para escritas e pinturas. A concha interna das sépias é vendida para criadores de passarinhos, que a colocam nas gaiolas para que estas aves afiem seus bicos.










            Nematelmintos

Anatomia e Fisiologia

            Este filo é formado de vermes cilíndricos afilados nas extremidades e de dimensões muito variadas; muitos deles passaram à vida parasitária, tendo o corpo coberto por uma cutícula espessa e elástica produzida pela epiderme subjacente.
A epiderme é uma camada prótoplasmática que contém muitos núcleos, mas não existem membranas ou paredes que os separem, a esta massa multi-nucleada dá-se o nome de sinicicio. Situada abaixo da epiderme está a camada muscular, de origem mesodermica, composta por células que têm, em uma de suas bases um feixe de fibrilhas contráteis, na outra base de forma arredondada, existe um prolongamento citoplasmático filiforme. Nos lados do corpo, como as fibras contráteis são todas orientadas no sentido longitudinal, não existindo músculos circulares, os nematodos só conseguem realizar movimento de reflexão, curvando-se para um lado e para o outro.
            Nos lados do corpo, encontram-se de cada lado, um canal excretor, que desemboca em um poro excretor próximo a boca. A parede do corpo envolve uma cavidade, onde se alojam os órgãos internos. Esta é o pseudo-celoma, delimitada pelas células musculares, de origem mesodérmica, e pelo tubo intestinal, composto por uma única camada de células de origem endodérmica. A abertura de admissão de alimento ao intestino é a boca, a qual se segue uma faringe curta e musculosa, cuja a função é impulsionar o alimento para o interior do intestino, que é um tubo fino que desemboca em um reto musculoso que se abre para o exterior no anus. O alimento engolido, já parcialmente digerido pelo hospedeiro termina-se absorvido pelas células da parede intestinal.
            Podemos notar aqui, uma diferença entre platelmintos e nematodos quanto a distribuição de alimentos, no primeiro, o intestino é muito ramificado e a distribuição do alimento é de difusão de célula a célula, nos nematodos o intestino é apenas um tubo reto e a distribuição do alimento é feito pela cavidade pseudocelomica.
A aquisição da cavidade do corpo parece significar uma adaptação vantajosa em vários sentidos: um deles é permitir que os animais que q possuem adquirem considerável tamanho, pois além de significar um aumento de espaço interno, que permite alojar melhor os órgãos, pode graças ao líquido que contém, funcionar como um esqueleto hidráulico de sustentação; além disso, o fluído contido nesta cavidade pode transportar alimentos, excretas e gases para a respiração, pondo em contato todas as células do corpo com substâncias difundidas pelo trato digestivo e pela parede do corpo.
Durante a evolução os Nemathelminthes devem ter se originado a partir de um ancestral de simetria bilateral, talvez, a partir de formas planulóides dos celenterados ou de ancestrais destes. O ancestral bilateral deve ter originado, de um lado, os ancestrais acelomados dos platelmintos e, do outro, os ancestrais pseudocelomados dos nematodos.
             O sistema nervoso dos nematodos consiste de um anel nervoso, que circunda a faringe, lançando alguns nervos curtos para frente e para trás. Do anel nervoso anterior, partem os 2 cordões nervosos que percorrem as linhas laterais, o dorsal e o ventral. Terminações nervosas ligam-se a algumas papilas táteis, dispostas usualmente ao redor da boca, sendo os únicos órgãos sensoriais evidentes.
            O sistema excretor, é composto por um par de canais excretores, embora não existam células-flama ou quaisquer estruturas típicas de excreção.
            É composta por várias ordens e suas ramificações que veremos a seguir:

Enoplida

É uma ordem constituída de organismos geralmente longos, cilíndricos ou em forma de cones, que possuem o esôfago dividido em duas partes; uma anterior muscular e uma posterior glandular. Nesta ordem destacam-se dois gêneros e duas espécies: Trichinella spiralis e Trichuris (Trichocephalus) Trichiura.
            A espécie Trichinella spiralis é formada de vermes muito pequenos; o macho mede cerca de 1,5mm e a fêmea de 3 a 4mm de comprimento; distinguem-se dois tipos de triquinas: a muscular - corresponde ao estado jovem e a intistinal - corresponde ao estado adulto. A triquina intistinal vive no intestino delgado (duodeno e jejuno) do homem, do porco, do rato e de outros mamíferos; aí se realiza a cópula, morrendo o macho em seguida e as fêmeas, que são em maior número, penetram em maior número, penetram na parede do intestino, e dão origem a numerosas larvas; estas larvas atingem a circulação sangüínea, fixam-se na musculatura do hospedeiro, onde formam um cisto, dentro do qual crescem e se enrolam em espiral; o cisto forma-se em seqüência de uma reação dos tecidos do hospedeiro e se calcifica após alguns meses sem que a larva morra; se esta carne contaminada for ingerida por um animal hospedeiro, os cistos chegam ao estômago, onde são dissolvidos pelo sulco digestivo e as larvas postas em liberdade tornam-se adultas; ocorrem novas fecundações; os machos morrem e as fêmeas, penetrando na parede intestinal, formam novas larvas, completando-se assim o ciclo. O parasita no intestino produz enterites agudas com diarréia sanguinolenta; a larva triquina muscular produz perturbações nervosas e emagrecimento.
            A espécie Trichuris trichiura, também conhecida como tricocéfalo, é formada de vermes esbranquiçados, diferenciados em uma porção anterior filiforme contendo o esôfago e uma porção posterior volumosa que contém o intestino e os órgãos genitais; o macho mede de 3 a 4 cm e a fêmea de 4 a 5 cm de comprimento. O anima adulto vive no intestino grosso do homem, principalmente na porção do ceco, implantando-se na mucosa intestinal através da porção afilada, onde se fixa e retira seu alimento. O homem ingere os ovos juntamente com a alimentação e água; no intestino delgado a casca é digerida libertando o embrião que atinge o ceco e se transforma em verme adulto; quando o hospedeiro é uma criança, pode provocar uma anemia profunda com a diminuição dos globos vermelhos.

Rhabditida     

A ordem é constituída de organismos com o esôfago dividido em três regiões e com uma porção alongada claviforme; o desenvolvimento é direto, mas utiliza-se  a designação de larvas aos estados jovens; nesta ordem destacam-se seis gêneros com várias espécies: Rhabdias, Strongyloides. Ancylostoma, Necator, Ascaris e Enterobius.
            O gênero Rhabdias é formado de vermes que alteram geraç\ões de fêmeas parasitas, machos e fêmeas de vida livre; quando de vida livre são saprófagos, vivendo no solo e quando parasitas associam-se a plantas e animais.
            O gênero Strongyloides é formado de vermes pequenos com cerca de 2,5mm de comprimento e as extremidades do corpo distendidas; as fêmeas parasitas vivem no intestino delgado do homem e são sempre partenogenéticas, pois no intestino não existem os machos para a copulação.
            O gênero Ancylostoma é formado de vermes com várias espécies parasitas de animais mamíferos, inclusive o homem; entre elas destacam-se: Ancylostoma duodenale, parasitas do intestino delgado do homem; Ancylostoma caninum, parasita do cão e raramente do homem; Ancylostoma brasiliensis, parasita do cão, do gato e raramente do homem; suas larvas quando infetam o homem penetram pela pele e ficam vagando entre a epiderme e a derme, produzindo a chamada dermatose serpiginosa (bicho geográfico)
            A espécie Ancylostoma duodenale é formada de vermes com o corpo cilíndrico, alongado e com a boca provida de dentes ou lâminas cortantes. A fêmea possui de 9 a 15 mm de comprimento, com as duas extremidades distendidas e o poro genital na metade do corpo; o macho possui de 7 a 10mm de comprimento com a extremidade posterior na forma de bolsa copuladora, onde se abre a cloaca. Através da cápsula bucal e de um esôfago musculoso, que funciona como uma ventosa, o parasita fixa-se no intestino do hospedeiro, onde provoca pequenas hemorragias contínuas; a  perda de sangue ocasiona uma intensa anemia conhecida comumente com os nomes de amarelão, opilação ou mal da terra; cientificamente é denominada ancilostomose. O circulo evolutivo destes vermes ocorre do seguinte modo: no intestino delgado do hospedeiro as fêmeas eliminam os ovos, que vão para o exterior junto com as fezes; de cada ovo origina-se uma primeira forma larval, que é denominada rabditóide: esta, após 3 dias, sofre a primeira muda, transformando-se em um segundo tipo de larva denominada filarioide; esta evolui, transformando-se em um terceiro tipo de larva denominada filarioide incestante, apita para atingir um novo hospedeiro. A infestação pode ocorre através da pele, especialmente dos pés. por onde as larvas atravessam o tegumento, caindo na circulação, atingem o coração e o pulmão, no qual sofrem uma terceira muda; em seguida migram pelos bronquiolos, brônquios, traquéia e atingem a bifurcação do sistema digestivo e respiratório podendo daí irem ao exterior juntamente com a saliva ou serem deglutidas; neste caso vão ao esôfago, passam para o estômago e intestino delgado, onde sofrem a quarta muda, transformando-se em vermes adultos.
            O gênero Ascaris é formado de vermes com várias espécies parasitas de animais mamíferos, inclusive o homem; entre elas destacam-se: Ascaris lunbricóides, o parasita mais comum do homem; Ascaris megalocephala, parasita do boi e Ascaris suum, parasita do porco.
            A espécie ascaris lunbricóides, popularmente denominada lombriga, é formada de vermes alongados, cilíndricos, com nítido dimorfismo sexual, sendo a fêmea maior que o macho e terminando a extremidade de seu corpo de maneira afilada, enquanto que no macho termina em uma espiral em sentido ventral. No macho na extremidade anterior, situa-se a boca guarnecida de 3 lábios providos de papilas e na extremidade posterior localiza-se a cloaca, provida de duas espículas quitinosas. Estes animais podem atingir até 40 cm de comprimento e observando-os externamente, nota-se a presença de duas estrias laterais, que percorrem o corpo em toda a sua extensão. O ciclo evolutivo desses animais ocorre do seguinte modo: os vermes adultos vivem no intestino delgado do homem, onde as fêmeas colocam ovos não embrionados, em número extraordinariamente grande; esses ovos são eliminados junto com as fezes, para o meio externo, onde se transformam em embriões; em primeiro lugar forma-se uma larva rabditóide, a qual sofre uma primeira muda ainda dentro da casca do ovo, formando um segundo tipo de larva denominada rabditóide infestante. A contaminação ocorre quando o hospedeiro ingere os ovos contendo larvas; no intestino delgado (duodeno), a casca cresce e se torna adulta; dois meses depois o animal começa uma nova postura.

Spirurida        

A ordem é constituída de organismos com esôfago dividido em duas regiões: uma anterior muscular e uma posterior glandular. No estado adulto vivem como parasitas dos vertebrados, inclusive do homem, e nos estágios intermediários vivem geralmente em insetos; nesta ordem destaca-se o gênero Wuchereria.
            O gênero Wuchereria é formado de vermes de diâmetro muito pequeno e de aspecto filamentoso, sendo por esta razão denominados de filárias; os machos atingem 4 cm e as fêmeas 10 cm de comprimento. Estes vermes parasitam os gânglios e vasos linfáticos do homem, causando a doença conhecida por elefantíase, caracterizada por uma hipertrofia de alguns órgãos como: membros inferiores, escroto e seios. No sistema linfático as fêmeas colocam os ovos, que se transformam em microfilárias; estas, durante a noite, deslocam-se para a circulação sangüínea periférica do homem e aí são ingeridas por insetos hematófagos dos gêneros: Culex, Aedes e Anopheles; nos insetos as larvas sofrem várias mudas, transformando-se na forma infestante, que vai até a tromba do mosquito e este, quando pica o homem, transmite a larva, que atinge o sistema linfático, tornando-se adulta e recomeçando o ciclo.
         
Reprodução dos nematelmintos

            Na maioria dos Nematelmintos os sexos são separados e o sistema reprodutor apresenta estrutura simples. O feminino consta de dois tubos, com a porção inicial de cada um representando o ovário; os óvulos diferenciados passam ao oviducto e deste ao útero. Os dois úteros reúnem-se em um curto canal ímpar (vagina), que se abre pelo poro feminino. O masculino consiste num tubo único cuja parte inicial corresponde ao testículo e a parte terminal ao canal deferente. Os machos são em geral providos de órgãos copuladores, com a forma de duas espículas quitinosas encurvadas, que servem para o macho agarrar-se à abertura genital da fêmea. A fecundação é interna (no útero); os ovos são simples (sem células vitelinas) e encerrados em uma casca espessa; a postura de ovos pode ocorrer antes ou durante a segmentação ou com as larvas já desenvolvidas; o desenvolvimento é direto, embora se considerem os estados jovens com a designação de larvas.
            Os vermes adultos habitam, geralmente, o intestino de vertebrados. àscaris lumbricóides vive principalmente do porco e no homem.
             Quando, no interior do intestino, um verme macho e uma fêmea atingem a maturidade sexual, aproximam-se e ocorre a cópula. O macho introduz, no poro genital da fêmea, suas espículas peniais, que contribuem para mantê-los unidos durante o acasalamento. Os espermatozóides flagelados são depositados na vagina da fêmea e caminham, por movimentos amebóides, até os ovidutos, onde ocorre a fecundação dos ovos. Os ovos resultantes da fecundação, ganham, cada um, uma casca rígida e saem do corpo da fêmea caindo na luz intestinal do hospedeiro que os elimina junto com as fezes.
            Após um período de 3 a 4 semanas, no interior de cada ovo, já se desenvolveu um pequeno embrião. Se as fezes foram depositadas ao relento, os ovos podem contaminar água potável e alimentos, sendo ingeridos por um hospedeiro, que é geralmente o homem ou o porco. Ao chegar no tubo digestivo do hospedeiro, a casca do ovo é digerida e dele sai uma pequena larva filiforme, que mede cerca de 0,2 mm de comprimento. embora as larvas já estejam no ambiente que habitarão quando adultos, estas não ficam aí. As larvas perfuram a parede intestinal, caem na corrente sangüínea, passam pelo fígado e coração e chegam finalmente aos pulmões. Chegando lá, elas que já medem cerca de 3 mm, perfuram os alvéolos pulmonares e ganham a traquéia.
            Nela, provocam tosse e são lançadas a cavidade bucal onde são engolidas. Chegam assim no intestino terminando sua viagem. Lá crescem, atingem a maturidade sexual e reproduzem-se, fechado-se o ciclo.
            Não há necessidade de hospedeiros intermediários para completar o ciclo. Os áscaris conseguem manter-se vivos no organismo do hospedeiro não somente devido a cutícula que os protege, mas graças a secreções que neutralizam as enzimas digestivas do hospedeiro. Quando morre o verme é digerido.
            As lombrigas, causam, geralmente, poucos danos aos hospedeiros, podem, entretanto, provocar reações alérgicas em certas pessoas, pela secreções de certas substâncias irritantes. Quando em grande número, podem causar obstruções intestinais ou, se grande número de ovos forem ingeridos ao mesmo tempo, a migração das larvas poderá causar lesões mais ou menos sérias nos pulmões.


             






Anelídeos

Anatomia e Fisiologia

O filo annelida é constituído aproximadamente de 8700 espécies, agrupadas em três classes: Polychaeta, Oligochaeta e Hirudinea e é constituído por organismos que apresentam corpo mais ou menos cilíndrico e alongado. A grande diferença entre os vermes anelídeos e os outros vermes estudados é a organização, do corpo nos primeiros, em segmentos ou anéis,  que se repetem no sentido do comprimento do animal. Cada um dos segmentos ou anéis que constituem o corpo dos anelídeos é chamado metâmero. A metamerização geralmente se evidencia tanto nos aspectos internos com no externos, incluindo músculos, nervos, sistemas circulatórios, excretor e reprodutor.
A maioria dos anelídeos apresentam o corpo vermiforme; ao longo deste há pequenas cerdas de natureza quitinosa e de distribuição característica nas classes onde elas ocorrem; estas cerdas são elementos auxiliares na locomoção do animais.
O sistema nervoso é constituído por uma cadeia nervosa ganglionar e ventral formada por um anel nervoso anterior e um par de gânglios nervosos para cada segmento do corpo de onde partem ramificações nervosas para as diferentes partes do organismo.
O sistema sensorial é pouco desenvolvido; raramente são encontrados órgãos visuais; na maioria dos representantes existem apenas células sensoriais difusas.
O tubo digestivo dos anelídeos é completo: iniciado pela boca; depois a faringe, que se comunica com o esôfago; depois o intestino e depois o intestino terminal que geralmente é curto.
O sistema digestivo da minhoca é completo, isto é, possui duas aberturas. a boca e o ânus. A boca, localizada no primeiro segmento da região anterior, abre-se sob um lábio musculoso, o prostômio, à boca segue-se uma faringe curta, ligada à parede do corpo por muitos feixes musculares. Após a faringe encontra-se a moela que é uma porção dilatada do tubo digestivo; a moela é muito musculosa e sua função é, graças às contrações de suas paredes, triturar o alimento que por ali passa. A dieta alimentar da minhoca consiste em detritos vegetais em decomposição e pequenos microorganismos. 0 alimento juntamente com a terra é  ingerido graças à sucção provocada pela contração dos músculos da faringe. Na moela, ocorre a digestão mecânica do alimento.            As contrações da moela atritam partículas de terra contra o alimento, o qual, dessa forma, fica finamente fragmentado. Após a triturarão na moela, o alimento passa para o intestino, onde enzimas digestivas são secretadas .A digestão ocorre extracelularmente. Após a digestão extracelular, o alimento é absorvido. No intestino de Pheretima, mais ou menos na altura do trigésimo segmento, existem duas expansões laterais: os cecos intestinais. No intestino, na porção que continua por trás dos cecos, existe uma prega longitudinal interna, o tiflossole .Ambas as estruturas,  cecos e tiflossole, têm o mesmo significado funcional: aumentar a superfície de contato com o alimento digerido, fornecendo assim uma maior superfície de absorção. Os restos não aproveitados são eliminados pelo ânus.
O sistema excretor dos anelídeos é constituído por metanefrídeos, distribuídos aos pares em cada segmento; estes canais começam dentro de uma câmara celômica.
O sistema circulatório dos anelídeos é diferente do encontrado nos moluscos. Nos moluscos, o sangue abandona os vasos e cai em lacunas dos tecidos, sendo por isso chamado sistema circulatório aberto. Nos anelídeos o sangue circula sempre dentro dos vasos, sendo um sistema circulatório fechado.
O sistema circulatório dos anelídeos é totalmente separado da cavidade do corpo e consiste principalmente em dois vasos sangüíneos longitudinais; o vaso dorsal é contrátil; pode ocorrer o desenvolvimento de mais vasos tanto longitudinais como transversais, o que torna o sistema circulatório mais complexo.
O sistema circulatório da minhoca ‚ composto por dois grandes vasos que percorrem o animal no sentido do comprimento; um sobre o intestino, o vaso dorsal e um abaixo do intestino, o vaso ventral. Existe também um vaso longitudinal menor que estes dois, que corre ventralmente ao sistema nervoso e é chamado de vaso subneural. Os vasos longitudinais ligam-se entre si através de 4 grandes vasos circulares situados um antes, um sobre e dois depois da moela. Esses vasos circulares possuem elevada capacidade de contração e funcionam como "corações”, que impulsionam o sangue pelo sistema circulatório.
A respiração dos vermes segmentados é branquial ou cutânea; as brânquias são órgãos de forma variável, servindo para retirar o oxigênio e eliminar o gás carbônico nos anelídeos de vida aquática; nos de vida terrestre as trocas gasosas ocorrem diretamente através da pele.
Em relação ao habitat dos anelídeos podem ser aquáticos, marinhos ou de água doce e terrestres vivendo em lugares sombrios, debaixo de pedras e folhas ou escavando galerias no solo, onde passam a viver. Alguns anelídeos são de importância econômica, como o caso das minhocas, que são usadas como iscas para a pesca.
A classe Polychaeta é formada de organismos com o corpo alongado e cilíndrico com segmentações externa e interna bem nítida.
A classe Oligochaeta é formada de organismos com o corpo alongado e cilíndrico, com segmentações externa e interna bem nítida.
Na classe Oligochaeta estão agrupados organismos de corpo alongado e fino. 0 nome da classe deve-se ao fato de existirem, nos seus representantes, poucos apêndices ou cerdas no corpo. (oligos = pouco e chaete = cerdas). As minhocas comuns são animais terrestres e um gênero bastante encontrado no Brasil é Pheretima, cujo tamanho é cerca de 10 cm de comprimento. Lumbricus é um gênero muito freqüente na Europa e América do Norte e mede cerca de 30 cm de comprimento. Megascolecides australis ‚ uma minhoca que vive em regiões tropicais, principalmente na Austrália e pode medir mais de 2 metros de comprimento.
Descreveremos, neste capítulo, a anatomia e fisiologia da minhoca Pheretima, encontrada facilmente na terra em lugares úmidos.
Observando extremamente um animal adulto, podemos perceber que seu corpo ‚ formado por 85 a 95 segmentos, todos aproximadamente do mesmo tamanho. Se numerarmos os segmentos a partir da região anterior, notaremos que, ocupando os segmentos de número 14,15 e 16, existe uma região mais dilatada e mais clara que o resto do corpo, o clitelo. A face superior do animal é normalmente mais escura que a face inferior.
No primeiro segmento localiza-se a boca e, no último, abre-se o ânus. Externamente, a minhoca é revestida por uma cutícula abaixo da qual esta a epiderme formada por uma camada de células. Abaixo da epiderme encontrasse a musculatura do animal. A camada muscular mais externa é circular ao corpo e a camada muscular mais interna é mais espessa que a circular, com fibras dispostas no sentido longitudinal. Abaixo da camada muscular longitudinal, revestindo a  cavidade celomática do corpo, encontra-se um epitélio fino, de origem mesodérmica, o peritônio.
A locomoção da minhoca faz-se através da  contração dos músculos circulares e longitudinais e graças à presença do fluido celomático, que preenche os metâmeros. e serve de esqueleto hidrostático. Auxiliando os movimentos da minhoca existe, ao lado de cada metâmero (com exceção do primeiro e do último) um par de cerdas quitinosas . Essas cerdas, quando o segmento esta distendido, são recolhidas. No entanto, quando o segmento esta  contraído, as cerdas eriçam-se. Como o deslocamento é efetuado graças as distensões e contrações que se propagam do primeiro ao último segmento, as cerdas eriçam-se e recolhem-se alternadamente, apoiando-se as saliências do terreno e auxiliando a locomoção.
Cada segmento da minhoca, com exceção dos 3 primeiros e do  último, têm pares de estruturas enoveladas, os nefrídios. 0 nefrídio consiste de um funil ciliado chamado nefróstoma; a este segue-se um túbulo fino que se ramifica e, na última porção volta a ser único, alargando-se e formando a vesícula, que se abre ou para o exterior ou para o intestino pelo poro excretor ou nefridióporo.
Os nefrídios retiram produtos de excreção (amônia, uréia) do líquido celomático e do sangue. Os excretas do fluido celomático são retirados pelo nefróstoma graças ao batimento dos cílios. O túbulo nefridial é circundado por capilares sangüíneos, dos quais retiram os excretas do sangue e os eliminam pelo nefridiopóro.
A classe Hirudinea é formada de organismos com o corpo de forma achatada e segmentado, porém a segmentação externa não corresponde à interna; a maior parte das estrias que limitam externamente os anéis são sulcos superficiais; os limites de cada segmento interno podem ser percebidos na face dorsal em virtude da existência das chamadas papilas segmentares.
Uma das características anatômica e funcionalmente importante é a presença de segmentação do corpo. A segmentação é a presença de constricções transversais sucessivas, no corpo, os segmentos. A segmentação pode ser de dois tipos: superficial e metamérica.
A segmentação superficial acontece apenas na ectoderme, atingindo, portanto, somente a parede do corpo.
O outro tipo de segmentação, a metamérica, tem origem na mesoderme e não atinge só esta como também muitas partes da ectoderme.

Diversidade e Ecologia

Os anelídeos podem viver em ambientes aquáticos (de água doce ou salgada) e terrestres. Os oligoquetos tem poucas cerdas, os poliquetos tem muitas cerdas implantadas nos parapódios e os hirudíneos não tem cerdas. Os poliquetos podem viver fixos ou explorar o ambiente à procura de alimentos. Os hirudíneos (sanguessugas) possuem ventosas para fixação e alimentam-se de sangue.
Os oligoquetos vivem em ambientes aquáticos, principalmente de água doce ou na terra. Os vermes terrestres necessitam habitar lugares úmidos, pois sua respiração é feita por difusão de gases pela epiderme, que necessita estar sempre úmida para permitir a entrada dos gases para os capilares sangüíneos da parede do corpo. Muitos oligoquetos aquáticos vivem nas margens de rios e lagos de águas limpas. Outros, como Tubifex, vivem fixos ao fundo de lagos e rios de  águas poluídas, alimentando-se dos detritos orgânicos poluentes.
Reprodução dos anelídeos

 A reprodução dos anelídeos pode ser por assexuada por bipartição ou brotamento, mas a maioria apresenta reprodução sexuada por fecundação cruzada.
Os anelídeos podem ser monóicos (oligoquetos e hirudíneos) ou dióicos (a maioria dos poliquetos). O desenvolvimento é direto em oligoquetos e hirudíneos e indireto nos poliquetos, que apresentam uma forma larval ciliada, a trocófora.
A minhoca é monóica. Externamente podemos notar na face inferior, 3 pares de orifícios nos segmentos de números 6, 7 e 8. Cada orifício abre-se, internamente, para um receptáculo seminal. Na região do clitelo existe um par de orifícios, os poros genitais femininos. Cada um deles abre-se, internamente, para um oviduto em forma de funil. Na altura do 189 segmento existe ainda um par de orifícios. Cada orifício é abertura do duto deferente.
O aparelho reprodutor feminino é composto por um par de ovários. Próximo aos ovários existem dois ovidutos em forma de funil, que abremúse no par de orifícios do clitelo. Fazem parte também do aparelho reprodutor feminino os 3 pares de receptáculos seminais, que se abrem nos segmentos de números 6, 7 e 8.
O aparelho reprodutor masculino é composto por 2 pares de testículos, cada par situado nos segmentos de números 10 e 15. Próximo a cada testículo existe um funil espermático. Os dois funis espermáticos de cada lado unem-se, formando dois ducos deferentes cada um deles, desembocando no poro genital masculino do 18 metâmero. Cada testículo com seu respectivo funil espermático esta  contido no interior de uma vesícula seminal. Existe também um par de glândulas prostáticas que desembocam, cada uma em um duto deferente.
Duas minhocas sexualmente maduras aproximam-se e unem suas superfícies ventrais, com suas extremidades anteriores opostas. 0 orifício genital masculino de uma fica em contato com os orifícios dos receptáculos seminais da outra e vice-versa. Cada um dos copulantes elimina seus espermatozóides nos receptáculos seminais do outro, onde ficam armazenados. Ocorre, então, a separação; cada minhoca carrega, agora, os espermatozóides da outra. Os óvulos amadurecem nos ovários e passam para o oviduto e são eliminados, através dos poros genitais femininos, em um casulo, que foi secretado pelo clitelo. 0 casulo, que é um tubo que envolve a região clitelar, desloca-se para a extremidade anterior do animal. Quando passa pelos poros dos receptáculos, os espermatozóides do parceiro são eliminados sobre os óvulos que são fecundados. O casulo continua deslizando, sai do corpo da minhoca e fecha-se nas extremidades. Mais tarde os ovos desenvolver-se-ão diretamente em minhocas jovens. Não há estágio larval.
Os vermes poliquetos, podem apresentar formas de reprodução diferentes da que foi descrita acima. Nereis é um poliqueto marinho que apresenta sexos separados. As gônadas deste animal não estão presentes durante toda a vida; aparecem somente na época da reprodução, originando-se do peritônio mesodérmico. Os óvulos e espermatozóides são eliminados na  água, onde ocorre a fecundação. O ovo desenvolve-se em uma forma larval ciliada, chamada trocófora. A partir desse estágio larval, forma-se um verme jovem.





Conclusão

         Concluímos que cada espécie tem seu celoma ou psedoceloma conforme as suas necessidades assim como todos os meios de sobrevivência que possui, mesmo que para isso tenha que parasitar outros seres.






Bibliografia


Biologia Vol. 2 - Os seres vivos
Amabis, Martho e Mizuguchi


Biociência - Seres vivos, morfologia e Taxonomia
Rodrigues e Wladmir




Compton’s Interactive Encyclopedia Multimedia






Componentes do Grupo







Biologia - Microscópio

Aparelho ou Instrumento de óptica destinado à ampliação e observação de pequenos objetos. A ampliação consiste no aumento em grande proporção dos diâmetros aparentes dos objetos a observar. A dois tipos básicos de microscópios: os simples e os compostos. Microscópio simples, também conhecidos como lupas, ampliadores ou lentes de ampliação, contam de lentes que eqüivalha a esse tipo. Algumas são montadas em suportes para maior facilidade de manuseio e melhor observação; tais suportes podem ser fixos ou portáveis, como os usados nas lentes destinados à leitura, sendo classificadas, por alguns autores, em quatro grupos: lentes para leitura, ampliadores de bolso, lupas de relojoeiro e lupas de suportes especiais.
O microscópio composto consta, em essência, de um sistema óptico formado por dois conjuntos de lentes. Esses conjuntos são os da objetiva, voltada para o objeto e que forma no interior do aparelho a imagem do mesmo, e a ocular, que permite ao observador ver essa mesma imagem. A objetiva é fortemente convergente e tem pequena distância focal; já a ocular é menos convergente que a objetiva.
A objetiva e a ocular são colocadas nas extremidades diametralmente opostas de um tubo, o canhão, constituído de duas partes encaixadas, concêntricas, de maneira que se pode alongá-lo e encurtá-lo à vontade, como os tubos telescópios. Essa variação do comprimento do canhão resulta na aproximação ou afastamento conjunto objetiva-ocular do objeto a ser observado. Tal movimento é possibilitado por dois parafusos, o macromético e o micromético, conforme seja rápido ou lento. A distância entre os dois sistemas de lentes é constante, a fim de que a imagem se forme sempre a distância mínima de visão distinta.
O canhão é montado numa armação articulada que sustenta também a platina, chapa sobre o qual é colocada a lâmina de vidro com o objeto a ser observado. O objeto é iluminado pelos raios luminosos provenientes de uma fonte qualquer, natural ou artificial, e concentrados no mesmo por meio de um espelho chamado refletor, que é móvel, e por uma pequena lente, que constitui o condensador.
Para ser ampliado, é necessário que o objeto em observação seja colocado a uma distância do instrumento, pouco maior que a distância focal da objetiva. A ampliação obtida é função das distâncias focais dos dois sistemas de lentes e das distâncias que os separa.
Os microscópios mais antigos eram dotados de uma objetiva simples e, muitas vezes, sistemas de prismas eram usados para fornecer ao instrumento visão binocular. Ainda hoje esse tipo de microscópio é usado, mas seu emprego tem cedido terreno ao microscópio de dupla objetiva, dotado de visão binocular, inventado por Greenough em 1897. Tal aparelho é constituído de dois microscópios, um para cada olho do observador e montado de tal maneira que os raios luminosos que os atravessam se vão concentrar todos no foco comum aos dois sistemas ópticos. O microscópio de objetiva pode ser dotado de visão esterioscópia, para o que são empregados prismas especiais.
Os microscópios fazem uso de grande número de acessórios, que tornam possível o emprego do aparelho em serviços especializados e onde se exige grande precisão. Entre eles contam-se: filtros, discos micrométricos, oculares micrométricas, polarizadores, analizadores e muitos outros. São intensivamente usados nos mais diversos ramos da ciência, tais como biologia, metalurgia, espectroscopia, medicina, geologia e pesquisa científica em geral.
Microscópio eletrônico. O microscópio eletrônico pode ser definido como um aparelho de natureza eletrônica, cuja a finalidade é a obtenção de imagens enormemente ampliadas de pequeníssimos objetos. O primeiro aparelho desse tipo apareceu em 1940, tendo sido consideravelmente desenvolvido a seguir. São muitíssimos mais potentes que os microscópios ópticos e a dinamia, que possibilita o uso das ações de campos magnéticos e elétricos sobre os elétrons

Biologia - METABOLISMO DE LIPIDIOS

METABOLISMO: VIAS PRINCIPAIS

Qualquer organismo vivo constitui um sistema estável de reações químicas e de processos físico – químicos mantidos afastados do equilíbrio; a manutenção desta situação contraria a tendência natural de atingir o equilíbrio e só pode ser obtida à custa de energia, retirada do meio ambiente. Alguns microrganismos são capazes de oxidar compostos inorgânicos – são chamados, então, quimiolitotróficos. A maioria dos microrganismos e todos os animais são, entretanto, quimiorganotróficos, por necessitares de substâncias orgânicas oxidáveis.
Os nutrientes, ao serem oxidados, perdem prótons e elétrons (H + e ) e têm seus átomos de carbono convertidos a CO2 . Os prótons e elétrons são recebidos por coenzimas na forma oxidada, que passam assim à forma reduzida.
METABOLISMO DE CARBOIDRATOS, CICLO DE KREBS E FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA

ESTRUTURA DE CARBOIDRATOS

Os carboidratos são compostos que, em geral, apresentam a fórmulas empírica (CH2O)n e cujos representantes mais simples são chamados açúcares, como, por exemplo, a glicose e a sacarose.
O tipo mais simples de carboidrato é constituído pelos monossacarídios, chamados aldoses ou cetoses, segundo o grupo funcional que apresentam: aldeído ou cetona. Segundo seu número de átomos de carbono, são designados trioses, pentoses, hexoses ou heptoses.
Em soluções aquosas, os monossacarídios com mais de quatro átomos de carbono formam estruturas cíclicas. O anel é formado pela reação do grupo carbonila com uma hidroxila. As formas correspondentes são designadas  e , respectivamente. As formas  e  e aberta mantêm-se em equilíbrio nas soluções, havendo grande predomínio das formas cíclicas sobre a forma aberta, que aparece em pequena proporção.
Oligossacarídios são carboidratos constituídos pela união de um pequeno número de monossacarídios, , através de ligações glicosídicas. Entre eles, os mais comuns são os dissacarídios, a sacarose, formada por glicose e frutose, e a lactose, constituída de glicose e galactose.
Os polissacarídios são polímeros constituídos de centenas ou milhares de resíduos de monossacarídios, geralmente glicose, formando cadeias lineares, ou cadeias ramificadas.




Na celulose, as unidades de glicose são unidas por ligação entre os carbonos 1 e 4: ligações -1-4. As estruturas do glicogênio e do amido são semelhantes variando apenas no número de ramificações da cadeia linear.
As funções dos carboidratos são bastante diversificadas, incluindo a sustentação (celulose e a reserva (glicogênio nos animais, amido nos vegetais), além de poderem eles estar ligado a lipídios e proteínas, formando os glicolipídios e glicoproteínas, componentes de membrana.

OXIDAÇÃO DE GLICOSE A PIRUVATO: GLICÓLISE

A glicose é, quantitativamente, o principal substrato oxidável para a maioria dos organismos, quase todas as células são potencialmente capazes de atender suas demandas energéticas apenas a partir deste açúcar.
Apesar de a dieta humana conter pouca glicose livre, esta aparece em proporções consideráveis como amido, sacarose e lactose.

Todas as células oxidam glicose e piruvato para obter ATP. O piruvato pode ser oxidado a CO2, aumentando muito a produção de ATP

Para obterem ATP a partir de glicose, todas as células lançam mão de sua oxidação parcial a piruvato. Nas células anaeróbicas, a oxidação pára neste ponto. A conversão de glicose a piruvato permite aproveitar apenas uma parcela da energia total da glicose. Nas células aeróbicas, entretanto, o piruvato é subseqüentemente oxidado, trazendo, naturalmente, um enorme ganho na produção de ATP.
A etapa inicial da oxidação da glicose (até piruvato) ocorre através de uma seqüência de reações denominada glicose, uma via metabólica que se processa no citossol. Seus produtos são ATP, (H + e ) , recebido por coenzimas, e piruvato. A posterior oxidação do piruvato é feita no interior da mitocôndria, nas células que dispõe desta organela. Na mitocôndria, o piruvato, um composto de três carbonos, sofre uma descarboxilação, transformando-se em um composto com dois carbonos (C2). Este se combina com um composto de quatro carbonos (C4), dando um composto de seis carbonos (C6). Através de uma seqüência cíclica de reações (ciclo de Krebs), C6 perde dois carbonos sob a forma de CO2 e regenera C4 .
Na mitocôndria o piruvato, é portanto, totalmente oxidado a CO2, com a concomitante produção de grande quantidade de (H + e ), que são recebidos por coenzimas. Da oxidação destas coenzimas pelo oxigênio, deriva-se a grande produção de ATP conseguida pela oxidação adicional do piruvato perfazendo cerca de 90% do total obtido com a oxidação completa da glicose.




As coenzimas que recebem os (H + e ) produzidos na oxidação da glicose são NAD+ e FAD

Nas três etapas da oxidação da glicose – a glicólise, a descarboxilação do piruvato e o ciclo de Krebs – os ( H + e ) são produzidos em reações catalisadas por desidrogenases. Algumas desidrigenases utilizam como coenzima a nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD+), e outras a flavina adenina dinucleotídeo (FAD), derivados, respectivamente, das vitaminas nicotinamida e riboflavina.
Nas reações com participação de NAD+, há transferência de dois elétrons e um próton do substrato para o NAD+, que se reduz a NADH; o outro próton é libertado no meio. O FAD recebe dois elétrons e dois prótons, reduzindo-se a FADH2.

Na glicose ocorrem duas fosforilações por ATP e duas por fosfato inorgânico. Os quatro grupos fosfato são trasnferidos para ADP, formando quatro ATP.

A glicose pode ser dividida em quatro em quatro etapas para salientar os eventos fundamentais desta via:
I – Dupla fosforilação da hexose, à custa de 2 ATP, originando uma hexose com dois grupos fosfato.
II – Clivagem desta hexose, produzindo duas trioses fosforiladas.
III – Oxidação e nova fosforilação, desta vez por fosfato inorgânico (P1) das trioses fosfatos, formando duas moléculas de um intermediário para ADP; formando 4 ATP e 2 piruvatos.
IV – Transferência dos grupos fosfato deste intermediário para ADP; formando 4 ATP e 2 piruvatos.
Estas quatro etapas são compostas por 10 reações seqüências que compõe a glicose.
Etapa I. A fosforilação da glicose por esterificação da hidroxila do carbono 6 com
fosfato inorgânico é uma reação inaviável, por ter G ‘’’ positivo. Por isso, na etapa I da glicólise, os organismos efetuam a fosforilação da glicose através de uma reação é essencialmente irreversível e catalisada por quinases. Na maioria dos organismos e tecidos, a enzima que catalisa a fosforilação da glicose é a hexoquinose e, no fígado, a glicoquinase.


Etapa II. Nesta etapa, a clivagem da frutose 1,6 bifosfato em diidroxiacetona fosfato e gliceraldeído 3-fosfato é catalisada por aldolase. Estas duas trioses fosforiladas são isômeras e, a semelhança do que ocorre com glicose 6-fosfato e frutose 6-fosfato, devem ser gliceraldeído 3-fosfato possibilita que todos os carbonos da glicose sejam oxidados a piruvato, apesar de apenas o gliceraldeído 3-fosfato ser substrato da próxima enzima e poder, portanto, prosseguir pela via glicolítica. Desta reação em diante, a via terá todos os seus intermediários duplicados. O conjunto das duas reações processa-se no sentido da formação de gliceraldeído 3-fosfato, graças à retirada contínua deste composto pelas reações subseqüentes.
Etapa III. As duas moléculas de gliceraldeído 3-fosfato obtidas por fosforilação à custa de 2 ATP são novamente fosforiladas, agora por fosfato inorgânico, formando duas moléculas de 1,3 disfoglicerato; deste modo, o substrato, um aldeído, é oxidado a um ácido. O substrato liga-se covalente a um grupo a um grupo SH da enzima e, por reação com fosfato inorgânico, forma-se uma ligação anidrido fosfórico rica em energia e reduz-se um NDA+ fortemente ligado à enzima.
Etapa IV. Compreende dois eventos de formação de ATP. Na reação catalisada pela fosfoglicerato quinase, o grupo fosfato da ligação anidrido é suficientemente rico em energia para poder ser transferido ao ADP, produzindo ATP. A fosfoglicerato mutase, um tipo particular de isomerase, catalisa essa transferência intramolecular do grupo fosfato. O processo envolve a formação intermediária de um composto difosforilado (2,3-difosfogliceraro), originado por doação de um grupo fosfato da própria enzima ao substrato. Em seguida,


a enolase promove a desidratação do 2-fosfoglicerato, originando o fosfoenolpiruvato. A formação deste composto, possibilita a síntese de ATP na reação subseqüente, irreversível, catalisada pela piruvato quinase.
A glicólise tem, portanto, um rendimento de 2 ATP: para cada molécula de glicose são produzidos 4 ATP (2 por triose), dos quais devem ser descontados os 2 ATP consumidos na etapa 1.

* O NADH produzido na glicólise pode ser oxidado anaerobicamente: o piruvato é convertido a lactato ou etanol

A equação geral da glicólise é:

A oxidação da glicose e a produção de ATP estão associadas à redução de NDA+. Como o NDA+ existe nas células em concentrações limitantes, a manutenção do funcionamento da glicólise depende da reoxidação do NADH. Em aerobiose, utilizam o oxigênio para oxidar o NADH; em anaerobiose, o próprio piruvato produzido pela glicólise serve como aceptor dos elétrons do NADH, sendo reduzido a lactato.
Este é o processo utilizado por algumas espécies de bactérias e pelas fibras musculares submetidas a esforço intenso. Em outros organismos, como as laveduras, o piruvato é descarboxilado, originado, que servindo como aceptor dos elétrons do NADH, se reduz a etanol:
A oxidação anaeróbica da glicose é chamada fermentação (lática ou alcóolica, segundo o produto final). As fermentações são processos auto-suficientes, ou seja, independem de outras vias por serem capazes de regenerar as coenzimas que utilizavam para produção de ATP.

CONVERSÃO DE PIRUVATO A ACETIL-CoA

Em condições aeróbicas, o primeiro passo para a oxidação total do piruvato é a sua conversão a acetil – CoA. Nas células eucarióticas, o piruvato do citossol entra na mitocôndria, onde é transformado em acetil – CoA, conectando, portanto, a glicólise e o ciclo de Krebs.
O piruvato é convertido a acetil – CoA, através de uma descarboxilação oxidativa, de acordo com a equação.:

A reação de formação de acetil – CoA a partir de piruvato é irreversível e ocorre em quatro etapas seqüenciais, catalisadas por um sistema multienzimático, chamado complexo piruvato desidrogenase.
Uma única partícula do complexo piruvato desidrogenase é maior do que um ribossomo e consiste em um núcleo central formado por dezenas de moléculas de diidrolipoli transacetilase cada uma com dois resíduos de ácido lipóico), as quais se associam dezenas de moléculas de piruvato desidrogenase e diidrolipoli desidrogenase. Fazem parte ainda da partícula várias moléculas de quinase e fosfatase, responsáveis pela regulação da atividade do próprio complexo, através de fosforilação e desfosforilação.
A primeira etapa é a descarboxilação do piruvato pela piruvato desidrogenase, que transfere o grupo hidroxietil para o TPP, em uma reação análoga à do piruvato descarboxilase, que participa da fermentação alcóolica. Em seguida, a diidrolipoli transacetilase oxida o grupo hidroxietil a acetil, ligando-o ao ácido lipóico. Nesta oxidação, os elétrons são transferidos para o ácido lipóico (forma dissulfeto), reduzindo-o a ácido acetil lipóico. A mesma enzima transfere o grupo acetil para coenzima. A, formando acetil – CoA. O ácido lipóico (forma ditiol) é reoxidado pela diidrolipoli desidrogenase, uma flaoproteína contendo FAD como grupo prostético, que recebe os (H+ + e-) e os transfere finalmente para o NAD+. O NADH formado será oxidado na cadeia de transporte de elétrons.

CICLO DE KREBS

O piruvato proveniente de glicose origina acetil-CoA mitocondrial. Além da glicose, vários aminoácidos produzem piruvato e, portanto, acetil-CoA, ao serem degradados. A acetil-CoA pode, portanto, ser originária de carboidratos, aminoácidos e ácidos graxos e, qualquer que seja sua proveniencia, será totalmente oxidada a CO2 pelo ciclo de Krebs, com a concomitante produção de coenzimas reduzidas.
O ciclo de Krebs inicia-se com a condensação de acetil – CoA e oxaloacetato, formando citrato, uma reação catalisada pelo citrato sintase. O citrato é isomerizado a isocitrato por ação da aconitase, com a formação intermediária de cis-aconitato. A isocitrato desidrogenase catalisa a oxidação de isocitrato a -cetoglutrato, com redução de NDA+ e liberação de CO2. O -cetoglutrato é então transformado a succinil-CoA, numa reação catalisada pela -cetoglutrato desidrogenase, um complexo enzimático semelhante ao complexo piruvato desidrogenase. A succinil – CoA sintetase catalisa a transformação de succinil – CoA a succinato, numa reação que forma GTP (guanosina trifosfato), a partir de GDP (guanosina difosfato) e P. O GTP tem o mesmo nível energético do ATP e, portanto, a formação de GTP equivale à formação de ATP: o GTP pode reagir com ADP, dando ATP e regenerando GDP, por ação da nucleosídio difosfato quinase. A succinato desidrogenase é a única enzima do ciclo de Krebs que é parte integrante da membrana interna da mitocôndria: as demais estão em forma solúvel na matriz mitocondrial. O fumarato é hidratado a malato pela furmarase.
Como o oxaloacetato é sempre regenerado ao final de cada volta, o ciclo de Krebs pode oxidar acetil-CoA continuamente, sem gasto efetivo de oxaloacetato

O ciclo de Krebs depende da cadeia de transporte de elétrons para a reoxidação de coenzimas.

A equação de Krebs é:

Acetil-CoA + 3NAD+ + FAD + GDP +Pi + 2H2O
2CO2 + 3NADH + 2H+ + FADH2 + GTP + HS-CoA

Embora o ciclo de Krebs produza diretamente apenas 1 ATP, contribui para a formação de grande parte do ATP produzido pela célula, pois a energia da oxidação da acetil-CoA é conservada sob a forma de coenzimas reduzidas e, posteriormente, usada para síntese de ATP.
A oxidação das coenzimas é obrigatoriamente feita pela cadeia de transporte de elétrons e, portanto, o ciclo de Krebs, ao contrário da glicose, só pode funcionar em condições aeróbicas.

A redução de coenzimas não é a única função do ciclo de Krebs

A mais importante é a que leva à formação de oxaloacetato a partir de piruvato, catalisada pela piruvato carboxilase. A degradação de vários aminoácidos também produz intermediários do ciclo de Krebs.
Por outro lado em plantas e certas bactérias, o ciclo de Krebs aparece complementando por duas reações adicionais, que permitem a produção líquida de intermediários do ciclo a partir de acetil-CoA. Este “novo” ciclo, chamado ciclo do glioxilato, será descrito a seguir.

O ciclo do glioxiato permite a síntese de glicose a partir de acetil-CoA

Nos vegetais e em algumas bactérias, encontra-se uma via alternativa de metabolismo de acetil-CoA, chamada ciclo do glioxilato. Esta via consiste de uma modificação do ciclo de Krebs, por acréscimo de duas enzimas ausentes de tecidos animais: a isocitrato liase e a malato sintase.
Nestes organismos, o isocitrato é cindido pela isocitrato liase em succinato e glioxilato. O glioxiliato condensa-se com acetil-CoA, produzindo malato, numa reação catalisada pela malato sintase.
Nos vegetais, este ciclo localiza-se em organelas chamadas glioxissomas, que também efetuam a beta-oxidação de ácidos graxos e têm, portanto, uma fonte de acetil-CoA.
Finalmente, o malato será transformado em glicose no citossol. O ciclo do glioxilato, desta forma, permite a conversão de acetil-CoA introduzida, são liberadas duas moléculas de CO2, não havendo, punho líquido de carbonos para a formação de oxaloacetato.

CADEIA DE TRANSPORTE DE ELÉTRONS

O substrato doador de elétrons é, invarialmente, uma coenzima reduzida, e o aceptor final de elétrons, o oxigênio. A maioria dos transportadores de elétrons tem natureza protéica, contendo grupos prostéticos associados à cadeia polipeptídica; a óxido-redução do composto se processa no grupo prostético.

Os transportadores de elétrons estão agrupados em 4 complexos

Complexo I (NADH-CoQ redutase): NADH desidrogenase
Proteínas ferro-enxofre
Complexo II (succinato-CoQ redutase): Succinato desidrogenase
Proteínas ferro-enxofre
Citocromo b
Complexo III (CoQ-citocromo e redutase): Citocromos b e c 1
Proteínas ferro-enxofre
Complexo IV (citocromo c oxidase): Citocromos a e a3
Átomos de cobre

Estes complexos são conectados entre si através de dois outros transportadores, que também fazem parte da membrana interna: coenzima Q e citocromo c.
As coenzimas Q ou ubiquinona (CoQ) é uma quinona com uma longa cadeia isoprênica lateral. Existem várias formas de CoQ, que diferem pelo número dessas unidades isoprêmicas.
As características hidrofóbicas da CoQ permitem sua mobilidade na fase lipídica da membrana, ao contrário dos outros componentes da cadeia de transporte de elétrons, que têm posições fixas. A coenzima Q, ao reduzir-se, recebe 2H+ e 2- e, passando então à forma CoQH2.

FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA

Os componentes da cadeia de transporte de elétrons apresentam-se organizados em ordem crescente de potenciais de óxido-redução, desde as coenzimas reduzidas até o oxigênio. Desta forma, as transferências de elétrons de um componente para o seguinte constituem reações de óxido-redução que se processam sempre com liberação de energia, que é aproveitada para síntese de ATP. O processo chamado fosforilação oxidativa refere-se à fosforilação do ADP a ATP, utilizando a energia liberada por essas reações de óxido-redução.

A energia do transporte de elétrons é aproveitada para a formação de um gradiente de prótons, que possibilita a síntese de ATP

O acoplamento do transporte de elétrons à síntese de ATP é explicado pela teoria quimiosmótica de acoplamento. Segundo esta teoria, a energia do transporte de elétrons é primeiramente utilizada para bombear prótons para o exterior da mitocôndria.
A conseqüência do bombeamento é a produção de um gradiente de prótons, isto é, uma concentração diferente de prótons dentro e fora da mitocôndria, que é expressa como uma diferença de pH e uma diferença de carga elétrica. O gradiente assim formado constitui uma força próton-motriz capaz de levar à síntese de ATP: como a membrana interna é impermeável a prótons, estes só podem retornar ao interior da mitocôndria e desfazer o gradiente através de sítios específicos da membrana interna, constituídos pelo complexo sintetizador de ATP: a ATP sintetase.

A ATP sintetase constitui as microesferas da membrana interna da miticôndria


Muitos resultados experimentais apoiam a teoria quimiosmótica

A teoria quimiosmótica vem sendo consubstanciada por um número crescente de evidências experimentais. A fosforilação oxidativa em mitocôndrias intactas ou em vesículas fechadas, compatíveis com a formação de um gradiente de prótons. As medidas de concentração de prótons durante o transporte de elétrons revelam acúmulo de prótons no exterior da mitocôndria ou no interior de vesículas invertidas. A síntese de ATP pode ser obtida mesmo na ausência de transporte de elétrons, desde que exista o gradiente de prótons.
É importante assinalar que, apesa5r dos progressos obtidos nesta área, ainda são mal conhecidos pontos fundamentais da fosforilação oxidativa, como o mecanismo do bombeamento de prótons e a seqüência de eventos que, finalmente, provocam a síntese de ATP quando os prótons retornam ao interior da mitocôndria pela ATP sintetase.

As velocidades do transporte de elétrons e da síntese de ATP são reguladas pela concentração de ADP

O transporte de elétrons e a síntese de ATP são processos acoplados, isto é, só há oxidação de coenzimas (com consumo de oxigênio) se houver síntese de ATP, e vice-versa. Os substratos destes processos são: coenzimas reduzidas, oxigênio, ADP e Pi. Dentre estes, o ADP é o único que atinge concentrações limitantes nas células, sendo, por isso, o regulador de ambos os processos de ADP chama-se controle respiratório.
A velocidade das vias que dependem da reciclagem de coenzimas oxidadas pela cadeia respiratória (por exemplo, o ciclo de Krebs) é também regulada pela razão ATP/ADP. Além disso, o próprio ADP participa de regulações alostéricas dessas vias (Regulação do Metabolismo.).
O resultado do controle respiratório e da ação alostérica do ADP é, então, um perfeito ajuste entre a velocidade de produção de coenzimas reduzidas e a velocidade de sua oxidação pela cadeia de transporte de elétrons, com produção de ATP. Este ajuste fino regulará, portanto, a produção de energia pela célula.

Em condições especiais, o transporte de elétrons pode ocorrer sem a síntese de ATP

Algumas substâncias lipofílicas, capazes de dissociar o transporte de elétrons da fosforilação oxidativa, são chamadas desacopladores. Quando os dois processos são desacoplados, o transporte de elétrons, termodinamicamente autônomo, pode prosseguir; a síntese de ATP pára.
A produção de calor artificialmente provocada pela presença de desacopladores tem seu correspondente fisiológico no tecido adiposo marrom. A membrana da mitocôndria deste tecido contém, além da ATP sintetase, uma proteína transportadora de prótons. Assim, o gradiente de prótons nunca se estabelece com a mesma eficácia, e uma fração considerável da energia derivada do transporte de elétrons é continuamente dissipada como calor. Desta forma, a oxidação de substratos neste tecido corresponde a uma termogênase, importante na proteção de certas zonas corpóreas de recém-nascidos e na recuperação de temperatura normal de animais em hibernação.
A oligomicina é um inibidor da ATP sintetase

A oligomicina é um antibiótico que inibe tanto a síntese de ATP quanto o transporte de elétrons. Esta inibição é provocada pela ligação do antibiótico ao componente Fo da ATP sintetase, que se torna então impermeável a prótons.

A fosforilação ao nível do substrato não é afetada por desacopladores

Chama-se fosforilação ao nível do substrato a síntese de ATP em reações que fazem parte da glicólise e do ciclo de Krebs e que utilizam como substratos compostos ricos em energia: 1,3 difosfoglicerato, fosfoenolpiruvato e succenil-CoA.
Na reação de óxido-redução, a energia é acumulada em uma ligação com fosfato ou CoA. Na reação seguinte, a ligação com fosfato ou CoA é rompida e a energia é utilizada para a síntese de ATP ou GTP:
A produção de ATP pela fosforilação ao nível do substrato responde por uma pequena fração do total produzido em condições aeróbicas e, por ser independente do transporte de elétrons não é afetada por desacopladores.

A oxidação completa da glicose produz 38 ATP

O cômputo geral de produção de ATP pela oxidação da glicose pode ser obtiso a partir das equações gerais das etapas em que o processo se divide, ou seja:

a) oxidação de glicose a 2 piruvato
b) oxidação de 2 piruvato a 2 acetil-CoA
c) oxidação de 2 acetil-CoA pelo ciclo de Krebs
d) oxidação das coenzimas pela cadeia de transporte de elétrons e fosforilação oxidativa.
A formação de ATP por fosforilação ao nível do substrato e por fosforilação
oxidativa está discriminada no quadro seguinte:
A oxidação biológica da glicose em condições aeróbicas produz, portanto, 38 ATP.

Oxidação do NADH citossólico

A membrana interna da mitocôndria é impermeável a NDA- e NADH e, portanto, a oxidação ao NADH citossólico não pode ser feita diretamente pela cadeia de transporte de elétrons. Os elétrons do NADH são transferidos para um composto citossóluco, que transporta os elétrons para a mitocôndria, onde é oxidado. O composto oxidado retorna ao citossol, permitindo a continuidade do processo. Há dois sistemas, chamados lançadeiras, que cumprem esta função:
1. Lançadeira do glicerol fosfato.
2. Lançadeira do malato-aspartato.

TRANSPORTE DE METABÓLITOS ATRAVÉS DA
MEMBRANA INTERNA DA MITOCÔNDRIA

A membrana interna da mitocôndria, ao contrário da membrana externa, é impermeável a compostos com carga elétrica e íons. O acesso de muitos metabólitos à matriz mitocondrial ou ao citoplasma é garantido pela existência de sistemas de sistemas transportadores presentes na membrana interna da mitocôndria.
Uma das permeases da membrana interna da mitocôndria mais bem conhecida é a adenina nucleotídio translocase ou ATP/ADP translocase. Esta translocase efetua a troca de uma molécula de ATP da matriz mitocondrial por uma molécula de ADP externa. Se a concentração extramitocondrial de ATP se eleva, falta ADP para troca e não há saída de ATP.
A atuação da ATP/ADP transloca-se á coadjuvada por outra proteína, chamada fosfato translocase, que permite a entrada de fosfato na mitocôndria, acompanhada da saída de OH-. O transporte de fosfato é inibido por reagentes específicos para grupos sulfidrila, como a N-etil-meleimida.
A membrana interna da mitocôndria apresenta, ainda, vários outros sistemas de transporte, sendo importantes os seguintes:
1. Dicarboxilato translocase. Promove a troca de dicarboxilatos (malato, succinato e furmarato) por fosfato, ou a troca de um descarboxilato por outro.
2. Tricarboxilato translocase. Efetua o antiporte de citrato ou isocitrato por malato.
3. Piruvato translocase. Permite a entrada do piruvato produzido no citossol e a saída de OH-.
4. Glutamato translocase. Específica para glutamato, que pode ser trocado por aspartato ou OH-.

VIA DAS PENTOSES FOSFATO

A via das pentoses fosfato é uma via alternativa de oxidação de glicose e a única via de produção de ribose 5-fosfato, a pentose constituinte dos nucleotídios que compõe os ácidos nucleicos e várias coenzimas.
A glicólise e em outras vias degradativas, o substrato é oxidado, gerando coenzimas reduzidas cuja oxidação produz ATP. Na síntese de muitos compostos ocorre o reverso: há consumo de ATP e redução do substrato. O doador de elétrons para esta redução não é o NADH, mas uma coenzima semelhante: a nicotinamida adenina dinucleotídio fosfato (NADPH0. É na via das pentoses fosfato que o NADP+ é reduzido a NADPH.

De fato, nesta via, a energia derivada da oxidação da glicose é armazenada sob a forma de poder redutor (NADPH) e não de ATP como na glicólise.

A via das pentoses consta de uma parte oxidativa, que produz NADPH, e uma parte não oxidativa, que interconverte açúcares fosforilados

A via das pentoses fosfato compreende uma etapa inicial, oxidativa, em que a glicose 6-fosfato é convertida a ribulose 5-fosfato por suas oxidações sucessivas, catalisadas por desidrogenase específicas para NADP+. A equação geral desta etapa é:

Glicose 6-fosfato + 2 NADP+ + H2O Ribulose 5-fosfato + 2(NADPH + H+) + CO2

GLICOGÊNIO: DEGRADAÇÃO E SÍNTESE

O glicogênio é um polímero de glicose e constitui uma forma de armazenamento deste açúcar; é utilizado principalmente pelo fígado e músculos quando a oferta de glicose supera as necessidades energéticas imediatas destes órgãos.
O glicogênio hepático degradado produzindo glicose, que é exportada para manter a glicemia (concentração de glicose sanguínea) nos períodos entre as refeições e no jejum noturno. O glicogênio muscular provê energia exclusivamente para a própria fibra muscular em contração intensa, quando a demanda energética ultrapassa o aporte de oxigênio, sendo, então, convertido a lactato.
O glicogênio é um polissacarídio altamente ramificado. Os resíduos de glicose são unidos por ligações glicosídicas entre os carbonos 1 e 4 (ligações  - 1, 4) nos segmentos lineares, e as ramificações são formadas por ligações entre os carbonos 1 e 6 (ligações  - 1, 6). O glicogênio apresenta dois tipos de extremidades, chamadas redutora e não redutora.

A degradação do glicogênio produz glicose 1-fosfato

A degradação do glicogênio consiste na remoção sucessiva de resíduos de glicose, a partir das extremidades não redutoras, por ação da glicogênio fosforilase. Esta enzima quebra a ligação  - 1,4 por reação com fosfato, liberando um resíduo de glicose como glicose 1-fosfato.
A ação da glicogênio fosforilase prossegue ao longo da cadeia, terminando 4 resíduos antes de uma ramificação. Uma transferase transfere 3 destes resíduos para uma outra extremidade do glicogênio, neste ponto, um resíduo de glicose unido por uma ligação -1,6. Esta ligação é hidrolisada por uma -1,6 glicosidase, também chamada enzima desramificadora.
A degradação, entretanto, não é completa, restando um núcleo não degradado que serve de ponto de partida para a ressíntese.

A síntese de glicogênio utiliza como precursor uma forma ativada de glicose e gasta 2 ATP por glicose incorporada

O glicogênio é sintetizado por uma via diferente da via de degradação. A síntese consiste na repetida adiação de resíduos de glicose às extremidades não redutoras de um núcleo de glicogênio. A glicose a ser incorporada deve estar sob uma forma ativada, ligada a um nucleotídio de uracila, constituindo a uridina difosfato (UDP-G). O UDP-G é produzido, a partir de glicose, pela seguinte série de reação:

Glicose + ATP Glicose 6-fosfato + ADP + H+

Glicose 6-fosfato Glicose 1-fosfato

Glicose 1-fosfato + UTP UDP-G + PPi

Esta última reação é catalisada pela glicose 1-foafato uridil transferase. O UDP-G substrato da glicocogênio sintase, a enzima que, efetivamente, catalisa a síntese:

Glicose
UDP-G + (Glicose)n (Glicose)n + 1 + UDP
Sintase

O UDP produzida na reação catalisada pela glicogênio sintase é reconvertido a UTP a custa de ATP pela nucleosídio difosfato quinase, e o pirofosfato (HP2O3/7- ou Ppi) é hidrolisado por ação de pirofosfatase, produzindo fosfato inorgânico (HPO 3/4- ou Pi):

UDP + ATP UTP + ADP
Ppi + H2O 2Pi + H+

A soma de todas as reações acima é:

Glicose + 2 ATP + (Glicose)n + H2O (Glicose)n + 1 + 2 ADP + 2Pi

Mostrando um gasto de 2 ATP para cada resíduo de glicose incorporado so glicogênio.

METABOLISMO DE FRUTOSE E GALACTOSE

A sacarose dietária constitui uma fonte quantativamente importante de monossacarídios para o homem; a lactose, o açúcar presente no leite, tem importância principalmente nos primeiros meses de vida. Estes dissacarídios são hidrolisados no intestino delgado, por sacarose e lactose, respectivamente. A sacarose produz glicose e frutose; lactose libera glicose e galactose.
Não sendo hidrolisada, a lactose permanece no intestino delgado, onde sofre fermentação bacteriana de sua conversão a intermediários da glicólise.
A frutose é convertida a diidroxiacetona fosfato e gliceraldeído 3-fosfato, através das seguintes reações:
Em outros tecidos (adiposo e músculo), a frutose é convertida a frutose 6-fosfato pela hexoquinase:

Frutose + ATP Frutose 6-fosfato + ADP + H+

METABOLISMO DE LIPÍDIOS

Os triagliceróis são os lipídios mais abundantes da dieta e constituem a forma de armazenamento de todo o excesso de nutrientes, quer este excesso seja ingerido sob a forma de carboidratos, proteínas ou dos próprios lipídios. Representam, portanto, a principal reserva energética do organismo, perfazendo, em média, 20% do peso corpóreo, o que equivale a uma massa 100 vezes maior do que a do glicogênio hepático. Os triagliceróis são armazenados nas células adiposas, sob forma anidra, e podem ocupar a maior parte do volume celular.

DEGRADAÇÃO DE TRIAGLICERÓIS E ÁCIDOS GRAXOS

A mobilização do depósito de triagliceróis é obtida por ação de lipases, presentes nos adipócitos, que hidrolisam os triacilgliceróis a ácidos graxos e glicerol, oxidados por vias diferentes.
O glicerol não pode ser reaproveitado pelos adipócitos, que não têm glicerol quinase, sendo então liberado no sangue. No fígado, por ação da glicerol quinase, é convertido a glicerol 3-fosfato e transformado em diidroxiacetona fosfato, um intermediário da glicose ou da gliconeogênese.
O gliceros não pode ser reaproveitado pelos adipócitos, que não têm glicerol quinase, sendo então liberado no sangue. No fígado, por ação da glicerol quinase, é convertido a glicerol 3-fosfato e transformado em diidroxiacetona fosfato, um intermediário da glicólise ou da glicogênese.
Os ácidos graxos liberados pelos adipócitos são transportados pelo sangue ligados à albumina e utilizados, principalmente pelo fígado e músculos, como fonte de energia. Sua degradação, como se verá a seguir, é feita por uma via especial, que se processa no interior das mitocôndrias.

Para sua oxidação, os ácidos graxos são ativados e transportados
Para a matriz mitocondrial

Em uma etapa que precede sua oxidação, as ácidos graxos são ativados por conversão a acil-CoA, por ação de acil-CoA sintetases, presentes na membrana externa da mitocôndria.
Nesta reação, forma-se uma ligação tioéster entre o grupo carboxila do ácido graxo e o grupo SH da coenzima. A, produzindo uma acil-CoA. As acil-CoA, como a acetil-CoA, são compostos ricos em energia: a energia derivada da clivagem do ATP em adenosina monofosfato (AMP) e pirofosfato inorgânico (PPi), com a quebra de uma ligação anidrido fosfórico, é utilizada para formar a ligação tioéster. O pirofosfato é hidrolisado a 2 Pi, numa reação irreversível, o que torna o processo de ativação do ácido graxo a acil-CoA também irreversível.
A membrana interna da mitocôndria é impermeável a coenzima A e a acil-CoA. Para a introdução dos radicais acila na matriz mitocondrial, é utilizado um sistema específico de transporte na face externa da membrana interna, a carnitina-acil transferase I transfere o radical acila para a carnitina, e, na face interna, a carnitina-acil transferase II doa o grupo acila da acil-carnitina para uma coenzima. A da matriz mitocondrial, liberando a carnitina.

A acil-CoA é oxidada a acetil-CoA, produzindo NADH e FADH2

A acil-CoA presente na matriz mitocondrial é oxidada por uma via denominada -oxidação no ciclo de Lynen. Esta via consta de uma série cíclica de quatro reações, ao final das quais a acil-CoA é encurtada de dois carbonos, que são liberados sob a forma de acetil-CoA. As quatro reações são:
1. oxidação da acil-CoA a uma enoil-CoA (acil-CoA -instaurada) de configuração trans com formação de FADH2;
2. hidratação da dupla ligação, formando o isômero L da 3-hidroxiacil-CoA;
3. oxidação do grupo hidroxila a carbonila, com formação de -cetoacil-CoA e NADH;
4. quebra da -cetoacil-CoA por uma molécula de CoA, com formação de acetil-CoA e uma acil-CoA com dois carbonos a menos; esta acil-CoA refaz o ciclo várias vezes, até ser totalmente convertida a acetil-CoA.

A oxidação do ácido palmítico produz 129 ATP

A oxidação completa de um ácido graxo exige a cooperação entre o ciclo de Lynen, que converte o ácido graxo a acetil-CoA, e o ciclo de Krebs, que oxida o radical acetil a CO2.
Em cada volta do ciclo de Lynen, há produção de 1 FADH2, 1 NADH, 1 acetil-CoA e 1 acil-CoA com dois átomos de carbono a menos que o ácido graxo original.
Sempre que o número de átomos de carbono do ácido graxo for par, a última volta do ciclo de oxidação inicia-se com uma acil-CoA de quatro carbonos, a butiril-CoA, e, neste caso, são produzidas 2 acetil-CoA, além de FADH2 e NADH.
O número de voltas percorridas por um ácido graxo até sua conversão total a acetil-CoA dependerá, naturalmente, do seu número de átomos de carbono. Assim sendo, para a oxidação completa de uma molécula de ácido palmítico, que tem 16 átomos de carbono, são necessárias sete voltas no ciclo, com a produção de 8 acetil-CoA. A oxidação de cada acetil-CoA no ciclo de Krebs origina 3 NADH, 1 FADH2 e 1 GTP. Pela fosforilação oxidativa completa do formam, respectivamente, 3 e 2 ATP. A produção de ATP formado (131) deve ser descontado o gasto inicial na reação de ativação do ácido graxo, onde há conversão de ATP e AMP + 2Pi e, portanto, consumo de duas ligações ricas em energia, o que equivaleria a um gasto de 2 ATP. O rendimento final da oxidação do ácido palmítico será, então, 129 ATP.

A -oxidação dos ácidos graxos com número ímpar de átomos de carbono produz
Propionil-CoA, que é convertida a succinil-CoA

Os ácidos graxos com número ímpar de átomos de carbono constituem uma pequena fração dos ácidos graxos da dieta e são também oxidados pela via da -oxidação. Neste caso, entretanto a última volta do ciclo de Lynen inicia-se com uma acil-CoA de cinco carbonos e produz uma molécula de acetil-CoA e uma de propionil-CoA, ao invés de duas de acetil-CoA. Para sua oxidação, a propionil-CoA é convertida a succinil-CoA, análoga à carboxilação de piruvato a oxaloacetato e que também requer botina como coenzima. A conversão de D-metilmalonil-CoA a succinil-CoA é feita em duas etapas: transformação do isômero D em L e isomerização deste último composto utilizando 5+-adenosil-cobalamina, um derivado da vitamina B12, como coenzima.

A oxidação de ácidos insaturados também requer enzimas adicionais

Os ácidos graxos insaturados são muito comuns em tecidos animais e vegetais, e suas duplas reações apresentam quase sempre a configuração cis. Para sua oxidação, além das enzimas da oxidação, são necessárias duas enzimas adicionais: uma epimerase é uma isomerase.
Após a remoção de algumas unidades de dois carbonos (acetil-CoA) pelo ciclo de Lynen, o ácido graxo insaturado originará uma  -enoil-CoA ou uma  -enoil-CoA, segundo a posição original da dupla ligação no ácido graxo.
A cis- -enoil-CoA é substrato para a enoil-CoA hidratase, mas o produto formado é o D-3-hidroxiacil-CoA, ao invés do isômero L, formado na oxidação de ácidos graxos saturados. A etapa seguinte é catalisada pela 3-hidroxiacil-CoA, que só reconhece isômeros L.

Portanto o isômero D deve ser convertido em L por ação de uma epimerase, para seguir as reações subseqüentes da -oxidação.

O fitol, componente da clorofila, é oxidado por alfa e beta-oxidação

A clorofila é um componente quantitativamente importante da alimentação de muitos animais. Um dos substituíntes do núcleo pirrólico da clorofila é o fitol, um álcool com uma longa cadeia alifática, que pode ser oxidado a ácido fitânico, um componente minoritário de gorduras, leite e derivados. O ácido fitânico, por conter um radical metil no carbono , não é reconhecido pela acil-CoA desidrogenase, que catalisa a primeira reação da -oxidação. Esta situação é contornada pela hidroxilação do carbono  do ácido fitânico (-oxidação), seguida por descarboxilação. O ácido pristânico produzido tem o radical metil agora no carbono  e apresenta o carbono  não-substanciado, podendo ser ativado e oxidado pelo ciclo de Lynen. Devido à presença dos radicais metil, a oxidação da pristanoil-CoA produz, alternadamente, propionil-CoA.
A deficiência hereditária de enzima que promove a -oxidação resulta em acúmulo de ácido pristânico no sangue e nos tecidos, com lesão do sistema nervoso central (moléstia de Refsum)

No fígado, a acetil-CoA pode ser convertida a corpos cetônicos, oxidados por tecidos extra-hepáticos

No fígado, uma pequena quantidade de acetil-CoA é normalmente transformada em acetoacetato -hidroxibutirato. Estes dois metabólitos e a acetona, formada espontaneamente pela descarboxilação do acetoacetato, são chamados em conjunto de corpos cetônicos, e sua síntese, de cetogênese. Esta ocorre na matriz mitocondrial, através da condensação de três moléculas de acetil-CoA em duas etapas. Na primeira, catalisada pela tiolase, duas moléculas de acetil-CoA originam acetoacetil-CoA. Esta reação, quando transcorre no sentido oposto, constitui a última reação da última volta do ciclo de Lynen. A reação de acetoacetil-CoA com uma terceira molécula de acetil-CoA forma 3-hidroxi-3-metilglutaril-CoA (HMG-CoA). Sua clivagem origina acetoacetato e acetil-CoA. O acetoacetato produz -hidroxibutirato e acetona.
Os corpos cetônicos são liberados na corrente sangüínea, e o acetoacetato e o -hidroxibutirato são aproveitados, principalmente pelo coração e músculos, como fonte de energia. Estes órgãos são capazes de utilizar os dois compostos por possuírem uma enzima, a -cetoacil-CoA transferase, ausente do fígado. Esta enzima catalisa a transferência de CoA de succinil-CoA para acetoacetato, formando acetoacetil-CoA é um intermediário do ciclo de Lynen e, por ação da tiolase, é cindida em duas moléculas de acetil-CoA, que podem ser oxidadas pelo ciclo de Krebs. O aproveitamento do -hidroxibutirato é feito por sua prévia transformação em acetoacetato, através da ação da -hidroxibutirato desidrogenase.
A produção de corpos cetônicos é, portanto, um processo que permite a transferência de carbonos oxidáveis do fígado para outros órgãos. Esta produção é anormalmente alta quando a degradação de triagliceróis aumenta muito sem ser acompanhada por degradação proporcional de carboidratos. É o que ocorre quando há redução drástica da ingestão de carboidratos (jejum ou dieta) ou distúrbio de seu metabolismo (diabetes). Como a produção ultrapassa o aproveitamento pelos tecidos extra-hepáticos (cetose), os corpos cetônicos aparecem no plasma em concentração elevada (cetonemia), levando a uma acidose, isto é, uma diminuição do pH sangüíneo. Em casos de cetose acentuada, o cérebro pode obter parte da energia que necessita por oxidação dos corpos cetônicos.

O etanol é oxidado a acetil-CoA

O etanol ingerido pelo homem é prontamente absorvido e, no fígado, é oxidado a acetaldeído pela álcool desidrogenase citoplasmática, em uma reação idêntica à última etapa da fermentação alcoólica por leveduras:

O equilíbrio da reação favorece a formação de etanol, mas sua oxidação prossegue graças a conversão de acetaldeído em acetato, catalisada pela acetaldeído desidrogenase mitocondrial:

O acetato, à semelhança dos ácidos graxos, origina acetil-CoA por ação da acil-CoA sintetase. Neste ponto, o metabolismo do etanol confunde-se com o metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas, que também originam acetil-CoA. Deste modo, o consumo de quantidade discretas de etanol significa consumo adicional de calorias, que devem ser adicionadas às calorias derivadas na ingestão de nutrientes no cômputo das calorias totais da dieta. Todavia, a ingestão de grandes quantidades de etanol e, principalmente, o alcoolismo crônico têm conseqüências muito danosas para o organismo.
Alguns efeitos metabólicos do álcool no fígado são resultado da produção de níveis altos de NADH no citossol, onde normalmente a concentração de NAD+ é muito maior do que a de NADH. A alta concentração de NADH resultante da oxidação do etanol desloca a reação catalisada pela lactato desidrogenase no sentido da formação de lactato, cuja concentração pode aumentar de até cinco vezes, levando, portanto, a uma acidose. A baixa concentração de piruvato resultante impossibilita a gliconcogênese. Como, muitas vezes, a ingestão de álcool não é acompanhada de ingestão de nutrientes, pode ocorrer hipoglicemia e, finalmente, coma. A produção de acetil-CoA associada à baixa disponibilidade de glicose ocasiona cetose. Muitos efeitos metabólicos ao etanol ainda são compreendidos, especialmente aqueles que induzem a dependência.

SÍNTESE DE ÁCIDOS GRAXOS E TRIACILGLICERÓIS

Os ácidos graxos, constituíntes dos triacilgliceróis, podem diretamente da dieta ou serem sintetizados a partir de carboidratos, principalmente, e de proteínas. Neste último caso, os carboidratos e os aminoácidos são degradados até acetil-CoA e oxaloacetato. A síntese de ácidos graxos ocorre no citossol, para onde deve ser transportada a acetil-CoA formada em mitocôndria. Da condensação de acetil-CoA e oxaloacetato, forma-se citrato. Se a carga energética celular for alta (alta concentração de ATP), o citrato não pode ser oxidado pelo ciclo de Krebs em virtude da ambição da isocitrato desidrogenase e é transportado para a citossol, onde é cindido em oxaloacetato e acetil-CoA, à custa de ATP, numa reação catalisada pela citrato liase:

O oxaloacetato é reduzido a malato pela desidrogenase málica do citossol. O malato é substrato da enzima málica: nesta reação são produzidos piruvato, que retorna a mitocôndria, e NADPH.

A síntese de ácidos graxos tem malonil-CoA como doador de carbonos e NADPH como agente redutor

A síntese de ácidos graxos consiste na união seqüencial de unidades de dois carbonos: a primeira unidade é proveniente de acetil-CoA, e todas as subseqüentes, de malonil-CoA, formada por carboxilação de acetil-CoA. Esta reação é catalisada pela acetil-CoA, formada por carboxilação de acetil-CoA. Esta reação é catalisada pela acetil-CoA carboxilase, que tem como grupo prostético a biotina.

A síntese de ácidos graxos em bactérias e mamíferos processa-se através das mesmas reações catalisadas, todavia, por sistemas enzimáticos diferentes. A seguir será descrita a síntese em bactérias e, posteriormente, assinaladas as diferenças entre este sistema e o que ocorre em mamíferos.
Nas bactérias, as enzimas da síntese de ácidos graxos estão agrupadas em um complexo enzimático chamado sintase de ácidos graxos. Também faz parte deste complexo uma pequena proteína não enzimática, designada proteína carregadora de acila, ou ACP (“acyl-carrier protein”), à qual está sempre ligada a cadeia do ácido graxo em crescimento. O ACP tem como grupo prostético um derivado do ácido pantotênico: a fosfopanteteína, também componente da coenzima A.
A síntese inicia-se com a transferência do radical acetil da CoA para o ACP, catalisada pela primeira enzima do complexo: a acetil-CoA-ACP transacilase; este radical é, a seguir, transferido para o grupo SH de um resíduo de cisteína da Segunda enzima do complexo: a -cetoacil-ACP sintase. O ACP, agora livre, pode receber o radical malonil da malonil-CoA, formado malonil-ACP. Segue-se uma condensação dos grupos acetil e malonil, catalisada pela -cetoacil-ACP sintase (enzima de condensação), com liberação de CO2. Este CO2 é exatamente aquele usado para carboxilar a acetil-CoA a malonil-CoA. Por isso, apesar de CO2 ser imprescindível à síntese de ácidos graxos, seu átomo de carbono não aparece no produto. O fato de a condensação processar-se com uma descarboxilação faz com que esta reação seja acompanhada de uma grande queda de energia livre, dirigindo a reação no sentido da síntese. Justifica-se assim o gasto inicial de ATP para produzir malonil-CoA a partir de acetil-CoA: a utilização do percursor de três carbonos contorna a inviabilidade termodinâmica da condensação de duas moléculas de dois carbonos.
A -cetoacil-ACP de quatro carbonos formada sofre uma redução, uma desidratação e nova redução. As reduções são catalisadas por redutases que usam NADPH como doador de elétrons. Neste ponto termina o primeiro ciclo de síntese, com a formação de um butiril-ACP. Deve-se notar que a seqüência das reações de síntese (condensação, redução, desidratação e redução) é inversa à seqüência das reações de oxidação de um ácido graxo pelo ciclo de Lynen (oxidação, hidratação, oxidação, quebra da cadeia carbônica). Os processos diferem, entretanto, quanto às enzimas e coenzimas que utilizam, o compartimento celular onde se processam e o suporte da cadeia carbônica (CoA ou ACP).
Para prosseguir o alongamento da cadeia, o radical butiril é transferido para o grupo SH da - cetoacil-ACP sintase ( à semelhança do que ocorreu com o radical acetil), liberando o ACP, que recebe outro radical malonil. A repetição do ciclo leva à formação do hexanoil-ACP e, após mais cinco voltas, de palmitoil-ACP, que hidrolisado, libera o ácido palmítico.
Nos animais, a sintase de ácidos graxos é composta por apenas duas cadeias polipeptídicas idênticas, formando, portanto, um dímero do tipo  2. A cada cadeia encontra-se associado um ACP. O que torna notável esta organização é o fato de estas cadeias polipeptídicas constituírem enzimas multifuncionais. Este termo é aplicado para designar cadeias polipeptídicas que apresentam várias atividades catalíticas, cada uma das quais associada a uma certa região da cadeia. Este é exatamente o caso da sintase de ácidos graxos dos animais, que apresentam, em cada cadeia peptídica, as atividades correspondentes às seguintes enzimas bacterianas: acetil-CoA-ACP transacilase, malonil-CoA-ACP transacilase, -cetoacil-ACP redutase, -cetoacil-ACP desidratase, enoil-ACP redutase e tioesterase. Esta última atividade é a responsável pela hidrólise final de palmitoil-ACP, liberando ácido palmítico. Uma comparação entre s atividades enzimáticas de cada monômero do complexo e as enzimas necessárias para a síntese de ácidos graxos em bactérias revela a ausência de atividade equivalente à da enzima de condensação (-cetoacil-ACP sintase) no monômero. De fato, esta atividade só aparece no dímero funcional, pois depende de interações das duas cadeias peptídicas. A presença de enzimas multifuncionais associadas em um dímero traz, naturalmente, grande eficiência e economia ao processo de síntese, permitindo também a síntese simultânea de duas moléculas de palmitato, uma em cada monômero.
No total, a síntese de ácido palmítico (16 C) requer 1 acetil-CoA, 1 malonil-CoA, 14 NADPH e 7 ATP (consumidos na formação de 7 malonil-CoA a partir de 7 malonil-CoA). Os NADPH têm duas origens: provêem da reação catalisada pela enzima málica e das reações da via das pentoses-fosfato catalisadas por desidrogenases. A importância relativa entre essas duas fontes de poder redutor depende do tecido considerado.

O palmitato pode sofrer alongamento e insaturações. Alguns ácidos graxos insaturados são essenciais para os mamíferos

O ácido palmítico pode ser utilizado como percursor para a formação de ácidos graxos mais longos ou insaturados. Os sistemas enzimáticos incubidos dessas modificações situam-se no retículo endoplasmático.
O alongamento processa-se por reações muito semelhantes às da síntese de ácidos graxos. Os ácidos graxos com uma dupla ligação na posição  são sintetizados por um complexo enzimático que requer NADH e O2 e inclui o citocromo b5, firmemente ligado ao retículo endoplasmático. Este sistema produz os ácidos graxos monoinsaturados mais comuns nos tecidos animais: palmitoleico e oleico. Nos mamíferos, não há possibilidade de introdução de duplas ligações entre carbonos mais distantes da carboxila do que o C9. Os ácidos linoleico (C18  ) e -linolênico ( C18  ) são, por isso, essenciais para o homem, isto é, devem ser obtidos pela dieta. A dessaturação adicional do ácido linoleico origina o ácido -linolênico (C18  ) nos animais e o ácido -linolênico (C18  ) nas plantas.
O ácido -linolênico sofre alongamento de dois carbonos que resulta em alterações da posição das insaturações e formação de um intermediário C20  . A quarta insaturação
é introduzida entre os carbonos 5 e 6, originando o ácido araquidônico ( C20  ). Estas
vias de dessaturação de ácidos graxos não estão totalmente elucidadas, mas admite-se que o ácido linoleico seja o único ácido graxo essencial para o homem; as necessidades de ácido -linolênico são, ainda, obscuras.
O ácido araquidônico é percursor das prostaglandinas. As prostaglandinas compõe uma família de substâncias produzidas pela maioria das células dos mamíferos e que, atuando em concentrações tão baixas quanto os hormônios, regulam processos fisiológicos muito diversificados, como agregação de plaquetas, concentração de musculatura lisa, reação inflamatória etc.

Os percursores dos triacilgliceróis são glicerol 3-fosfato e acil-CoA

Os triacilgliceróis são sintetizados a partir de acil-CoA derivadas de ácidos graxos e glicerol 3-fosfato. O glicerol 3-fosfato é formado por redução de diidroxiacetona fosfato: obtida a partir de glicose. No fígado, existe uma via alternativa para obtenção de glicerol 3-fosfato: a fosforilação do glicerol, catalisada pela glicerol quinase. O glicerol 3-fosfato é acilado em duas etapas, formando fosfatidato, intermediário também da síntese de fosfolipídios. O triaglicerol é obtido por hidrólise do grupo fosfato do fosfatidato, seguida por nova acilação.

METABOLISMO DO COLESTEROL

No homem, o colesterol pode ser obtido através dos alimentos ou por síntese endógena. Um indivíduo adulto excreta cerca de 1,100 mg de derivados de colesterol por dia, que são repostos em uma dieta média, por cerca de 250 mg provenientes da alimentação e por 850 mg originários de biossíntese. O principal órgão responsável pela síntese de colesterol é o fígado, que produz cerca de 1/3 do colesterol do organismo. A acetil-CoA é percursora de todos os átomos de carbono (27) presentes no colesterol.
A síntese inicia-se com a condensação de duas moléculas de acetil-CoA, produzindo acetoacetil-CoA. Esta reação é catalisada pela tiolase citossótica. Reação idêntica, catalisada pela tiolase mitocondrial, aparece na -oxidação de ácidos graxos e na formação de corpos cetônicos. Na etapa seguinte, a acetoacetil-CoA condensa-se com outra molécula de acetil-
CoA, produzindo 3-hidroxi-3-metilglutaril-CoA (HMG-CoA), numa reação catalisada pela hidroximetilglutaria-CoA sintase (HMG-CoA sintase) do retículo endoplasmático.
Esta enzima também pode ser encontrada na mitocôndria e, nesta organela, sua função está relacionada à cetogênese. A HMG-CoA é a seguir reduzida a mevalonato, numa reação catalisada pela HMG-CoA redutase. Seguem-se duas fosforilações, que levam à produção de 5-pirofosfomevalonato. A descarboxilação é eliminação da hidroxila do 5-pirofosfomevalonato origina isopentenil-pirofosfato. Este composto de 5 carbonos é isomerizado a dimetilalil pirofosfato, que se condensa em outra molécula de isopentenil pirofosfato, formando geranil pirofosfato, com 10 carbonos.

Nova molécula de isopentenil pirofosfato condensa-se com o geranil pirofosfato, produzindo farnesil pirofosfato, de 15 carbonos. Duas moléculas de farnesil pirofosfato reagem, com eliminação de PPi, formando presqualeno pirofosfato que reduzido por NADPH, origina o esqualeno, um composto de 30 carbonos. Segue-se uma reação complexa, que envolve O2 e NADPH, na qual é formado o esqualeno 2,3 óxido. A próxima etapa consiste na completa ciclização do composto, formando-se lanosterol. A partir deste composto cíclico, uma série de reações, compreendendo remoção de grupos metila e migrações de duplas ligações, leva, finalmente, à produção de colesterol.

A produção de colesterol é uma síntese redutiva, que ocorre com grande consumo de energia para cada molécula sintetizada são empregados 18 ATP e 14 NADPH.
O colesterol, além de ser um componente estrutural de membranas, é percursor dos sais biliares e dos hormônios esteroídicos.
Os ácidos biliares são esteróides di-e triidroxilados, com 24 carbonos, e sua síntese consome cerca de 80% do colesterol sintetizado no fígado. No homem, os principais ácidos biliares formados são os ácidos cólico e quenodesoxicólico. Estes ácidos estão presentes, na sua maior parte, associados a glicina e a taurina por ligação amídica, constituíndo os sais biliares. Os ácidos e sais biliares te papel fundamental na digestão de lipídios: por suas propriedades anfifílicas, são os principais responsáveis pela emulsificação e solubilização dos lipídios, fascilitando sua digestão e absorção. A maior parte dos ácidos e sais biliares é reabsorvida no intestino e retorna ao fígado. A parte restante é excretada com as fezes, depois de parcialmente degradada pela ação das bactérias intestinais.
Os principais hormônios esteroídicos são aqueles produzidos no córtex da supra-rena (como o cortisol) e os hormônios sexuais, produzidos nas gônadas (andrógenos e estrógenos).


METABOLISMO DE AMINOÁCIDOS

Os aminoácidos presentes nas células animais originam-se das proteínas dietárias exógenas e das proteínas endógenas. As proteínas da dieta devem ser digeridas para que seus aminoácidos possam penetrar nas células. A digestão é obtida por hidrólise catalisada por enzimas proteolíticas presentes no tubo digestivo: a digestão inicia-se no estômago e completa-se no intestino delgado. Os aminoácidos resultantes são absorvidos pela mucosa intestinal e distribuídos para os tecidos que, portanto, recebem um conjunto de aminoácidos cuja composição varia de acordo com a proteína ingerida na alimentação. As proteínas da dieta contribuem com cerca de ¼ dos aminoácidos presentes no organismo, e as proteínas endógenas, com os ¾ restantes. Esta contribuição deve-se ao fato de as proteínas endógenas, como os demais compostos do organismo, não serem permanentes, estando em contínua degradação e ressíntese. Estima-se que, em um homem adulto com uma dieta adequada, haja uma renovação (“turnover”) de aproximadamente 400 g de proteínas por dia. Todavia, esta medida representa apenas um valor médio, porque a meia-vida das proteínas por endógenas apresenta uma enorme variação. Pouco se sabe ainda sobre os mecanismos que controlam esta degradação e determinam velocidades diferentes de degradação para cada proteína. A manutenção da concentração correta de cada proteína é obtida pela síntese desta proteína em velocidades equivalentes à de sua degradação e, embora exista, flutuações de concentração em tempos muito curtos, em tempos maiores a concentração proteica geral mantém-se constante.

Os aminoácidos das duas procedências – exógenas e endógena – constituem um “pool” que é utilizado para a ressíntese das proteínas endógenas e de todos os compostos nitrogenados não-protéicos. Com efeito, os aminoácidos são percursores e compostos biologicamente importantes, como as bases nitrogenadas constituintes dos nucleotídios (e, portanto, dos ácidos nucleicos) e de aminas e seus derivados, como adrenalina, ácido gama-aminobutírico, histamina etc.
Os organismos não são capazes de armazenar aminoácidos nem proteínas, e, conseqüentemente, satisfeitas as necessidades de síntese, os aminoácidos escedentes são degradados.

DEGRADAÇÃO DE AMINOÁCIDOS: REAÇÕES GERAIS

A degradação dos aminoácidos compreende a remoção do grupo amino e a oxidação da cadeia carbônica remanescente. O grupo amino é convertido a uréia e as 20 cadeias carbônicas resultantes são convertidas a compostos comuns ao metabolismo de carboidratos e lipídios, como piruvato, acetil-CoA e intermediários do ciclo de Krebs.

O grupo amino da maioria dos aminoácidos é coletado como glutamato

O grupo amino da maioria dos aminoácidos (alanina, arginina, aspartato, asparagina, cisteína, fenilalanina, glutamina, isoleucina, leucina, tirosina, triptofano e calina) é retirado por um processo comum, que consiste na transferência deste grupo para o -cetoglutarato, formando glutamato a cadeia carbônica do aminoácido é convertida ao -cetoácido correspondente:

Aminoácido + -Cetoglutarato -Cetoácido + Alutamato
Estas reações são catalisadas por transaminases, também chamadas aminotransferases, enzimas presentes no citossol e na mitocôndria e que têm como coenzima piridoxal-fosfato. Esta coenzima é derivada da vitamina B6, que pode ser encontrada na natureza sob três formas: piridoxina, piridoxal e piridoxamina.
Em tecidos de mamíferos, para a remoção do grupo amino, as transaminases sempre utilizam -cetoglutarato como aceptor, formando-se glutamato. O nome da transaminase deriva do aminoácido doador do grupo amino para o -cetoglutarato, como, por exemplo, a alanina transamina (ou alanina aminotransferase):

Alanina + -Cetoglutarato Piruvato + glutamato

O glutamato é, portanto, um produto comum às reações de transaminação, constituíndo um reservatório temporário de grupos amino, provenientes de diferentes aminoácidos.

O grupo amino do glutamato origina aspartato e NH

As reaçòes catalisadas pelas transaminases são facilmente reversíveis, pois têm constante de equilíbrio próxima de 1. Desta forma, a desaminação de um aminoácido depende da remoção contínua dos produtos formados: glutamato e o -cetoácido correspondente ao aminoácido. O glutamato pode ser removido por transaminação com oxaloacetato, formando aspartato, por ação de aspartato transaminase.

Glutamato + Oxaloacetato -Cetoglutarato + Aspartato


Esta enzima é a aminotransferase mais ativa na maioria dos tecidos de mamíferos, evidenciando a importância da transminação entre glutamato e aspartato.
O glutamato pode também ser desaminado, produzindo NH . Esta reação é catali-
Sada pela glutamato desidrogenase, uma enzima mitocondrial, encontrada principalmente no fígado, que utiliza NAD+ como coenzima.

Glutamato + NDA+ + H2O -Cetogluterato + NADH + NH + H+

A glutamato desidrogenase é específica para o glutamato, e não se conhecem desidrogenases análogas para qualquer outro aminoácido.
Em resumo, o resultado da ação combinada das transaminases e da glutamato desidrogenase é a convergência dos grupos amino da maioria dos aminoácidos para dois compostos únicos: NH .

Alguns aminoácidos são desaminados por vias especiais.

Há sete aminoácidos (glicina, histidina, metionina, prolina, serina e treonina) que não participam de reações de transaminação direta. Entretanto, um aspecto comum é importante do metabolismo destes aminoácidos é a forma de remoção do grupo amino: ao longo das vias de degradação, o grupo amino ou é liberado como NH por reações de desaminação
específicas, ou forma glutamato através de transaminação de um intermediário aminado com
-cetoglutarato. Desta forma, as átomos de nitrogênio deste conjunto de aminoácidos convergem para os mesmos produtos originados pelo grupo amino dos outros aminoácidos: NH e glutamato, que pode originar aspartato.
Concluindo, durante a degradação dos 20 aminoácidos, o grupo amino é convertido finalmente em NH e aspartato, percursores da uréia.

A uréia é sintetizada a partir de NH aspartato e HCO3

Os dois átomos de nitrogênio presentes na uréia são provenientes de NH e aspar-
tato, ambos derivados de glutamato. O átomo de carbono origina-se do bicarbonato. A síntese da uréia é feita no fígado, através do ciclo da uréia ou ciclo de Krebs-Hansleit. A síntese inicia-se na matriz mitocondrial, com a formação de carbamoil-fosfato a partir de íons bicarbonato e amônio com gasto de duas moléculas de ATP. O carbamoil-fosfato condensa-se com ornitina, formando citrulina, que é transportada para o citossol, onde reage com o aspartato, formando arginina succinato, que se decompõe em arginina e fumarato. A arginina é hidrolisada, regenerando ortinina e produzindo uréia, que é transportada para o rim e eliminada pela urina.
A soma das reaçòes de formação de carbomoil-fosfato e do ciclo da uréia mostra a equação final da síntese de uréia a aprtir de NH aspartato e HCO3:

Aspartato + NH + HCO3 + 3 ATP + H2O

Uréia + Fumarato + 2 ADP + 2Pi + AMP + PPi + 4H-


Portanto, a síntese de uma molécula de uréia consome quatro ligações fosfato ricas em energia, uma vez que o pirofosfato é prontamente hidrolisado. Todavia, o fumarato formado no ciclo da uréia pode ser convertido a oxaloacetato, por reaçòes análogas às do ciclo de Krebs. As enzimas envolvidas são, entretanto, citossólicas. O oxaloacetato, por transaminação, forma aspartato. Considerando-se este acoplamento, há produção, pela malato desidrogenase, de 1 NADH, que forma 3 ATP através da fosforilação oxidativa, reduzindo para uma ligação rica em energia o consumo do ciclo da uréia.
A uréia é o principal produto de excreção do metabolismo nitrogenado de vertebrados terrestres, aves e répteis excretam ácido úrico, e peixes, amônia. A quantidade de uréia excretada por um homem adulto é cerca de 30 g por dia, mas este valor varia proporcionalmente à quantidade de proteína ingerida. A excreção de uréia representa 90% dos compostos nitrogenados excretados, o restante aparece sob a forma de NH creatinina e ácido úrico.

A conversão da maior parte do NH em uréia é fundamental para manter baixas as concentrações deste íon nos tecidos. Quando há uma restriçào na formação de uréia por disfunçào hepática a concentração de NH se eleva, afetando principalmente o cérebro e ocasionado coma. O mecanismo pelo qual o NH exerce tal efeito tóxico no cérebro não está completamente elucidado. Postula-se que altos níveis de NH poderiam levar a grande consumo de -cetoglutarato para a síntese de glutamato, na reação catalisada pela glutamato desidrogenase; haveria uma depleção do ciclo de Krebs com reduçào da velocidade de oxidação da glicose, a principal fonte de ATP para o cérebro.
Em condições metabólicas normais, a síntese de glutamato constitui uma via de aproveitamento de NH o grupo amino, uma vez incorporado em glutamato, torna-se disponível para a síntese de aminoácidos não-essenciais e, também, para sua excreção como uréia. Uma via secundária de aproveitamento de NH é a síntese de glutamina, que funciona como depósito temporário de NH e como uma forma de transporte deste íon entre os diferentes órgãos. No rim, a ação da glutaminase possibilita a excreção de H+: o conteúdo de NH da urina aumenta na acidose e diminui da alcalose. Portanto, apesar de NH constituir uma pequena porcentagem do nitrogênio urinário, sua excreçào é importante para a manutenção do equilíbrio ácido-base.

A cadeia carbônica dos aminoácidos é degradada a piruvato, intermediários
Do ciclo de Krebs ou acetil-CoA

Removido o grupo amino do aminoácido, resta sua cadeia carbônica, na forma de -cetoácido. As 20 cadeias carbônicas diferentes não tem uma via comum de degradação. Seu metabolismo interfere, neste aspecto, da oxidação dos ácidos graxos, todos degradados pelo ciclo de Lynen e doa açúcares, metabolizados pela glicólise.
Embora existam vias próprias para oxidação da cadeia carbônica de cada aminoácido, estas diferentes vias de degradação convergem para a produção de apenas alguns compostos: piruvato, intermediários do ciclo de Krebs (oxaloacetato, -cetoglutarato, succinil-CoA e fumarato) ou acetil-CoA. A partir deste ponto o metabolismo da cadeia carbônica dos aminoácodos confundem-se com os das cadeias carbônicas de carboidratos ou de ácidos graxos. O destino final dos -cetoácidos, que dependerá do tecido e do estado fisiológico considerados, poderá ser:

1. oxidação pelo ciclo de Krebs, fornecendo energia;
2. utilização pela glicogênese, para a produçào de glicose;
3. conversão a triacilgliceróis e armazenamento.

A maioria dos aminoácidos produz piruvato ou intermediários do ciclo de Krebs,
Percursores da gliconeogênese, e são, por isso, chamados glicogênicos. A leucina origina corpos cetônicos sendo o único aminoácido exclusivamente cetogênico. Algund outros aminoácidos (isoleucina, fenilanina, tirosina, treonina e triptofano) são tanto glicogênios quanto cetogênicos, isto é, são glicocetogênicos.

DEGRADAÇÃO DE AMINOÁCIDOS: VIAS ESPECIAIS

Para sistematizar o estudo de sua degradação, os aminoácidos serão agrupados em seis categorias, segundo o produto formado: piruvato, acetil-CoA, oxaloacetato, -cetoglutarato, siccinil-CoA e sumarato.

1. Aminoácidos que são convertidos a piruvao

É convertida diretamente a piruvato por transaminação com -cetoglutarato, catalidada pela alanina transaminase.
Na sua degradação, três carbonos são formados em alanina, um em formato e quatro em acetoacetil-CoA.
Há duas vias que a convertem a piruvato. O átomo de enxofre é transformado em dulfito, oxidado a sulfato pela sulfito oxidase. Esta enzima presente ligado e transfere elétrons do sulfato para o citocromo c.
Pode formar piruvato por desaminação catalisada pela serina desidratase. Pode ainda ser convertida a glicina por ação da serina hidroximetil transferase, que transfere o radical hidroximetil (C1) ao tetraidrofolato; o tetraidrofolato é uma coenzima transportadora de unidades monocarbônicas, que apresenta, na sua estrutura, uma vitamina: o ácido fólico.
Além de poder ser convertida a serina, pode ser oxidada a CO2 e NH com produção de um radical monocarbônico, ou desaminada oxidativamente, formando glioxilato. Nas hiperoxalúrias, doenças hereditárias raras, o glioxilato é oxidado a oxalato, que se acumula nos tecidos sob a forma de oxalato de cálcio. A ingestão de grandes quantidades de ascorbato (vitamina C) pode também ocasionar a formação de cálculos de oxalato de cálcio.
Em uma das vias de degradação, o carbono é oxidado e a cadeia é cindida, produzindo glicina e acetaldeído; o acetaldeído é convertido a acetil-CoA. A outra via origina succinil-CoA.

2. Aminoácidos que são convertidos a -cetoglutarato

Glutamato Origina -cetoglutarato por transaminação ou por oxidação catalisada pela glutamato desidrogenase.
Glutamina, prolina, arginina e histidina Originam-se -cetoglutarato por prévia conversão a glutamato.
Glutamina O grupo amino é liberado por ação da glutaminase.
Prolina Todos os átomos de carbono da prolina aparecem como glutamato.
Arginina Ao ser hidrolisada pela arginase (ciclo da uréia), um dos carbonos aparece na uréia e os outros passam a constituir ornitina, que origina glutamato.
Histidina Cinco carbonos aparecem como glutamato e um carbono é transferido ao tetraidrofolato.

3. Aminoácidos que são convertidos a oxaloacetato

Aspartato Convertido a oxaloacetato por transaminação e a fumarato pelo ciclo da uréia.
Asparagina Por hidrólise, forma aspartato e NH .

4. Aminoácidos que são convertidos a fumarato

Tirosina Dos nove carbonos da tirosina, quatro são convertidos a fumarato, quatro a acetoacetato e um a CO2.
Fenilalanina Convertida a tirosina por uma oxidação irreversível, catalisada por fenilalanina hidroxilase.

5. Aminoácidos que são convertidos a succinil-CoA

Os aminoácidos que produzem succinil-CoA são inicialmente convertidos a
propionil-CoA que também é produzida na oxidação de ácidos graxos com número ímpar de carbonos.

DOENÇAS HEREDITÁRIAS DO METABOLISMO DE AMINOÁCIDOS

Um grande número de doenças hereditárias resultantes de defeitos enzimáticos foi descrito no homem. Estas doenças são geralmente raras e transmitidas por genes autossômicos recessivos. Em indivíduos homozigotos, a atividade enzimática pode apresentar-se alterada (KM ou VMAX modificados) ou estar ausente: os heterozigotos não manifestam a doença, pois um alelo normal determina síntese suficiente de enzima.
As doenças hereditárias do metabolismo de aminoácidos (são conhecidas mais de 100) constituem a maioria das doenças hereditárias metabólicas conhecidas, refletindo o grande número de vias que compõe o metabolismo de aminoácidos.
A conseqüência direta da deficiência enzimática é o acúmulo de um metabólito, freqüentemente excretado na urina. O diagnóstico é feito pela dosagem do metabólito acumulado no sangue ou na urina ou alternativamente por dosagem da enzima em células (fibroblastos) cultivadas de fácil obtenção. Em alguns casos, só é possível dosar a enzima em células coletadas do líquido amniótico. A dosagem de enzima permite ainda identificar portadores da moléstia, pois estes apresentam concentração de enzima menor do que a de indivíduos normais.
Na moléstia da urina em xarope de bordo, a deficiência da enzima responsável pela descarboxilação oxidativa doa aminoácidos ramificados (leucina, valina, isoleucina) ocasiona um acúmulo desses aminoácidos e de seus cetoácidos, que conferem à urina um odor semelhante ao do xarope de bordo.
A acidemia isovalérica caracteriza-se por um excesso de ácido isovalérico no sangue e na urina, devido à ausência da isovaleril-CoA desidrogenase, que participa apenas do metabolismo da leucina. Os indivíduos afetados exalam um cheiro característico de suor dos pés.
O albinismo compreende um conjunto de síndromes caracterizadas por pigmentação deficientes da pele, cabelo e olhos, devido à incapacidade de sintetizar melanina. A síntese de melanina inicia-se com a oxidação de tirosina, catalisada pela tirosinase, ausente no tipo clássica de albinismo.
Com relação ao ciclo da uréia, já foram descritos defeitos hereditários causados por bloqueador parcial de cada uma das reações do ciclo. A conseqüência é sempre uma hiperamonemia que pode levar ao coma e morte, dada a alta toxidez da amônia, especialmente para o sistema nervoso central. Nestes casos, o tratamento consiste na administração de uma dieta pobre em proteínas ou na substituição dos aminoácidos essenciais da dieta pelos seus -cetoácidos.

SÍNTESE DE AMINOÁCIDOS

Os diferentes organismos apresentam dependência muito variada do meio ambiente no que se refere ao suprimento de aminoácidos. Os vegetais superiores e várias bactérias, como Escherichis coli independem de suprimento externo, já que são capazes de sintetizar todos os aminoácidos o grupo amino é obtido a partir de NH e a cadeia carbônica é sintetizada a partir de carboidratos.
O NH é obtido por bactérias e plantas a partir do nitrogênio atmosférico ou de nitritos e nitratos presentes no solo. Bactérias e algas azuis promovem a reduçào biológica de N2 a NH, chamada fixação do nitrogênio, é realizada por um sistema enzimático complexo, denominado nitrogenase, que utiliza NADPH como doador de elétrons e processa-se com grande consumo de ATP. A reaçào global do processo é:
A outra forma de obtenção de NH é a redução de nitritos presentes no solo, pela nitrato redutase e nitrito redutase, enzimas presentes nos vegetais superiores e na maioria das bactérias.
Os animais superiores são incapazes de utilizar o nitrogênio atmosférico ou o nitrogênio contido em compostos inorgânicos, como nitritos e nitratos. Praticamente todo o nitrogênio de que necessitam para síntese de seus compostos nitrogenados por outros organismos.

O Homem só sintetiza 11 dos 20 aminoácidos constituíntes das proteínas

O processo de síntese proteica requer que estejam uma dada proteína. Esta condiçào é crítica, especialmente levando-se em conta dois fatos: nenhuma célula dispõe de reservas de aminoácidos e não são todos os aminoácidos que podem ser sintetizados pelo organismo humano. Restam, portanto, apenas nove aminoácidos que podem ser prontamente formados a partir de compostos intermediários do metabolismo de carboidratos e lipídios. Estes nove aminoácidos e os dois que são sintetizados a partir de aminoácidos essenciais são chamados aminoácidos não-essenciais, culos processos de síntese serão descritos a seguir.


GLUTAMATO E GLUTAMINA
A síntese de glutamato constitui a única incorporaçào direta de nitrogênio, a partir de NH, como grupo -amino de aminoácido. Como se verá mais adiante, todas as outras sínteses de aminoácidos não-essenciais utilizam-se de transaminações, isto é, transferência de grupo a -amino, sempre a partir do grupo -amino do glutamato. A síntese de glutamato é feita a aprtir de NH e -cetoglutarato, em uma reação catalisada pela glutamato deesidrogenase citoplasmática que, em oposição à enzima mitocondrial, utiliza NADP+ como coenzima>
A glutamina é sintetizada a partir de glutamato e NH, numa reação catalisada pela glutamina sintetase
Note-se que, neste caso a incorporação de NH foi feita como um grupo amida, e portanto este nitrogênio não pode ser utilizado para transaminações. A glutamina tem um papel importante como veículo para o transporte de NH entre os diferentes órgãos. Vários tecidos são rocos em glutaminase, a coenzima que catalisa a hidrólise do grupo amida da glutamina:

Glutamina + H2O Glutamato + NH

ALANINA, ASPARTATO E ASPARAGINA

Alanina e aspartato são obtidos a partir do esqueleto de carbono de piruvato e oxaloacetato respectivamente, e do grupo amino do glutamato. As transaminações são catalisadas por alanina transaminase e aspartato transaminase.
A asparagina é sintetizada a partur de aspartato. O grupo ainda é proveniente da glutamina e a transferência é catalisada pela asparagina sintetase :

PROLINA
A prolina tem todos os seus átomos de carbono de nitrogênio provenientes do glutamato. Este aminoácido é convertido a um semi-aldeído, em uma reação complexa, dependene de ATP. A eliminação de H2O dá o primeiro composto cíclico a 1 – pirrolina 5-carboxilato, que, novamente por redução, catalisada pela pirrolina carboxilato redutase origina prolina:

SERINA, GLIGINA E CISTEÍNA
A serina origina-se de 3-fosfoglicerato, um intermediário da via glicolítica, através de: uma redução, catalisada pela fosfoglicerato desidrogenase; uma transaminação, catalisada pela fosfoserina transaminase, e, finalmente, uma hidrólise do grupo fosfato, catalisada pela fosfoserina fosfatase:

A síntese da glicina, em mamíferos, ocorre fundamentalmente, a partir de serina, através da trasnferência de um de seus átomos de carbono para o tetraidrofolato, catalisada pela serina hidroximetil transferase, uma enzima que utiliza piridoxal fosfato como coenzima:

Serina + Ter=traidrofolato Metilenotetraidrofolato + Glicina

Como a reação é reversível, constitui também uma via de síntese de serina a partir de glicina.
A cisteína é sintetizada a partir de serina e metionina, por uma série de reações cujo efeito líquido é a substituição do oxigênio da hidroxila da serina por enxofre, proveniente da metionina.

Biologia - Metabolismo

Metabolismo


Essencial como processo bioquímico de aproveitamento da energia, o metabolismo equilibra as funções fisiológicas. Seus distúrbios ocasionam doenças de incidência freqüente, como o diabetes, a obesidade e a arteriosclerose.
Metabolismo é o conjunto das reações químicas que ocorrem num organismo vivo com o fim de promover a satisfação de necessidades estruturais e energéticas. O processo metabólico ocorre tanto no domínio celular, como no do organismo em geral. A expressão metabolismo basal designa o mínimo de energia necessária para regular a fisiologia normal de um organismo.

Conceitos gerais e métodos de estudo: Do ponto de vista físico-químico, os organismos vivos são sistemas abertos que, para sobreviver, realizam com o exterior uma constante troca de energia e matéria. As substâncias que penetram nas células passam por fragmentações, adições e reestruturações moleculares, que produzem compostos biologicamente úteis, empregados como fonte de energia e também como elementos de construção e reparação dos tecidos. Essas transformações sucessivas denominam-se vias metabólicas.

Para que um composto orgânico possa produzir energia, deve experimentar uma oxidação (perda de elétrons e/ou combinação com o oxigênio), que libera o potencial energético das ligações existentes entre seus átomos. A oxidação, como a maior parte das reações químicas que ocorrem no interior da célula, requer a atuação de moléculas especializadas chamadas enzimas, que ativam os compostos, pondo-os em contato com outras substâncias reagentes, e tornam possíveis as trocas adequadas, à temperatura fisiológica. Praticamente todas as reações metabólicas dependem da existência das enzimas, sem as quais precisariam de grande quantidade de calor, não compatível com o desenvolvimento da vida celular.

No organismo sadio, verifica-se equilíbrio entre duas forças antagônicas: o catabolismo, processo pelo qual as moléculas vindas do exterior, após sofrer fragmentação prévia na digestão, são degradadas ou reduzidas a substâncias mais simples; e o anabolismo, conjunto de reações que, ao utilizar a energia liberada pelo catabolismo, possibilita a formação de estruturas orgânicas complexas a partir de outras, mais elementares. Essa energia é empregada também nas funções fisiológicas. Conforme sejam predominantemente energéticos ou construtivos, os alimentos recebem o nome de termogênicos ou organogênicos, respectivamente.

Pertencem ao primeiro grupo os carboidratos (açúcares) e os lipídios (gorduras), e ao segundo grupo, as proteínas.
Lavoisier, criador da química moderna, abriu novos horizontes às ciências biológicas, ao mostrar: (1) que os tecidos animais e vegetais se constituem essencialmente de carbono, oxigênio, hidrogênio e nitrogênio; (2) que a respiração é uma combustão lenta de carbono e oxigênio; (3) que nos animais homeotermos a temperatura é mantida pela respiração; e (4) que as trocas respiratórias se acentuam após as refeições, o que leva à maior produção de energia.

Em 1824, Robert Mayer e Hermann von Helmholtz enunciaram a primeira lei da termodinâmica, que afirma ser a energia transformável e indestrutível. Demonstrou-se posteriormente, em experiências realizadas na Alemanha e nos Estados Unidos, que essa lei é extensiva aos seres vivos. O estudo científico e sistemático do metabolismo só foi possível a partir do desenvolvimento de técnicas como os modernos métodos de pesquisa bioquímica e de marcação radioativa por radioisótopos~capazes de acompanhar as transformações que ocorrem no interior do organismo. Por meio dessas técnicas pode-se marcar uma molécula inserindo-se nela, em dada posição, um átomo basicamente idêntico ao substituído (um isótopo), mas de peso atômico distinto, que emite partículas radioativas suscetíveis de serem detectadas.

Metabolismo animal: Os animais são organismos heterotróficos, isto é, que precisam obter a energia e os materiais de que necessitam a partir de compostos orgânicos de origem exterior. Um deles, de participação imprescindível, é o açúcar.
O catabolismo dos açúcares apresenta uma primeira fase anaeróbica (sem intervenção do oxigênio) em que a molécula com seis átomos de carbono da glicose é fosforilada, ou seja, reage com um grupo fosfato do trifosfato de adenosina (ATP) e se divide em duas moléculas de ácido pirúvico (com três átomos de carbono) ou, nas células musculares, em duas moléculas de ácido láctico. Essa é a fase da fermentação ou glicólise, que significa, literalmente, ruptura da glicose.

Na segunda etapa, cujo rendimento energético é muito superior, o ácido pirúvico se transforma em acetilcoenzima A ou acetil-CoA, que tem dois átomos de carbono na molécula e participa do chamado ciclo de Krebs, de importância capital em todos os processos metabólicos. Essa etapa é aeróbica e nela se produzem sucessivas desidrogenações (perdas de átomos de hidrogênio) em alguns dos compostos.
Esse processo implica a formação de um fluxo eletrônico, em direção às moléculas das enzimas e aos compostos que constituem a chamada cadeia respiratória, em que ocorre a fosforilação oxidativa. Esse último processo consiste na produção de compostos ricos em energia -- as moléculas de ATP --que intervêm como fator de troca energética em todas as atividades do organismo.

Os lipídios compreendem um grupo de substâncias química e fisiologicamente diferentes entre si, tais como as gorduras, as ceras e os lipóides, cuja principal característica é sua insolubilidade na água e solubilidade nos solventes orgânicos (éter, clorofórmio, benzeno). Se decompõem pelo processo catabólico da beta-oxidação, em que os ácidos graxos, compostos de longas cadeias que são os principais componentes das gorduras, se fragmentam por ação seqüencial de diversas enzimas até formar resíduos de acetil-CoA, que se integram ao ciclo de Krebs.

Processo de alto rendimento energético, a beta-oxidação produz grande número de moléculas de ATP. As gorduras fornecem mais que o dobro das calorias que a mesma quantidade de glicídios e proteínas. Admite-se que os glicídios podem ser convertidos em gorduras no organismo, mas esse mecanismo não está suficientemente esclarecido. O mesmo ocorreria com as proteínas, de modo indireto, por meio de certos aminoácidos que formam glicídios, que, por sua vez, sintetizam gorduras.
As proteínas, fragmentadas no curso da digestão pelas enzimas proteolíticas, têm valor biológico determinado por sua riqueza em aminoácidos. Alguns destes, os mais simples, podem ser obtidos de outros mais complexos. Outros não podem ser sintetizados e são tão valiosos quanto os hormônios. É o caso dos aminoácidos essenciais, responsáveis pelo crescimento, cuja ausência causa o aparecimento dos sintomas de desnutrição ou subnutrição.

As proteínas que os contêm são chamadas completas, como a lactalbumina e a caseína do leite, a ovalbumina e a ovovitelina do ovo. A maioria dos aminoácidos se transforma em diferentes compostos do ciclo de Krebs. Seus átomos de nitrogênio se separam por ação de enzimas transaminases e convertidos em amoníaco, formador da uréia (substância de refugo eliminada na urina).
As vias anabólicas consistem em: (1) formação de glicose e, mais tarde, de açúcares complexos, a partir do ácido pirúvico, por um processo não correspondente à inversão da glicólise; (2) produção de gorduras por síntese de ácidos graxos a partir do acetil-CoA e posterior união aos álcoois e outras substâncias; e (3) constituição dos aminoácidos. As proteínas são formadas por aminoácidos unidos entre si, numa seqüência específica determinada pelo código genético do organismo.

Entre as alterações congênitas do metabolismo, além das assinaladas, cabe lembrar a galactosemia ou intolerância à galactose, causada pelo déficit de uma enzima que metaboliza esse açúcar do leite; e certas anomalias graves no metabolismo das proteínas, que ocasionam deficiência mental.

Biologia - Meiose e Mitose

Escola 1º e 2º graus Polivalente




Estudos dirigidos sobre:


Mitose

&

Meiose












I – Introdução








- Sumário -








I – Introdução p.2
II – Desenvolvimento p.4
2.1 – Mitose p.4
2.1.1 – Interfase p.4
2.1.2 – Prófase p.4
2.1.3 – Prometáfase p.5
2.1.4 – Metáfase p.5
2.1.5 – Anáfase p.6
2.1.6 – Telófase p.7
2.2 – Meiose p.8
2.2.1 – Prófase I p.8
2.2.2 – Prometáfase I p.8
2.2.3 – Metáfase I p.8
2.2.4 – Anáfase I p.8
2.2.5 – Telófase I p.9
2.2.6 – Intercinese p.9
III - Conclusão p.10





II – Desenvolvimento

2.1 – Mitose

A mitose ou divisão indireta ocorre nas células somáticas da maior dos organismos, sendo também designada por divisão celular somática. É através desse processo que se verifica o crescimento dos pluricelulares.
Ela consiste na divisão de urna célula em duas, ocorrendo uma divisão longitudinal dos cromossomos, que se distribuem eqüitativamente às células filhas, permanecendo, assim, constante o número de cromossomos por célula. As divisões do núcleo e citoplasma, na mitose, são denominadas cariocinese e citocinese, respectivamente. A célula em mitose apresenta uma figura mitótica constituída das partes cromática e acromática. A primeira compreende os cromossomos e nucléolos, e a segunda o centro celular e fuso fibrilar.
Didaticamente, a mitose pode ser subdividida em cinco fases: primeira fase prometáfase, metáfase, anáfase e telófase.

2.1.1 – Interfase

O período que separa duas divisões consecutivas é denominado terfase. Nesse período os cromossomos são pouco perceptíveis, sendo, porém, observáveis suas regiões heterocromáticas.
Após a duplicação do ADN, que ocorre na interfase, cada cromossomo mitótico é constituído de dois filamentos denominados cromonemas, unidos pelo centrômero. O nucléolo ou nucléolos são ainda facilmente visíveis

2.1.2 – Prófase

Ao iniciar-se a prófase os cromossomos, que já são duplos, apresentam-se como filamentos delgados, espiralados longitudinalmente, e bem perceptíveis. Durante a prófase, os crornossomos sofrem encurralamento e espessamento. Eles distribuem-se por todo o núcleo, mantendo certo afastamento entre si. Observa-se que o nucléolo ou nucléolos vão se tornando cada vez menos perceptíveis.
O centríolo divide-se deslocando-se os dois resultantes para pólos opostos. Surge ao redor de cada centríolo o áster, e entre os centríolos organiza-se um conjunto de filamentos de origem citoplasmática, que constitui o fuso central. Nos vegetais geralmente falta o centro celular, sendo a mitose anastral, enquanto que nos animais e plantas com centro celular a mitose é astral ou anfiastral.
Os cromossomos iniciam um movimento para a periferia do núcleo, iniciando-se a prometáfase.






2.1.3 – Prometáfase

Caracteriza-se pela desintegração da membrana nuclear, com exceção de certos protozoários e algumas formas mais elevadas, onde a mitose é intranuclear. Na prometáfase o nucléolo desaparece, os cromossomos espiralizam-se e separam-se longitudinalmente. Apesar da replicação do ADN já ter ocorrido na interfase, os filamentos somente se afastam na prometáfase. Cada cromossomo fica constituído por duas cromátides presas entre si na região do centrômero.
Nessa fase de divisão os cromossomos convergem para a região equatorial da célula.


2.1.4 – Metáfase

A metáfase compreende o período entre o final do movimento de convergência dos cromossomos para o equador da célula e o início do movimento de divergência dos mesmos para os pólos.
O fuso é constituído de microtúbulos, denominando-se fibras cromossômicas ou fibras do manto as que vão do centro celular ao cromossomo e fibras continuas as que vão de um pólo a outro, sem estarem ligadas aos centrômeros.

Os cromossomos dispõem-se nas fibras pela região do centrômero formando a placa equatorial eqüidistante dos dois pólos. Nas células animais os cromossomos distribuem-se em forma radial na periferia do fuso, enquanto que nas células vegetais se dispõem irregularmente ocupando todo o plano equatorial. Observou-se que em ambos os casos podem aparecer situações intermediárias. Geralmente, quando existem cromossomos pequenos, estes se localizam preferencialmente no interior e os maiores ficam, geralmente, na periferia.






2.1.5 – Anáfase

Os centrômeros dividem-se simultaneamente em todos os cromossomos e os resultados repelem-se, iniciando-se a separação das cromátides pelas suas partes proximais, em relação ao centrômero. O deslocamento das cromátides é autônomo e depende do afastamento entre as constrições primárias. Como resultado desse movimento, as cromátides ascendem em direção aos pólos até mais ou menos 2/3 desse percurso.
Quando o movimento autônomo das cromátides se interrompe, o fuso começa a se modificar. Sua região central entre os centrômeros, segundo alguns autores, se distenderia impelindo as cromátides para os pólos, completando assim a separação entre as mesmas que recebem, então, o nome de cromossomos. Essa parte mediana do fuso que se distenderia, é conhecida como corpo impulsor. A separação das cromátides por distensão do fuso não é, admitida por vários autores.
Os termos cromonema, cromátide e cromossomo utilizados para designar fases diferentes da duplicação. Quando ocorre duplicação do material cromossômico os filamentos filhos continuam aparentando um único filamento. Nessa fase esses filamentos filhos são conhecidos como cromonemas. Quando os cromonemas se separam longitudinalmente, mas ainda continuam presos por um único centrômero, eles são denominados cromátides quando, finalmente o centrômero se divide longitudinalmente e as duas cromátides se separam ficando independentes, elas passam a ser designadas como cromossomos.



2.1.6 – Telófase

Quando os dois grupos de cromossomos filhos alcançam os pólos, desaparece o fuso fibrilar. Á medida que desaparecem as calotas do fuso, forma-se nova membrana nuclear ao redor de cada lote cromossômico Os cromossomos descondensam-se, desespiralizam-se e em conseqüência, distendem-se aumentando o comprimento. Ao fim da telófase os cromossomos hidratam-se novamente e tornam-se pouco perceptíveis. Os nucléolos reaparecem em regiões heterocromáticas específicas dos assim chamados cromossomos nucleolares. Essas regiões organizadoras dos nucléolos localizam-se em constrições secundárias, freqüentemente nos cromossomos que possuem satélites.
Ocorre divisão do citoplasma e distribuição dos seus componentes como condrioma e complexo de Golgi para as células filhas. A divisão do citoplasma processa-se diferentemente em células animais e vegetais. Nas primeiras, o citoplasma estrangula-se na região equatorial, separando-se finalmente as duas células filhas. Nas células vegetais as fibras do fuso desfazem-se progressivamente do centro para as margens, permanecendo uma placa celular onde se forma a membrana celular.




No fim da mitose, o centro celular de cada célula torna-se menor ficando o áster progressivamente imperceptível.
O tempo necessário para que se processe uma mitose é muito variável, dependendo do organismo. A prófase é a etapa mais demorada, a prometáfase, metáfase e anáfase são etapas curtas e a telófase é uma etapa demorada, mas em geral não maior que a prófase.



2.2 – Meiose

A meiose é um tipo de divisão celular que ocorre em todos os organismos, vegetais ou animais, que se reproduzem sexuadamente. Nos animais superiores é realizada pelos citos de 1.ª ordem durante o período de maturação da gametogênese, embora iniciada pelos citos jovens no período de crescimento. Constando a meiose de duas divisões nucleares para apenas uma divisão longitudinal dos cromossomos, os gametas produzidos são haplóides, isto é, contêm um só cromossomo de cada tipo (n), enquanto que as células somáticas são diplóides e contêm dois cromossomos de cada tipo (2n).
Além da redução numérica dos cromossomos, nessa divisão observa-se atração, pareamento, troca de partes e separação posterior dos cromossomos homólogos. A troca de partes entre os cromossomos homólogos, conhecida como permutação ou permuta (crossing-over) é um processo de recombinação gênica de grande importância, pelo fato de promover a variabilidade genética na descendência.
As duas divisões meióticas são designadas por divisão I e II, sendo a interfase muito curta ou inexistente. Como na mitose, essas divisões podem ser estudadas em cinco fases: prófase, prometáfase, metáfase, anáfase e telófase.

2.2.1 - Prófase I

A prófase I é realizada pelos citos jovens durante o periodo de crescimento da gametogênese. Esta tase é muito prolongada envolvendo uma serie de fenômenos e para facilidade de estudo é dividida e vários estágios: leptóteno, Zigóteno, paquíteno, diplóteno e diacinese.

2.2.2 – Prometáfase I

Desaparece a membrana nuclear, organiza-se o fuso de fibrilas, os bivalentes contraem-se mais, deslocando-se para o equador e começam a associar-se com o fuso em formação. Pode-se observar a espiral maior e a menor em cada cromossomo.

2.2.3 – Metáfase I

Nessa fase termina o período de crescimento do cito jovem, que é então designado cito de 1.ª ordem. Cada bivalente tem dois centrômeros, pertencendo a um cromossomo materno e outro ao homólogo paterno. Os cromossomos materno e paterno, de cada bivalente, dispõem-se separadamente no fuso fibrilar a iguais distâncias acima e abaixo do equador, isto é, entre o equador e os pólos.

2.2.4 – Anáfase I

Nesta fase dá-se a separação dos cromossomos homólogos de cada bivalente.
Os centrômeros não se dividem como ocorre no mitose, apenas em deslocam-se em direção aos respectivos pólos, forçando a separado das cromátides homólogas, que ainda estão presas pelos quiasmas terminais. Separam-se primeiremente os cromossomos menores, com quiasmas já terminalizados e posteriormente os cromossomos maiores, com quiasmas ainda não terminailzados.
2.2.5 – Telófase I

A telófase I não difere da telófase mitótica, por nenhum aspecto importante. Os cromossomos chegam aos pólos, reaparece a membrana nuclear, divide-se o citoplasma, formando-se duas células que são dois citos de 2.ª ordem.

2.2.6 - Intercinese

Nem sempre existe intercinese entre as duas divisões da meiose, ou tão curta que pode ser considerada como inexistente.

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